O Instituto Mãe Crioula lança o relatório Crime Organizado na Amazônia Paraense: Dinâmicas e Implicações sobre Povos e Comunidades Tradicionais, uma investigação que ilumina as múltiplas camadas de violência, disputa territorial e vulnerabilização que marcam a região. O estudo demonstra que a presença atual das facções criminosas na Amazônia não substitui os antigos conflitos fundiários — ela os agrava. O crime organizado moderno soube explorar desigualdades, fraturas sociais e a histórica omissão do Estado, convertendo tensões locais por terra em bases para um projeto de poder que opera em escala transnacional. O mapa contemporâneo das facções é, portanto, a continuidade perversa do mapa histórico das lutas pela posse e pelo uso do território. No Pará e na Amazônia Legal, essa sobreposição entre conflitos agrários e redes criminais redefine a própria noção de segurança pública. O relatório evidencia que o modelo tradicional, centrado apenas em repressão policial e encarceramento, é insuficiente