BONIKTA (Caio Aguiar)

Artista paraense que passa a “vestir” os canais digitais da Concertação apresenta uma arte rica em sobreposições de formas, tempos e espaços. Representante da nova geração da arte urbana amazônida, ele cria memórias coletivas para imaginar futuros possíveis.

Laíza Ferreira

Laíza Ferreira entrelaça memória, ficções, territórios e temporalidades e cria novas possibilidades de re-existência.

Por meio de colagens, artista que passa a inspirar a identidade visual dos canais digitais da Concertação instiga o imaginário para se reconectar com os que a antecedem e preencher as lacunas deixadas pelo apagamento cultural amazônico

Ueliton Santana

A arte do acreano espelha o território amazônico, grandioso e por muitas vezes ignorado. Em seu processo de criação, Ueliton costuma substituir a tradicional tela de pintura por uma rede de descanso – objeto tão identitário da região. Essa rede serve como suporte para que ele represente visualmente as Amazônias e sua cultura entrelaçada com a grandeza da floresta.

Ronaldo Guedes

Conceituado artista visual e ceramista marajoara, Ronaldo Guedes integra o coletivo de ceramistas e escultores Ateliê Arte Mangue Marajó, localizado no município de Soure, na Ilha do Marajó (PA).

Modelada a partir do barro retirado dos campos alagados da ilha, sua obra reafirma a cultura ancestral da região. Os pigmentos que garantem cor às peças vêm de rochas minerais como o argilito e o caulim.

Fotografadas por Pierre Azevedo, as peças de cerâmica marajoara de Ronaldo Guedes inspiram a identidade visual das redes da Concertação no período.

Genilson Guajajara

Fotógrafo natural da aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Rio Pindaré (MA), Genilson teve seu primeiro contato com a fotografia aos 23 anos, quando participava de uma oficina de formação política promovida pela organização Justiça nos Trilhos, da Universidade Federal do Maranhão.

Seu trabalho tem como tema central sua comunidade, seus costumes e seu cotidiano. Se, de início, o artista fotografava com um celular, hoje usa equipamento profissional para contar histórias do povo Guajajara – e, a partir de fevereiro de 2023, suas fotografias ilustraram os diferentes canais virtuais da Concertação.

Hadna Abreu

Formada pela Universidade Federal do Amazonas, desde 2009 a artista visual manauara atua no cenário cultural de sua cidade natal, onde recentemente assumiu a curadoria da galeria Manart. Suas principais áreas de atuação são ilustrações de livros, pintura em aquarela, escultura, arte urbana, exposições de arte e ensino em cursos livres.

Hadna desenvolveu uma série de aquarelas sobre sementes da Amazônia exclusivamente para a Concertação, obra que em outubro de 2022 passou a inspirar o layout dos canais digitais da rede.

Rogério Assis

Amazônia por Rogério Assis

Paraense com mais de 30 anos de profissão, Rogério iniciou sua vida profissional documentando etnias indígenas para o Museu Emílio Goeldi, em Belém do Pará. Integrou, em 1989, a expedição oficial da Funai de primeiro contato com a etnia Zo’é, tendo publicado essa documentação em mídias nacionais e internacionais.

Participou de exposições em diversas cidades brasileiras, além de Cuba, Alemanha, Estados Unidos e África do Sul. Atualmente desenvolve projetos documentais na área socioambiental, ministra workshops sobre fotografia documental, além de colaborar com as ONGs Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA).

Em agosto de 2022, seu trabalho serviu de base para a identidade visual dos diferentes canais virtuais da Concertação.

Raonizar as Cidades

Na imagem, foto sem cores do Cacique Raoni, sentado e olhando para a sua esquerda. Na imagem consta a frase "o futuro é indígena".

Ação coletiva realizada no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) em 2022, para homenagear o cacique Raoni como símbolo da luta e preservação da Amazônia e dos povos indígenas. Raoni Metuktire foi o único indígena brasileiro indicado ao prêmio Nobel da Paz até então.

Com participação de mais de 20 organizações da sociedade civil, o projeto que inspirou a identidade visual da Concertação em julho de 2022 envolveu a colagem de lambes de 6m² com a imagem do líder mebêngôkre em 50 cidades de todas as regiões do Brasil, além de projeções e murais.

Ciclos Para o Amanhã

A exposição híbrida que esteve em cartaz em maio de 2022 na Manart Galeria (Manaus) e, virtualmente, no site da Concertação, também inspirou a identidade dos canais digitais da rede no período.

Com curadoria de Hadna Abreu e Anna Lôyde Abreu, a mostra buscou responder à pergunta “E como será nosso amanhã na Amazônia?”, trazendo a visão de 16 artistas da região que se dedicam e lutam pelo chão que habitam: Skarlati Kemblin, Rakel Caminha, Thaís Kokama, Otoni Mesquita, Gisele Alfaia, MIA, Buy Chaves, Rui Machado, Chermie Ferreira, Francimar Barbosa, Raiz, Alonso Jr., a dupla Curumiz, Turenko Beça e Antônio II.

Rakel Caminha

Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino. Ela esteve conosco na plenária de abril e suas artes voltaram a compor a plenária de setembro.

Karoline

Karoline Barros rabisca desde sempre e é arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP. Atua profissionalmente na transversal entre as artes e as ciências, sempre pautada pelos territórios e suas (r)existências. Natural de Minas Gerais, reside atualmente em Manaus-AM, trabalha na capital e no interior do estado pela Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas. Assumidamente encantada pelo norte brasileiro que tem mergulhado, desenha para si mesma na tentativa de consolidar pensamentos, conhecimentos, imagens e projetos que compõem sua vida profissional e pessoal.

RUI MACHADO

Pintor, compositor e poeta. Foi a primeira participação artística no espaço de diálogo da concertação.

Participar deste encontro é uma oportunidade de o Brasil descobrir o Brasil. Sou amazonense, nasci de mãe amazonense de descendência portuguesa, e pai português. Sou um apaoxinado pela Amazônia e sempre a pintei muito antes disso virar modismo.

Quando questionado em relação ao seu olhar sobre a Amazônia, a resposta é simples: “quem ama cuida”.

ELIAKIN RUFINO

Natural de Boa Vista, Roraima, Eliakin Rufino é poeta, cantor, escritor, professor de filosofia, produtor cultural e jornalista. É um dos integrantes do movimento Roraimeira – expressão cultural amazônica considerada por cientistas sociais como um dos expoentes máximos na construção da identidade roraimense. Eliakin é um artista da palavra!

“Fala-se muito do lugar de fala. Eu, além de lugar de fala, eu tenho a fala do lugar. A Amazônia é minha casa, meu lar, minha origem, meus antepassados e ancestrais. Ainda não há uma escuta da Amazônia e continuamos vivemos essa tentativa de continuar a colonizá-la”

https://www.youtube.com/watch?v=l0VzAeRC9rU&feature=emb_rel_end

JULIE DORRICO

Doutoranda em Letras na PUCRS. Autora de “Eu sou macuxi e outras histórias” (publicado pela Editora Caos e Letras, em 2019). Administra a página @leiamulheresindigenas e o canal do YouTube “Literatura Indígena Contemporânea”. Se empenha em difundir a literatura de autoria indígena no Brasil, como pesquisadora e curadora. “Por meio da literatura indigena, a partir da própria enuncianção de alguns nomes, vamos conhecendo alguns povos e as outras línguas indígenas. A literatura também ajuda a conhecer os territórios”

GUSTAVO CABOCO

Artista Wapichana nascido em Curitiba, cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a família e a paisagem ancestral do lavrado roraimense. Em seu trabalho, reflete sobre os deslocamentos dos corpos indígenas, histórias de seu povo e na (re)conexão com territórios originários por meio da arte. Ao participar do debate da Concertação disse: “Que a Mãe Terra seja reconhecida e declarada como um sujeito de direitos, porque, para nós, a mudança climática nada mais é que um grito de socorro da Terra”.

“Eu posso ser o que você é sem deixar de ser quem eu sou”, frase criada no início da 1980 por um movimento estudantil indígena. As projeções do Festival #Tuaartenarua, de Belém, evocam a sobreposição de modos de vida que podem acontecer nos grupos sociais da Amazônia.

RAKEL CAMINHA

Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino e é dela a arte da capa do single Hutukara, da banda amazonense Marambaya, que abriu a plenária na qual participou. Hutukara significa “a parte do céu da qual nasceu a terra” e exprime uma parte da cosmovisão dos povos da floresta. “Hutukara é como se fosse um corpo onde todo mundo vive, não existe o ‘fora’ – tudo é troca, e precisamos trocar com a natureza. Da mesma forma, a Amazônia é reflexo do que são as pessoas que vivem nela, as várias culturas interligadas, ao mesmo tempo que ela é global”, explica a artista.

MARCELA BONFIM E A AMAZÔNIA NEGRA

Marcela atua como fotógrafa e artista visual em Porto Velho, Rondônia. Mulher negra, dedica-se ao projeto (Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta, no campo da antropologia visual, que versa sobre a constituição e memória da população negra brasileira na região amazônica. Explica que, antes de chegar a Rondônia, em 2010, seu imaginário sobre a Amazônia se restringia à “natureza selvagem, ao índio, ao nada”. No entanto, segundo ela, foi na Amazônia que iniciou um processo de tomada de consciência sobre a própria identidade.

ERYK ROCHA E GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA

Diretores e produtores do filme “A Queda do Céu”, uma obra inspirada livremente no livro homônimo do xamã Davi Kopenawa Yanomami e e do antropólogo francês Bruce Albert. O foco do longa, ainda em fase de edição, é a terceira parte do livro, em que o xamã toma o lugar do antropólogo e diz o que pensa sobre os não-indígenas e sua sociedade. 

As falas captadas de Davi Kopenawa e Salomé Yanomami soam como diagnóstico, alerta e convite. Para que voltemos nossas atenções às doenças que são trazidas e são criadas a partir da relação predatória com a natureza e para um outro modo possível de proceder.

BRUS RUBIO

Descendente dos povos originais Huitoto e Bora da Amazônia peruana. Sua arte busca retratar a conexão do homem com a natureza. Seu trabalho, de uma alegria cósmica, tem inspiração no seu imaginário, história e ancestralidade. Algumas de suas obras foram exibidas durante a 5ª plenária de Uma Concertação pela Amazônia.

PAULA SAMPAIO

Nasceu em Belo Horizonte. Foi ainda menina para a Amazônia com sua família, e em 1982 escolheu viver e trabalhar em Belém (PA). Durante o curso de Comunicação Social (UFPa), descobriu a fotografia e optou pelo fotojornalismo para retratar o cotidiano de trabalhadores, em sua maioria migrantes, que vivem às margens dos grandes projetos de exploração e em estradas na Amazônia, principalmente nas rodovias Belém-Brasília e Transamazônica. Em seu percurso também recolhe sonhos e histórias de vida das pessoas com as quais se encontra nesses caminhos.