Arte na
Concertação​

A presença da arte na rede Uma Concertação pela Amazônia mobiliza, emociona, aproxima e sensibiliza. Ela ajuda a atualizar nosso imaginário amazônico, rompendo com estereótipos. Abrir espaços para manifestações artísticas e para os próprios artistas faz parte do jeito de ser e de se expressar da própria Concertação, pois permite conectar o técnico e o sensível, mostrando que isso não somente é possível, mas necessário e urgente. Essas expressões artísticas humanizam e aterrissam as discussões no território.

Linha do tempo da arte

A NARRATIVA DA ARTE NA
UMA CONCERTAÇÃO PELA AMAZÔNIA
OUTUBRO-NOVEMBRO, 2021
Chermie Ferreira, Kambô, Paula Sampaio, Rakel Caminha e Rui Machado
Cinco artistas contribuíram para compor a identidade visual da Concertação em outubro e novembro: CHERMIE FERREIRA, artista plástica descendente do povo Kokama, que busca incorporar sua origem indígena aos seus trabalhos; KAMBÔ, artista visual que mistura cultura tradicional com tecnologia e apresenta em seu trabalho uma imersão pelas diferentes regiões amazônicas; PAULA SAMPAIO, fotojornalista idealizadora do Rotas que retrata este corpo amazônico, com olhar sensível sobre o cotidiano dos trabalhadores que vivem às margens dos grandes projetos de exploração e das estradas da Amazônia; RAKEL CAMINHA, artista cujas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino na Amazônia; e RUI MACHADO, pintor, compositor e poeta, que vê na Concertação uma oportunidade do Brasil descobrir o Brasil.
OUTUBRO-NOVEMBRO, 2021
SETEMBRO, 2021
Rakel Caminha
Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino. Ela esteve conosco na plenária de abril e suas artes voltaram a compor a plenária de setembro.
SETEMBRO, 2021
JULHO, 2021
Paula Sampaio
Nasceu em Belo Horizonte. Foi ainda menina para a Amazônia com sua família, e em 1982 escolheu viver e trabalhar em Belém (PA). Durante o curso de Comunicação Social (UFPa), descobriu a fotografia e optou pelo fotojornalismo para retratar o cotidiano de trabalhadores, em sua maioria migrantes, que vivem às margens dos grandes projetos de exploração e em estradas na Amazônia, principalmente nas rodovias Belém-Brasília e Transamazônica. Em seu percurso também recolhe sonhos e histórias de vida das pessoas com as quais se encontra nesses caminhos.
JULHO, 2021
JUNHO, 2021
Brus Rubio Pintor
Descendente dos povos originais Huitoto e Bora da Amazônia peruana. Sua arte busca retratar a conexão do homem com a natureza. Seu trabalho, de uma alegria cósmica, tem inspiração no seu imaginário, história e ancestralidade. Algumas de suas obras foram exibidas durante a 5ª plenária de Uma Concertação pela Amazônia.
JUNHO, 2021
JUNHO, 2021
Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
Diretores e produtores do filme “A Queda do Céu”, uma obra inspirada livremente no livro homônimo do xamã Davi Kopenawa Yanomami e e do antropólogo francês Bruce Albert. O foco do longa, ainda em fase de edição, é a terceira parte do livro, em que o xamã toma o lugar do antropólogo e diz o que pensa sobre os não-indígenas e sua sociedade.

As falas captadas de Davi Kopenawa e Salomé Yanomami soam como diagnóstico, alerta e convite. Para que voltemos nossas atenções às doenças que são trazidas e são criadas a partir da relação predatória com a natureza e para um outro modo possível de proceder.
Cena do Filme "A Queda do Céu"
JUNHO, 2021
MAIO, 2021
Marcela Bonfim e a Amazônia Negra
Marcela atua como fotógrafa e artista visual em Porto Velho, Rondônia. Mulher negra, dedica-se ao projeto (Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta, no campo da antropologia visual, que versa sobre a constituição e memória da população negra brasileira na região amazônica. Explica que, antes de chegar a Rondônia, em 2010, seu imaginário sobre a Amazônia se restringia à “natureza selvagem, ao índio, ao nada”. No entanto, segundo ela, foi na Amazônia que iniciou um processo de tomada de consciência sobre a própria identidade.
MAIO, 2021
ABRIL, 2021
Rakel Caminha
Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino e é dela a arte da capa do single Hutukara, da banda amazonense Marambaya, que abriu a plenária na qual participou. Hutukara significa “a parte do céu da qual nasceu a terra” e exprime uma parte da cosmovisão dos povos da floresta. “Hutukara é como se fosse um corpo onde todo mundo vive, não existe o ‘fora’ – tudo é troca, e precisamos trocar com a natureza. Da mesma forma, a Amazônia é reflexo do que são as pessoas que vivem nela, as várias culturas interligadas, ao mesmo tempo que ela é global”, explica a artista.
ABRIL, 2021
MARÇO, 2021
Gustavo Caboco
Artista Wapichana nascido em Curitiba, cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a família e a paisagem ancestral do lavrado roraimense. Em seu trabalho, reflete sobre os deslocamentos dos corpos indígenas, histórias de seu povo e na (re)conexão com territórios originários por meio da arte. Ao participar do debate da Concertação disse: “Que a Mãe Terra seja reconhecida e declarada como um sujeito de direitos, porque, para nós, a mudança climática nada mais é que um grito de socorro da Terra”.
“Eu posso ser o que você é sem deixar de ser quem eu sou”, frase criada no início da 1980 por um movimento estudantil indígena. As projeções do Festival #Tuaartenarua, de Belém, evocam a sobreposição de modos de vida que podem acontecer nos grupos sociais da Amazônia.
MARÇO, 2021
FEVEREIRO, 2021
Julie Dorrico
Doutoranda em Letras na PUCRS. Autora de “Eu sou macuxi e outras histórias” (publicado pela Editora Caos e Letras, em 2019). Administra a página @leiamulheresindigenas e o canal do YouTube “Literatura Indígena Contemporânea”. Se empenha em difundir a literatura de autoria indígena no Brasil, como pesquisadora e curadora. “Por meio da literatura indigena, a partir da própria enuncianção de alguns nomes, vamos conhecendo alguns povos e as outras línguas indígenas. A literatura também ajuda a conhecer os territórios”
FEVEREIRO, 2021
DEZEMBRO, 2020
Eliakin Rufino
Natural de Boa Vista, Roraima, Eliakin Rufino é poeta, cantor, escritor, professor de filosofia, produtor cultural e jornalista. É um dos integrantes do movimento Roraimeira – expressão cultural amazônica considerada por cientistas sociais como um dos expoentes máximos na construção da identidade roraimense. Eliakin é um artista da palavra!
“Fala-se muito do lugar de fala. Eu, além de lugar de fala, eu tenho a fala do lugar. A Amazônia é minha casa, meu lar, minha origem, meus antepassados e ancestrais. Ainda não há uma escuta da Amazônia e continuamos vivemos essa tentativa de continuar a colonizá-la”
DEZEMBRO, 2020
NOVEMBRO, 2020
Rui Machado
Pintor, compositor e poeta. Foi a primeira participação artística no espaço de diálogo da concertação. Participar deste encontro é uma oportunidade de o Brasil descobrir o Brasil. Sou amazonense, nasci de mãe amazonense de descendência portuguesa, e pai português. Sou um apaoxinado pela Amazônia e sempre a pintei muito antes disso virar modismo. Quando questionado em relação ao seu olhar sobre a Amazônia, a resposta é simples: “quem ama cuida”.
NOVEMBRO, 2020