Desafios da biodiversidade amazônica

Ao abrir a possibilidade de as comunidades, que têm os conhecimentos passados pelos seus anciões, contribuírem com a construção da Amazônia que queremos, criamos um alicerce muito mais poderoso para os negócios”. Esse trecho foi pinçado da fala do ceramista e ativista paraense Ronaldo Guedes, natural de Soure, no Marajó, durante a 2a plenária do ano promovida pela rede Uma Concertação pela Amazônia, em parceria com a iniciativa Amazônia 2030, intitulada As bioeconomias amazônicas: caminhos e sinergias.

Bioeconomia, uma alternativa para a floresta

O governo federal pretende lançar uma série de medidas para estimular a economia por meio de atividades sustentáveis. O plano, que vem sendo chamado de “pacote verde”, prevê desde incentivos para o mercado de crédito de carbono até a ampliação de produtos provenientes da natureza na cesta de exportações. A participação de produtos brasileiros oriundos da floresta e da sociobiodiversidade é de 0,17% nas exportações domésticas e há como chegar a pelo menos 1% ou 2% do total, de acordo com cálculos da Fazenda. O estímulo à bioeconomia, segundo o que foi apresentado até agora, será um dos seis eixos principais do pacote.

Amazônia em pé vale até 7 vezes mais que exploração privada da floresta

Para além da produtividade agrícola —uma aliada conhecida do combate ao desmatamento, à medida que inibe a expansão de terras—, o Banco Mundial propõe a produtividade urbana na Amazônia como estratégia para desacelerar o desmate, promovendo, ao mesmo tempo, desenvolvimento regional e nacional.

O memorando econômico “Equilíbrio Delicado para a Amazônia Legal Brasileira”, publicado nesta terça-feira (9) pelo Banco Mundial, destaca ainda o valor da floresta amazônica mantida em pé, sete vezes superior ao da exploração.

Equilíbrio Delicado para a Amazônia Legal Brasileira – Um Memorando Econômico

A Amazônia Legal abrange nove estados, a maioria dos quais entre os mais pobres do Brasil. É um vasto território de 502 milhões de hectares (maior do que a União Europeia), onde vivem 28 milhões de brasileiros. Embora a Amazônia Legal seja conhecida principalmente pelas vastas florestas naturais, mais de três quartos da população vivem em vilas e cidades. Trinta e seis por cento da população vive na pobreza.

Vamos salvar a Amazônia

A Amazônia, não é novidade, é um dos temas mais debatidos no mundo inteiro. Aos poucos, as reais e gigantescas ameaças que pesam sobre a região se tornaram preocupações globais. Estudos, mapeamentos, estatísticas e documentos são lançados com interpretações e questionamentos sobre o presente e o futuro da Amazônia. E as palavras de ordem que surgem em encontros, fóruns, seminários e congressos mundo afora inevitavelmente giram em torno de um núcleo, um mantra desafiador: vamos salvar a Amazônia.

Combate à desinformação na Amazônia e seus defensores

Foi lançado na manhã da terça-feira, 25, o relatório “Combate à desinformação na Amazônia e seus defensores”, produzido pelo grupo de trabalho de Combate à Desinformação e Discurso de Ódio na Amazônia Legal, uma iniciativa do Intervozes e outras 10 organizações, sendo oito amazônidas. O documento reúne os dados sobre páginas e perfis que circulam pela região e aponta um outro olhar sobre o que é a desinformação socioambiental. O evento foi transmitido pelo YouTube.

‘A agenda ambiental tem que estar casada com a de economia e a de inclusão social’, diz pesquisador Beto Veríssimo

Uma Amazônia com recordes de desmatamento. Eliminação total da vegetação nativa numa determinada área seguida, em geral, pela ocupação com outra cobertura ou uso da terra., degradação. Eliminação parcial e gradual da vegetação florestal para a extração seletiva de madeira e de outros recursos naturais. Pode ocorrer também por fogo e alterações climáticas. ambiental, crime organizado, garimpo ilegal e tráfico de drogas. Esses problemas – e outras tantas dificuldades – são e serão enfrentados pelo governo federal frente à complexa realidade amazônica. Por mais que a vitória de Lula seja vista por ambientalistas como um sopro de esperança diante de uma catástrofe que se aproximava de um ponto de não retorno. Um determinado limite ou situação que, quando alcançado, não mais permitiria a volta à situação ou estado anterior., as demandas da maior floresta tropical do mundo exigem ações nem sempre tão simples quanto gostaria a lógica política partidária.

Floresta nova em folha

José Claudio Balducci tinha uma pequena fábrica de polpa e sorbet de açaí em Macapá, no Amapá, muito lucrativa. Um dia ele decidiu “sair da caixa” e criar uma startup, mas não sem antes passar por um MBA na Fundação Getulio Vargas, de onde mergulhou no mundo da inovação. Dessa inquietude de Balducci nasceu a Amazonly, a primeira indústria legalmente apta à extração, beneficiamento e comercialização de manteigas e óleos vegetais derivados de sementes florestais, muito usados na fabricação de cosméticos.

Presidente homologa seis terras indígenas

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, participam nesta sexta-feira (28/4), a partir das 10h, do encerramento do Acampamento Terra Livre 2023. No ato, o presidente assinará decretos de homologação de seis terras indígenas, em seis estados brasileiros. O evento será na Praça da Cidadania (ao lado do Teatro Nacional, entre as vias N1 e N2), em Brasília (DF).

A diversidade e a cultura como fortaleza dos povos da Amazônia

A Amazônia brasileira tem uma população extremamente diversa. “São trinta milhões de brasileiros no território. E, apesar do imaginário coletivo, são 2% indígenas e 98% entre quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, população urbana em grandes e pequenas propriedades, etc”, diz Fernanda Rennó, consultora do Instituto Arapyaú e secretária executiva da iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, no painel “Trinta milhões de brasileiros: a diversidade dos povos da Amazônia”, no Especial Amazônia, de EXAME.

Desafios para o desenvolvimento sustentável da Amazônia

A Amazônia é o maior bioma brasileiro preservado e tem papel fundamental na regulação climática para o agronegócio. As mudanças climáticas podem inviabilizar as práticas agropecuárias no centro do Brasil, segundo alerta Paulo Artaxo, cientista brasileiro e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Beto Veríssimo: novo governo e a conservação da Amazônia

Por que o governo é chave? Porque o grosso do território da Amazônia, quase dois terços são terras públicas, sobretudo federais. Então, se você não tiver um governo federal alinhado e comprometido com a agenda de conservação e desenvolvimento, com estabilidade, é muito difícil essa agenda andar. Até o setor privado chegar, o mercado só vai chegar se o governo fizer o primeiro movimento. Então, o papel do governo é central na Amazônia”, disse.

Marcello Brito é o Novo Secretário Executivo do Consórcio da Amazônia Legal

O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal (CAL) tem um novo Secretário Executivo. O governador do Estado do Pará, Helder Barbalho, Presidente do Consórcio anunciou Marcello Brito, como o novo Secretário Executivo da autarquia. Sua nomeação ocorreu no último dia 31 de março, a contar de 01 de abril de 2023.

Degradação pode atingir até 70% da floresta em 2050, diz pesquisador David Lapola

Enquanto o desmatamento é amplamente estudado, os processos de degradação parcial e gradual da vegetação florestal para a extração seletiva de madeira e de outros recursos naturais. Pode ocorrer também por fogo e alterações climáticas. avançam silenciosos na floresta, causando impactos tão ou mais graves. “A gente ficou olhando para o peixe e esqueceu de olhar para o gato. Tem que ter um olho para as duas coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo”, alerta David Lapola, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), principal autor do estudo que estampou a capa da revista Science no último janeiro, revelando que 38% da floresta já sofre algum tipo de degradação.

Devastação na Amazônia afeta biodiversidade em todo o país

O desmatamento da Floresta Amazônica é uma já sabida e temida ameaça ao clima do planeta e à biodiversidade. Entretanto, a repartição da cobertura vegetal em fragmentos descontínuos também pode desequilibrar as cadeias alimentares de variadas espécies animais, ameaçando sua sobrevivência.

Fragilidade no fomento a negócios socioambientais na Amazônia

A precariedade do ecossistema de negócios socioambientais e vazios institucionais na maior parte dos estados da Amazônia Legal são obstáculos para o desenvolvimento da bioeconomia na região. Para romper estas barreiras, é preciso fortalecer os negócios territoriais, bem como multiplicar o número de aceleradoras que possam estimular a implantação de empreendimentos socioambientais em todo o ambiente amazônico.

Governança frágil é obstáculo no combate a incêndios na Amazônia

“Morando no Acre, temos pouco ou nenhum protagonismo, principalmente quando se fala de meio ambiente. Vemos cientistas de outras regiões e até de outros países falando da Amazônia, chamando a atenção para o tema, mas nós, que moramos aqui, ficamos fora dessa governança.”

A fala da socióloga Gleiciane Pismel, colaboradora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), resume um dos muitos desafios para a gestão do combate de incêndios na região amazônica. Em geral, tentativas de solucionar o problema costumam ser ditadas “de fora” e não consideram particularidades locais. Esse descasamento entre global/nacional e regional/local acaba reduzindo as chances de êxito.