Dixit Amazonias 14
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Concertação leva cultura, ciências e ação coletiva à COP30 

Com atuação marcante em diferentes ações e encontros, mobilizamos a nossa agenda integrada para apresentar soluções concretas às Amazônias

A nossa presença na COP30 foi marcada pela diversidade de temas, formatos e espaços. Propusemos diálogos sobre bioeconomia, sistemas agroalimentares, saúde, segurança, juventudes, florestas, educação e cultura, buscando convergência de soluções para clima, natureza e desenvolvimento.

Como uma das anfitriãs da Cas’Amazonia, espaço colaborativo que mantivemos em parceria com o Instituto Arapyaú e o Instituto Itaúsa, realizamos o lançamento de publicações, organizamos debates, rodas de conversa e experiências culturais que expressaram, de forma viva, o propósito da nossa rede de integrar racionalidade e sensibilidade em torno de uma mesma pauta.

A Cas’Amazonia se tornou um ponto de encontro e troca entre representantes do poder público, cientistas, sociedade civil, setor privado e Enviados Especiais da COP30. Ali, discutimos questões estratégicas, como segurança, bioeconomia, saúde, sistemas agroalimentares, restauração florestal, juventudes e cultura.

Além de painéis temáticos, a Cas’Amazonia foi palco de vivências culturais e experiências imersivas que destacaram o poder das narrativas amazônicas. O espaço mostrou, na prática, como a integração entre conhecimento técnico e expressão artística pode abrir novas rotas de entendimento e ação para o futuro da região.

Participamos ativamente de painéis e debates na Blue Zone (no Pavilhão de Ciências Planetárias, no Pavilhão Action on Food Hub e Pavilhão Food Roots & Routes), onde ocorreu a programação oficial, e na Green Zone, área aberta de encontros da sociedade. Além de conversas essenciais na Agrizone, na Caravana Iaraçu, no Museu Emílio Goeldi e na Casa Niaré.

As bioeconomias estiveram no centro das discussões em que participamos em Belém

Nas discussões de que participamos na COP30, ficou claro que o desenvolvimento sustentável passa, necessariamente, pelo reconhecimento da pluralidade das economias amazônicas e pelo investimento em soluções criadas com participação do território.

Embora existam hoje mais de uma centena de iniciativas de financiamento na Amazônia Legal, apenas uma fração delas chega à sociobioeconomia, justamente onde estão as mulheres, os povos indígenas e as comunidades tradicionais que mantêm viva a floresta.

Por isso, defendemos que o seu fortalecimento demanda a criação de instrumentos financeiros sensíveis às realidades do território, combinando recursos públicos, privados e filantrópicos. 

A conferência nos permitiu apresentar nosso conhecimento acumulado sobre este tema a lideranças políticas, empresariais e comunitárias em quatro eventos, que trataram do fortalecimento da bioeconomia e de mecanismos financeiros capazes de fortalecer modelos produtivos sustentáveis:

  • O painel “Desvendando o Financiamento da Bioeconomia Amazônica: O que Falta para Impulsionar Economias Verdes e Inclusivas?”, que buscou avançar em soluções concretas para o financiamento da bioeconomia, foi realizado pela Concertação em parceria com a ABDE, Frankfurt School of Finance and Management e com o apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento na Caravana Fluvial Iaraçu. O encontro foi mediado por Georgia Jordão, responsável pela frente de Conhecimento da Uma Concertação;
  • O encontro “Financiando a Bioeconomia Amazônica: Soluções do Ecossistema Brasileiro” foi mediado por Georgia Jordão, responsável pela frente de Conhecimento da Concertação, e Eduardo Rocha, da Plataforma Parceiros pela Amazônia, organização que lidera o GT de bioeconomia da Rede e trouxe organizações parceiras à Cas’Amazonia para trocar aprendizados, como a Associação Brasileira de Desenvolvimento, Conexsus, Natura, Amazon Investor Coalition, Frankfurt School of Finance and Management, Fundo Podáali e The Nature Conservancy;
  • O evento “Raízes de Resistência: o Protagonismo das Mulheres na Bioeconomia e na Ação Climática”, realizado na Casa Niaré em parceria com Tucum, Amazon Investor Coalition, PPA, Urucuna, Da Tribu e TNC, apresentou  as mulheres indígenas como guardiãs de conhecimentos ancestrais e a necessidade de reconhecer e financiar suas práticas para consolidar uma sociobioeconomia justa;
  • A Roda de Conversa “Bioeconomia Indígena: Fortalecendo Economias Diversas e Inclusivas” reuniu as lideranças indígenas Leonice Tupari, coordenadora da rede TECÊ, Nohora Alejandra Quiguantar, jovem cientista do Science panel for The Amazon e Vanda Witoto, integrante do Núcleo de Governança da Concertação. Com mediação de Georgia Jordão a conversa teve o objetivo de discutir a integração de sistemas de conhecimento e o protagonismo dos povos originários na transição socioecológica das Amazônias. O encontro também foi palco do lançamento do volume 11 da série Cadernos da Concertação: “Bioeconomia Indígena Feminina da Amazônia: Vozes das Gerações”.

Bioeconomia Indígena Feminina

O novo volume , “Bioeconomia Indígena Feminina da Amazônia: Vozes das Gerações”, reúne práticas e processos em que o conhecimento das mulheres indígenas é central para a criação de alternativas econômicas e para a regeneração dos ecossistemas. A publicação mostra como elas contribuem para a preservação ambiental, para a segurança alimentar e para a autonomia comunitária, articulando ciência, tecnologias sociais e formas de gestão do território.

A obra traz uma narrativa sobre a bioeconomia na região construída a partir da percepção e experiências de 9 mulheres no território da Amazônia Legal e foi organizada por Braulina Baniwa, com textos de Marciely Tupari, Sandiely Sateré Mawé, Regina Sateré Mawé, Ayla Tapajós, Maria Julia Yawanawá, Beka Munduruku, Marcilene Guajajara, Maria Leonice Tupari e Alessandra Munduruku.

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Transição dos sistemas agroalimentares como solução para o clima, para as pessoas e para a natureza

A transição dos sistemas agroalimentares amazônicos também ganhou destaque nas nossas agendas. Em cinco eventos, estivemos com pesquisadores, agricultores, técnicos, empreendedores, chefs, indígenas e representantes de organizações locais para discutir soluções para transformar o modelo convencional de produção, distribuição e consumo de alimentos na Amazônia Legal.

  • O sarau de lançamento do livro “Sistemas Agroalimentares e Amazônias”, uma parceria entre Concertação e Instituto Clima e Sociedade, realizado na Cas’Amazonia com mediação de Lívia Pagotto e Georgia Jordão, foi um dos momentos mais simbólicos dessa programação. Representantes dos 47 autores da publicação estiveram presentes no encontro e leram trechos do prólogo, do epílogo e dos 12 capítulos que compõem o livro. 
  • O “TasteAmazonia – Das Raízes à Mesa: Gastronomia Amazônica como Solução Climática”, correalizado pela Concertação em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Trias e Instituto Regenera no Museu Emílio Goeldi, explorou a conexão da gastronomia com a conservação da biodiversidade, o conhecimento tradicional e, como elemento chave para impulsionar a transição dos sistemas alimentares convencionais para sistemas mais justos,regenerativos e que valorizam a cultura amazônica . Georgia Jordão abordou caminhos de futuro baseados em cooperação intersetorial  para os sistemas agroalimentares amazônicos ao lado do chef Saulo Jennings e Andrés Bernal da organização colombiana Conexión;
  • No painel “Sociobioeconomia e Serviços Ambientais: Moldando Mercados Sustentáveis Amazônicos”, realizado no Pavilhão Action on Food HUB na Blue Zone em parceria com o Instituto Fronteiras do Desenvolvimento e a OPAN – Operação Amazônia Nativa, Lívia Pagotto fez a mediação do encontro e tratou da conexão entre o acesso aos mercados de produtos da sociobiodiversidade amazônica, o desenvolvimento de comunidades tradicionais e políticas públicas;
  • No painel “Promovendo a Governança Territorial e a Agricultura Familiar no Sudeste do Pará”, realizado na Agrizone pela Embrapa e mediado pela Plataforma Parceiros pela Amazônia, Georgia Jordão falou sobre o paradoxo entre abundância e escassez que caracteriza os sistemas agroalimentares amazônicos e da necessidade de multiplicar projetos de diversificação produtiva no nível dos territórios que têm impacto no aumento da qualidade de vida, na saúde e na resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas;
  • No Pavilhão Food Roots & Routes na Blue Zone da COP30, Lívia Pagotto mediou o encontro entre o Instituto Fronteiras o Desenvolvimento, Imazon, iCs e CESUPA no painel “Ampliação do Acesso a Mercados como Indutor do Desenvolvimento Sustentável na Amazônia”. Foi uma oportunidade para qualificar o debate a partir de estudos e experiências de implementação de projetos voltados para a produção e consumo de alimentos da agricultura familiar no território amazônico;
  • No Pavilhão Action Food Hub na Blue Zone, o painel “Sociobioeconomia e Serviços Ambientais: Moldando Mercados Sustentáveis Amazônicos”, organizado pelo Instituto Fronteiras do Desenvolvimento, OPAN e Uma Concertação pela Amazônia, reuniu especialistas para discutir como o acesso a mercados pode impulsionar o desenvolvimento de comunidades locais, fortalecer cadeias produtivas da sociobioeconomia e contribuir para a conservação da biodiversidade e a manutenção do clima global.

Sistemas Agroalimentares e Amazônias

Lançado pela Concertação na COP30, o livro “Sistemas Agroalimentares e Amazônias” parte de um diagnóstico claro: a expansão de monoculturas e da pecuária intensiva fez da Amazônia Legal o principal vetor de desmatamento e emissões no Brasil, sem resolver problemas como fome e pobreza e com impacto na saúde das populações.

Ao reunir contribuições de pesquisadores e lideranças de campo, o livro propõe caminhos para uma transição justa e regenerativa dos sistemas alimentares, destacando o papel da agricultura familiar, da sociobiodiversidade, da integração de inovação e tecnologia à agricultura convencional e da gastronomia como motores de mudança.

A obra reforça que a segurança alimentar e nutricional do mundo passa pela Amazônia. Afinal, garantir alimentação saudável e sustentável é também uma forma de proteger o clima, a floresta, de promover saúde para as pessoas que moram nela e de preservar a cultura e a ciência de povos e comunidades tradicionais.

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Dixit Amazônias: cultura, imaginação e educação para ler o território

O lançamento do Dixit Amazônias, na Cas’Amazonia, marcou um encontro potente entre arte, educação e território. Criado em parceria com a Asmodee e ilustrado por artistas amazônidas, o jogo propõe novas formas de diálogo sobre as “múltiplas Amazônias” — conservada, urbana, em transição, convertida e das águas — estimulando pertencimento e reflexão sobre o que significa viver e cuidar da região hoje.

Exemplares foram distribuídos a centenas de participantes da COP30 — incluindo ministros, enviados especiais, cientistas, ativistas e influenciadores — ampliando o alcance da iniciativa. No entanto, seu impacto principal será na educação: por meio de parceria com Secretarias Estaduais de Educação, 8 mil kits serão enviados a escolas do Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Roraima e Tocantins. As cartas integrarão o programa Itinerários Amazônicos, uma das Iniciativas Estruturantes da Concertação, realizada pelo Instituto iungo e pelo Instituto Reúna, que aborda a complexidade ambiental, social, histórica, cultural e econômica do território, posicionando a educação como eixo do desenvolvimento sustentável.

  • Apresentado por Fernanda Rennó, responsável pela frente de Cultura e integrante do Núcleo de Governança da Concertação, o lançamento do jogo contou com a presença da Secretária de Cultura do Pará, Ursula Vidal, e do Coordenador de Educação Ambiental da Secretaria de Educação do Pará, Mauro Silva, reforçando o papel do jogo como ferramenta pedagógica e cultural. O diálogo destacou o potencial do Dixit Amazônias para apoiar escolas, instituições culturais e iniciativas comunitárias na construção de novas narrativas sobre o território. As artistas Hadna Abreu e Renata Segtowick apresentaram as cartas que ilustraram e compartilharam suas experiências no processo criativo de imaginar e reinterpretar as Amazônias.
  • Como legado educativo, conjuntos do Dixit Amazônias foram doados ao Museu das Amazônias e ao Centro Cultural Bienal das Amazônias por Fernanda Rennó e Joana Braga, Coordenadora de Produção da Concertação. O jogo passará a integrar processos formativos e ações educativas — ampliando o uso do jogo como instrumento lúdico de aprendizagem, escuta e conexão com a diversidade amazônica;
  • O jogo também foi apresentado por Georgia Jordão e Letícia Diniz no evento “A Fonte”, realizado na Casa Combio, a convite da nossa parceira Climate Ventures.

 

Saiba mais sobre o jogo

A Iniciativa Estruturante de educação da Concertação também foi tema de painel realizado em parceria com o BID e a Secretaria Estadual de Educação do Pará (SEDUC-PA) na Cas’Amazonia. “Os Itinerários Amazônicos contextualizados para o desenvolvimento do letramento em prol da sustentabilidade” foi mediado por Fernanda Rennó, que conversou com os educadores da SEDUC-PA Elisa Serrão, Diego Costa e Vera Arapium sobre suas experiências com o programa.

Na Amazônia, falar sobre clima significa, necessariamente, repensar políticas de saúde

As interfaces entre saúde e clima também estiveram no foco da nossa participação na COP30. A população amazônica convive com níveis alarmantes de insegurança alimentar e os impactos crescentes dos eventos climáticos comprometem a saúde, impulsionam a ocorrência de doenças transmissíveis e reduzem o acesso à água potável. Para discutir a inter-relação entre saúde e clima, participamos dos seguintes eventos:

  • O painel “Saúde e Clima: O Que Vem Depois da COP30?”, organizado pelo nosso GT de Saúde e Clima na Cas’Amazonia, reuniu 33 lideranças do setor privado, terceiro setor, organizações públicas, academia e organizações filantrópicas para discutir uma agenda única para ambos os temas. Com abertura feita por Lívia Pagotto, Marcia Castro (Harvard) e Arthur Aguilar (IEPS), a ideia do encontro foi identificar desafios, prioridades e oportunidades para estabelecer um legado do “Dia da Saúde da COP30”, celebrado em 13/11 junto com o lançamento do “Plano de Ação em Saúde de Belém”, consolidando a saúde das pessoas e do meio ambiente como um dos eixos estruturantes das políticas e diretrizes climáticas. O evento também fortaleceu conexões e reconheceu iniciativas inspiradoras voltadas a futuras colaborações multissetoriais, tanto local quanto globalmente;
  • No painel “One Health, Epidemics and Food Security”, realizado no pavilhão de Ciência Planetária na Blue Zone, Lívia Pagotto discutiu com Arilson Favaretto, Sonia Racon e Simone Athayde a importância da transição para sistemas agroalimentares justos para estabelecer o conceito de saúde única e garantir a segurança alimentar na Bacia Amazônica.

 

Além disso, somos uma das organizações fundadoras da Rede Saúde e Clima Brasil, lançada no dia 11 de novembro junto à Marcha pela Saúde, que visa conectar ciência e conhecimentos tradicionais para fortalecer a resposta coletiva aos impactos da crise climática sobre a saúde, especialmente nos territórios e grupos mais vulnerabilizados. No evento de lançamento, a Concertação foi representada pela nossa gestora Paula Sleiman.

Falar sobre segurança e justiça socioambiental é buscar caminhos para proteger vidas e florestas

Pensar segurança pública e climática de forma conjunta foi uma das abordagens que mais enfatizamos nesta COP. As atividades que desenvolvemos representam exemplos de nosso esforço em ampliar o diálogo entre diferentes instituições e promover abordagens integradas para os desafios das Amazônias. Nesse sentido, promovemos:

  • O evento “Crime, Clima e Território”, em parceria com Instituto Itaúsa, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, LACLIMA e FILE, contou com dois painéis. O primeiro foi marcado pelo lançamento da primeira edição do suplemento “Experiências promissoras de prevenção e enfrentamento ao crime e à violência na Amazônia”, que acompanha o anuário Cartografias da Violência na Amazônia a partir de 2025. A pesquisa publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública traz dados inéditos sobre os impactos da criminalidade ambiental, além de um caderno de soluções territoriais já adotadas;
  • O segundo painel “Soluções inovadoras para o fortalecimento do Estado de Direito da Amazônia” discutiu a necessidade de coordenação institucional para o fortalecimento do Estado de Direito na Amazônia, em especial caminhos para a proteção ambiental associada à segurança pública. Estivemos com Melina Risso e Robert Muggah, do Instituto Igarapé, Humberto Freire de Barros (DAMAZ/PF), Tasso Azevedo, do MapBiomas, e Paulo Amaral, do Imazon. A moderação ficou a cargo de Yanê Amoras da Amazon Investor Coalition (AIC).

 

Além disso, participamos do debate “Segurança Pública, Justiça Climática e Crime Organizado na Amazônia”, no Pavilhão do Ministério Público na Green Zone. Nossa secretária-executiva, Lívia Pagotto, esteve com Daniel Azeredo (Ministério Público Federal), Melina Risso (Instituto Igarapé), Lincon Aguiar (Coletivo Maparajuba) e Hyury Potter (jornalista membro da Rainforest Investigations Network, do Pulitzer Center) para discutir os desafios da segurança e as soluções coletivas para a região. 

Articulação coletiva: condição para uma transição justa nas Amazônias

A ação das redes é essencial para conectar fontes de recursos, saberes e práticas que podem contribuir para reduzir a crise do clima. A COP30 evidenciou que enfrentar a crise climática na Amazônia exige ação coordenada — nenhuma instituição, governo ou comunidade atua sozinha diante de desafios tão complexos. A transição justa depende da capacidade de articular setores, territórios, conhecimentos e recursos para garantir desenvolvimento com justiça social e floresta em pé. Em torno desse propósito, participamos: 

  • Do painel Colaboração Radical: Criando Soluções Climáticas por meio de Redes Diversas”, realizado pelo Instituto Arapyaú na Cas’Amazonia e mediado por Paula Sleiman, que abordou o poder das redes na colaboração entre ciência, políticas públicas, sociedade civil e inovação para promover transformações sistêmicas;
  • Como apoio institucional da conferência “World Climate Summit & The Investment COP 2025”, organizado pela World Climate Foundation na Assembleia Paraense, que procurou oportunidades de fortalecer o financiamento climático e acelerar ações concretas pelo planeta;
  • Da oficina “Soluções em Clima e Natureza no Território”, que marcou o encerramento do ciclo de oficinas realizado previamente pelo Instituto Arapyaú e pelo Em Movimento. Co-organizado pela Concertação, esse encontro reuniu integrantes do nosso GT de Juventudes e outros jovens de diferentes biomas que compartilharam experiências, que apresentaram soluções e refletiram sobre caminhos para ampliar sua participação política e sua capacidade de incidência nas decisões que afetam o território. O momento reforçou que juventudes não são público-alvo, mas agentes estratégicos da transição climática — capazes de inovar, articular redes e propor novas formas de soluções climáticas.

A doação do totem do Atlas Cultural das Amazônias para o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia marca um encontro simbólico e estratégico entre cultura, tecnologia e novas economias. Ao ampliar o acesso público às obras e ao banco de talentos do Atlas, o totem fortalece a Economia Criativa, dando visibilidade a artistas e profissionais da cultura e conectando seus trabalhos a um ambiente dedicado a transformar conhecimento da floresta em renda, inovação e negócios comunitários. No Parque, visitantes terão contato direto com essa produção cultural por meio de uma experiência tecnológica que valoriza identidades, amplia repertórios e projeta talentos amazônicos para novos mercados.

A entrega foi realizada aos representantes do Parque: Marcos Da Ré, diretor de Economia Verde; Janice Maciel, gerente do Centro de Economia Verde; Marco Giágio, diretor-geral da CERTI Amazônia; e Keyvilla Costa, analista de Operações.

A confiança no diálogo e na convergência de propósitos para o futuro das Amazônias é o principal legado de nossa participação na COP30

Ao longo da COP30, a Concertação se consolidou como plataforma de articulação e visibilidade das soluções para clima, natureza e desenvolvimento do território. A Cas’Amazonia, que recebeu cerca de 1.000 pessoas, sediou 32 eventos e reuniu mais de 95 palestrantes, tornou-se um ponto de encontro estratégico, fortalecendo nosso papel como ponte entre ciência, sociedade civil, setor privado, juventudes, povos indígenas e comunidades tradicionais. A atuação em múltiplos espaços ampliou diálogos, conectou agendas e evidenciou a importância da colaboração para impulsionar uma transição justa nas Amazônias.

Lançamos o Mapa de Espaços Paralelos | COP30, uma ferramenta interativa e de acesso livre que reuniu os locais da programação promovida por sociedade civil, setor privado e organizações não governamentais em Belém durante a Conferência. Atualizado ao longo do evento, o mapa deu visibilidade à multiplicidade de casas temáticas, hubs culturais, feiras, mostras e rodas de diálogo que fazem a COP acontecer para além dos espaços oficiais. Mais de 80 locais dedicados a debates, experiências culturais, eventos científicos e fóruns de inovação foram mapeados, incluindo a Yellow Zone, iniciativa que leva o debate climático às periferias de Belém.

Após um ano de mobilização coletiva, cumprimos nossa função essencial: oferecer um espaço seguro e qualificado de diálogo, fortalecimento e troca entre integrantes da rede, poder público e organizações parceiras. Essa articulação ampliou conexões, gerou novas cooperações e deixou um legado para além do evento.

Temáticas da nossa Agenda Integradora — como bioeconomia, sistemas agroalimentares, saúde, segurança, educação, cultura e juventudes — foram mobilizadas de forma concreta, conectando agendas e atores que, juntos, podem acelerar soluções para o desenvolvimento sustentável das Amazônias. 

A realização da COP em Belém aproximou as múltiplas Amazônias — urbana, florestal, ribeirinha, empresarial, indígena — reforçando a visão que sempre guiou nosso trabalho: reconhecer a diversidade da região como base para políticas públicas e privadas mais eficazes. Esse movimento gerou um raro senso de pertencimento e união regional, alinhado ao propósito da rede. 

Nossa atuação representou um exercício vivo de colaboração e demonstrou que reunir diferentes vozes, perspectivas e conhecimentos é o primeiro passo para transformar debate em ação coletiva. Seguiremos fortalecendo articulações, aprofundando diálogos e conectando agendas para construir, juntos, uma transição justa, próspera e sustentável para todas as Amazônias.

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