Exposição
RAONIZANDO AS CIDADES

Raoni Metuktire, único indígena brasileiro indicado ao prêmio Nobel da Paz, foi homenageado por um grupo de 20 organizações da sociedade civil brasileira na semana em que se comemorou cinco décadas da criação do Dia Mundial do Meio Ambiente.  Para isso, 50 cidades brasileiras e no exterior, incluindo as 24 capitais estaduais, receberam lambes de 6 metros quadrados com artes mostrando o líder mebêngôkre.  A Exposição “Raonizando as Cidades” traz alguns registros dessa ação coletiva.

 

Amej bê 1954 kam ne kubē mēbêngôkre krõ. Kam ne bēnjadjwyry Ropni abatàj nyre kam pyka kuni kôt myjja mari mokraj. Kam ne ari kubê Villas Boas kôt kubē kabēn ma ne kam kubē kukràdjà ma. Nhym kam Ropni arym mēbêngôkre kadjy kubē kangõj mokraj.

 

Em português: Em 1954, quando o povo Mẽbêngôkre estabeleceu contato definitivo com os brancos, Cacique Raoni tinha aproximadamente 24 anos e teve um papel fundamental no processo de pacificação e união das diversas aldeias dos povos indígenas. Nesta época, conheceu os irmãos Villas Boas, com quem aprendeu a falar a língua portuguesa e a tomar consciência do mundo não-indígena.

Raonizando: Belém

Negritar Tucunduba

julho, 2022
Raonizando: Belém
Raonizando: Belo Horizonte

Gabriel Nast

julho, 2022
Raonizando: Belo Horizonte
Raonizando: Campo Grande

Fred Diegues

julho, 2022
Raonizando: Campo Grande
Raonizando: Manaus

Jander Manauara

julho, 2022
Raonizando: Manaus
Raonizando: Salvador

Caio Araujo

julho, 2022
Raonizando: Salvador
Raonizando: São Paulo

Gustavo Luizon

julho, 2022
Raonizando: São Paulo

MAPA DAS ARTES

Um mapa vivo e colaborativo de artistas e artes das Amazônias

Karoline
MARCELA BONFIM E A AMAZÔNIA NEGRA
Porto Velho,  
Rondônia
GUSTAVO CABOCO
Curitiba,  
Paraná
Rui Machado
Manaus,  
Amazonas
Thaís Kokama
Manaus,  
Amazonas
JULIE DORRICO
Roraima
Buy Chaves
Manaus,  
Amazonas
Alonso Jr.
Manaus,  
Amazonas
Chermie Ferreira
Manaus,  
Amazonas
ELIAKIN RUFINO
Boa Vista,  
Roraima
Raiz Campos
Amazonas
Antônio II
Manaus,  
Amazonas
Kambô
Belém,  
Pará
Rakel Caminha
Manaus,  
Amazonas
Denilson Baniwa
Rio Negro,  
Amazonas
Paula Sampaio
Belém,  
Pará
Brus Rubio

LINHA DO TEMPO

Rakel Caminha
junho 2022

Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino. Ela esteve conosco na plenária de abril e suas artes voltaram a compor a plenária de setembro.

Karoline
abril 2022

Karoline Barros rabisca desde sempre e é arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP. Atua profissionalmente na transversal entre as artes e as ciências, sempre pautada pelos territórios e suas (r)existências. Natural de Minas Gerais, reside atualmente em Manaus-AM, trabalha na capital e no interior do estado pela Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas. Assumidamente encantada pelo norte brasileiro que tem mergulhado, desenha para si mesma na tentativa de consolidar pensamentos, conhecimentos, imagens e projetos que compõem sua vida profissional e pessoal.

ANTÔNIO II
abril 2022

Com apenas 12 anos, o amazonense Antônio II já é considerado um grande artista. Começou a pintar aos quatro anos, quando conheceu o universo do Festival de Parintins e descobriu seu dom para desenhar. O garoto tem na natureza uma de suas principais inspirações. Segundo ele, suas influências advêm da “natureza, a relação do homem com a Amazônia, questões sociais, a Semana de Arte Moderna de 22, movimentos musicais, como o tropicalismo e outros músicos, cantores e compositores”. Utilizando giz de cera, tinta acrílica, óleo e lápis de cor em suas criações, Antônio é o artista que inspira a identidade visual das redes da Concertação em abril e maio.

RAIZ CAMPOS
fevereiro 2022

“Meu nome é Rai, sou conhecido na cena artística como Raiz, sou um sonhador, mas sou um grafiteiro também, utilizo dessa técnica para expressar minhas ideias”. É assim que se apresenta Raiz Campos, o artista que inspira a identidade visual da Concertação em fevereiro. Nascido na Bahia, Rai Campos Lucena mudou-se com o pai aos três meses de vida para a Vila Pitinga, na Reserva Waimiri Atroari, interior do Amazonas. Decidiu que seria artista ao ver uma revista com grafites e nunca mais parou. Seu trabalho já circulou por diversas cidades brasileiras, sobretudo Manaus, onde estuda artes visuais na Universidade Federal do Amazonas. Sua obra é totalmente inspirada na Amazônia, fonte de inspiração infinita.

ELIAKIN RUFINO
dezembro 2021

Natural de Boa Vista, Roraima, Eliakin Rufino é poeta, cantor, escritor, professor de filosofia, produtor cultural e jornalista. É um dos integrantes do movimento Roraimeira – expressão cultural amazônica considerada por cientistas sociais como um dos expoentes máximos na construção da identidade roraimense. Eliakin é um artista da palavra!


“Fala-se muito do lugar de fala. Eu, além de lugar de fala, eu tenho a fala do lugar. A Amazônia é minha casa, meu lar, minha origem, meus antepassados e ancestrais. Ainda não há uma escuta da Amazônia e continuamos vivemos essa tentativa de continuar a colonizá-la”

DENILSON BANIWA
dezembro 2021

Em dezembro, a identidade visual da Concertação se baseou na série Ficções Coloniais (ou finjam que não estou aqui), do artista-jaguar Denilson Baniwa, da nação Baniwa. Natural do Rio Negro, interior do Amazonas, Denilson expressa em seus trabalhos a vivência enquanto Ser indígena do tempo presente, mesclando referências tradicionais e contemporâneas indígenas e se apropriando de ícones ocidentais para comunicar o pensamento e a luta dos povos originários em diversos suportes e linguagens, como canvas, instalações, meios digitais e performances.

CHERMIE FERREIRA, KAMBÔ, PAULA SAMPAIO, RAKEL CAMINHA E RUI MACHADO
outubro 2021

Cinco artistas contribuíram para compor a identidade visual da Concertação em outubro e novembro: CHERMIE FERREIRA, artista plástica descendente do povo Kokama, que busca incorporar sua origem indígena aos seus trabalhos; KAMBÔ, artista visual que mistura cultura tradicional com tecnologia e apresenta em seu trabalho uma imersão pelas diferentes regiões amazônicas; PAULA SAMPAIO, fotojornalista idealizadora do Rotas que retrata este corpo amazônico, com olhar sensível sobre o cotidiano dos trabalhadores que vivem às margens dos grandes projetos de exploração e das estradas da Amazônia; RAKEL CAMINHA, artista cujas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino na Amazônia; e RUI MACHADO, pintor, compositor e poeta, que vê na Concertação uma oportunidade do Brasil descobrir o Brasil.

RAKEL CAMINHA
setembro 2021

Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino. Ela esteve conosco na plenária de abril e suas artes voltaram a compor a plenária de setembro.

PAULA SAMPAIO
julho 2021

Nasceu em Belo Horizonte. Foi ainda menina para a Amazônia com sua família, e em 1982 escolheu viver e trabalhar em Belém (PA). Durante o curso de Comunicação Social (UFPa), descobriu a fotografia e optou pelo fotojornalismo para retratar o cotidiano de trabalhadores, em sua maioria migrantes, que vivem às margens dos grandes projetos de exploração e em estradas na Amazônia, principalmente nas rodovias Belém-Brasília e Transamazônica. Em seu percurso também recolhe sonhos e histórias de vida das pessoas com as quais se encontra nesses caminhos.

ERYK ROCHA E GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA
junho 2021

Diretores e produtores do filme “A Queda do Céu”, uma obra inspirada livremente no livro homônimo do xamã Davi Kopenawa Yanomami e e do antropólogo francês Bruce Albert. O foco do longa, ainda em fase de edição, é a terceira parte do livro, em que o xamã toma o lugar do antropólogo e diz o que pensa sobre os não-indígenas e sua sociedade. 

As falas captadas de Davi Kopenawa e Salomé Yanomami soam como diagnóstico, alerta e convite. Para que voltemos nossas atenções às doenças que são trazidas e são criadas a partir da relação predatória com a natureza e para um outro modo possível de proceder.

BRUS RUBIO
junho 2021

Descendente dos povos originais Huitoto e Bora da Amazônia peruana. Sua arte busca retratar a conexão do homem com a natureza. Seu trabalho, de uma alegria cósmica, tem inspiração no seu imaginário, história e ancestralidade. Algumas de suas obras foram exibidas durante a 5ª plenária de Uma Concertação pela Amazônia.

MARCELA BONFIM E A AMAZÔNIA NEGRA
maio 2021

Marcela atua como fotógrafa e artista visual em Porto Velho, Rondônia. Mulher negra, dedica-se ao projeto (Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta, no campo da antropologia visual, que versa sobre a constituição e memória da população negra brasileira na região amazônica. Explica que, antes de chegar a Rondônia, em 2010, seu imaginário sobre a Amazônia se restringia à “natureza selvagem, ao índio, ao nada”. No entanto, segundo ela, foi na Amazônia que iniciou um processo de tomada de consciência sobre a própria identidade.

RAKEL CAMINHA
abril 2021

Rakel Caminha é uma artista manauara e suas criações falam sobre questões sociais, ecológicas e pertinentes ao universo feminino e é dela a arte da capa do single Hutukara, da banda amazonense Marambaya, que abriu a plenária na qual participou. Hutukara significa “a parte do céu da qual nasceu a terra” e exprime uma parte da cosmovisão dos povos da floresta. “Hutukara é como se fosse um corpo onde todo mundo vive, não existe o ‘fora’ – tudo é troca, e precisamos trocar com a natureza. Da mesma forma, a Amazônia é reflexo do que são as pessoas que vivem nela, as várias culturas interligadas, ao mesmo tempo que ela é global”, explica a artista.

GUSTAVO CABOCO
março 2021

Artista Wapichana nascido em Curitiba, cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a família e a paisagem ancestral do lavrado roraimense. Em seu trabalho, reflete sobre os deslocamentos dos corpos indígenas, histórias de seu povo e na (re)conexão com territórios originários por meio da arte. Ao participar do debate da Concertação disse: “Que a Mãe Terra seja reconhecida e declarada como um sujeito de direitos, porque, para nós, a mudança climática nada mais é que um grito de socorro da Terra”.


“Eu posso ser o que você é sem deixar de ser quem eu sou”, frase criada no início da 1980 por um movimento estudantil indígena. As projeções do Festival #Tuaartenarua, de Belém, evocam a sobreposição de modos de vida que podem acontecer nos grupos sociais da Amazônia.

JULIE DORRICO
fevereiro 2021

Doutoranda em Letras na PUCRS. Autora de “Eu sou macuxi e outras histórias” (publicado pela Editora Caos e Letras, em 2019). Administra a página @leiamulheresindigenas e o canal do YouTube “Literatura Indígena Contemporânea”. Se empenha em difundir a literatura de autoria indígena no Brasil, como pesquisadora e curadora. “Por meio da literatura indigena, a partir da própria enuncianção de alguns nomes, vamos conhecendo alguns povos e as outras línguas indígenas. A literatura também ajuda a conhecer os territórios”

RUI MACHADO
novembro 2020

Pintor, compositor e poeta. Foi a primeira participação artística no espaço de diálogo da concertação.

Participar deste encontro é uma oportunidade de o Brasil descobrir o Brasil. Sou amazonense, nasci de mãe amazonense de descendência portuguesa, e pai português. Sou um apaoxinado pela Amazônia e sempre a pintei muito antes disso virar modismo.

Quando questionado em relação ao seu olhar sobre a Amazônia, a resposta é simples: “quem ama cuida”.