{"id":95563,"date":"2026-08-24T20:37:47","date_gmt":"2026-08-24T23:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacao.bureau-it.com\/?p=95563"},"modified":"2026-08-24T20:37:47","modified_gmt":"2026-08-24T23:37:47","slug":"mel-da-pedreira-como-a-sociobioeconomia-contribuiu-para-recuperar-a-biodiversidade-de-um-quilombo-no-amapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/blog\/mel-da-pedreira-como-a-sociobioeconomia-contribuiu-para-recuperar-a-biodiversidade-de-um-quilombo-no-amapa\/","title":{"rendered":"Mel da Pedreira: como a sociobioeconomia contribuiu para recuperar a biodiversidade de um quilombo no Amap\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>No Quilombo Mel da Pedreira, no Amap\u00e1, a cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas sem ferr\u00e3o se tornou uma atividade de gera\u00e7\u00e3o de renda e uma estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Ao valorizar uma esp\u00e9cie presente no territ\u00f3rio, a comunidade passou a fortalecer tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es ambientais das quais a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o depende.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\" style=\"margin-top:2rem;margin-bottom:2rem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-2--1024x473.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-95564\" style=\"width:600px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na zona rural do munic\u00edpio de Macap\u00e1 e Mazag\u00e3o, o cerrado amapaense se mistura a \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o em regenera\u00e7\u00e3o. Entre \u00e1rvores jovens, est\u00e3o as caixas de madeira onde vivem as abelhas nativas manejadas pela comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade come\u00e7ou em 2006, quando a biodiversidade do territ\u00f3rio j\u00e1 havia sido profundamente afetada. A vegeta\u00e7\u00e3o nativa havia diminu\u00eddo e as abelhas que d\u00e3o nome ao quilombo estavam quase desaparecendo da regi\u00e3o. A partir da meliponicultura, a comunidade passou a recuperar \u00e1reas degradadas, ampliar o n\u00famero de col\u00f4nias e criar uma atividade produtiva associada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 duas d\u00e9cadas, esse trabalho vem articulando gera\u00e7\u00e3o de renda, conhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Para <strong>Elizeu Cirilo Sousa<\/strong>, filho do patriarca que fundou o quilombo em 1954 e uma das lideran\u00e7as dessa trajet\u00f3ria, a mudan\u00e7a tamb\u00e9m transformou a rela\u00e7\u00e3o da comunidade com o lugar onde vive:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAprendemos a cuidar depois que entendemos o valor para n\u00f3s e para o mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia do Mel da Pedreira mostra uma dimens\u00e3o da sociobioeconomia amaz\u00f4nica em que <strong>gerar valor a partir da biodiversidade e conservar as condi\u00e7\u00f5es que a sustentam fazem parte da mesma estrat\u00e9gia territorial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando produzir passa a depender da biodiversidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para entender essa trajet\u00f3ria, \u00e9 preciso voltar a 2006. Naquele per\u00edodo, a \u00e1rea do quilombo havia perdido grande parte da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e das abelhas da regi\u00e3o. A savana amapaense, ambiente favor\u00e1vel ao manejo de algumas dessas esp\u00e9cies, tamb\u00e9m sofria com inc\u00eandios recorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse contexto que a comunidade iniciou um projeto de meliponicultura em parceria com o <strong>Conselho das Comunidades Afrodescendentes do Amap\u00e1 &#8211; CCADA, Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio &#8211; MDA, e na sequ\u00eancia o Conselho Nacional das Popula\u00e7\u00f5es Extrativistas (CNS)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade criou uma rela\u00e7\u00e3o direta entre produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o. Para criar abelhas nativas e produzir mel, \u00e9 necess\u00e1rio garantir alimento e abrigo para as col\u00f4nias. Isso significa manter \u00e1rvores, flores e outros elementos da vegeta\u00e7\u00e3o dos quais as abelhas dependem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade passou a recuperar \u00e1reas degradadas por meio do plantio e da regenera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. As caixas de abelhas foram instaladas no territ\u00f3rio e o manejo passou a integrar uma estrat\u00e9gia mais ampla de valoriza\u00e7\u00e3o da biodiversidade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente da apicultura, que utiliza abelhas com ferr\u00e3o, a <strong>meliponicultura<\/strong> trabalha com esp\u00e9cies nativas sem ferr\u00e3o. No Mel da Pedreira, essa atividade combina conhecimentos constru\u00eddos pela comunidade com acompanhamento t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo \u00e9 acompanhado pelo bi\u00f3logo <strong>Richardson Ferreira Fraz\u00e3o<\/strong>, socioapid\u00f3logo associado ao Instituto de Pesquisas Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas do Amap\u00e1 (IEPA), que atua na dissemina\u00e7\u00e3o da meliponicultura entre comunidades quilombolas do estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia mostra que o valor econ\u00f4mico de uma esp\u00e9cie n\u00e3o est\u00e1 apenas no produto que dela se obt\u00e9m. As abelhas tamb\u00e9m desempenham fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas essenciais, especialmente a poliniza\u00e7\u00e3o, conectando a atividade produtiva a outros componentes da biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>As abelhas e as rela\u00e7\u00f5es que sustentam o territ\u00f3rio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas esp\u00e9cies de <strong>Melipona<\/strong> est\u00e3o no centro do manejo desenvolvido no quilombo: Melipona compressipes, conhecida localmente como ti\u00faba; Melipona fasciculata; e Melipona fulva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas ocorrem naturalmente em ambientes do Amap\u00e1 e s\u00e3o manejadas pelas comunidades a partir das caracter\u00edsticas de cada esp\u00e9cie e do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ti\u00faba (<\/strong><strong><em>Melipona compressipes<\/em><\/strong><strong>)<\/strong><strong><br><\/strong>Conhecida tamb\u00e9m como ti\u00faba rosilha, uru\u00e7u cinzenta ou uru\u00e7u, ocorre nas florestas e savanas do Amap\u00e1. Em melgueiras grandes, a <a href=\"https:\/\/nectarconsultorianaamazonia.org\/conheca-as-principais-racas-de-abelhas-sem-ferrao-melipona-manejadas-via-meliponicultura-no-estado-do-amapa\/\">experi\u00eancia com comunidades quilombolas aponta<\/a> produ\u00e7\u00e3o anual de at\u00e9 7 kg de mel por colmeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Melipona fasciculata<\/em><\/strong><strong><br><\/strong>Esp\u00e9cie de interesse para o manejo no Amap\u00e1, tamb\u00e9m \u00e9 cultivada por comunidades do Arquip\u00e9lago do Bailique, em Macap\u00e1. Em colmeias racionais, a estimativa \u00e9 de ao menos <a href=\"https:\/\/nectarconsultorianaamazonia.org\/conheca-as-principais-racas-de-abelhas-sem-ferrao-melipona-manejadas-via-meliponicultura-no-estado-do-amapa\/\">5 kg de mel ao ano<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Melipona fulva<\/em><\/strong><strong><br><\/strong>Ocorre em florestas e savanas do Amap\u00e1 e, no cerrado, pode ser encontrada nidificando na mameira (Vitex sp.). O ambiente de savana \u00e9 favor\u00e1vel ao seu manejo, mas tamb\u00e9m est\u00e1 entre os mais vulner\u00e1veis aos inc\u00eandios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fun\u00e7\u00e3o das abelhas, entretanto, ultrapassa a produ\u00e7\u00e3o de mel. Ao transportar p\u00f3len entre flores, elas participam da reprodu\u00e7\u00e3o de diferentes esp\u00e9cies vegetais e ajudam a sustentar processos ecol\u00f3gicos dos quais outras atividades produtivas tamb\u00e9m dependem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/81767742\/floresta-conservada-aumenta-em-cinco-vezes-a-produtividade-de-acai-de-terra-firme\">Pesquisas sobre poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas nativas na Amaz\u00f4nia<\/a> apontam, inclusive, impactos sobre a produtividade de culturas como o a\u00e7a\u00ed. Segundo a Embrapa, as abelhas manejadas contribuem para aumentar em 30% o n\u00famero total de visitas ao a\u00e7a\u00ed. <a href=\"https:\/\/abelha.org.br\/acai-floresta-contribui-com-presenca-de-polinizadores-e-producao-de-frutos\/\">Um estudo anterior<\/a> indica que a diversidade de insetos polinizadores pode responder por um acr\u00e9scimo de at\u00e9 25% na produ\u00e7\u00e3o de frutos de a\u00e7a\u00ed por planta. Nesse sentido, a meliponicultura evidencia uma caracter\u00edstica importante da sociobiodiversidade: <strong>um mesmo elemento do territ\u00f3rio pode gerar valor econ\u00f4mico e, ao mesmo tempo, desempenhar fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas fundamentais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conhecimento local, renda e protagonismo das mulheres<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\" style=\"margin-top:2rem;margin-bottom:2rem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-1-1-1024x473.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-95567\" style=\"width:600px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade veio acompanhada da organiza\u00e7\u00e3o de uma atividade econ\u00f4mica comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 organizada pela <strong>Cooperativa Quilombo Alimento<\/strong>, respons\u00e1vel pela gest\u00e3o dos recursos e pelo escoamento do mel, comercializado com a marca <a href=\"https:\/\/nectardaamazonia.com.br\/loja\/\"><strong>Mel do Quilombo<\/strong><\/a>, da associa\u00e7\u00e3o local, Associa\u00e7\u00e3o de Moradores Remanescentes de Quilombolas do Mel da Pedreira (AMORQUIMP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, 25 fam\u00edlias trabalham diretamente nos melipon\u00e1rios, enquanto o conjunto da atividade re\u00fane 72 produtores, em sua maioria mulheres. Elas participam de diferentes etapas da cadeia, do manejo \u00e0 colheita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o varia de acordo com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a ocorr\u00eancia de inc\u00eandios. Em 2025, foram produzidos 4.600 potes de mel, distribu\u00eddos pelo Banco do Brasil durante a COP30. A atividade tamb\u00e9m conta com apoio do programa <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdr\/pt-br\/assuntos\/desenvolvimento-regional\/rotas-de-integracao-nacional\/rota-do-mel-1\"><strong>Rota do Mel<\/strong><\/a>, do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional &#8211; MIDR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade j\u00e1 \u00e9 reconhecida como agroind\u00fastria pela <strong>DIAGRO<\/strong> (Ag\u00eancia de Defesa e Inspe\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria do Estado do Amap\u00e1) e possui selo <strong>SIE-AP<\/strong> (Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Estadual do Amap\u00e1), que permite a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos em todo o territ\u00f3rio do estado. A obten\u00e7\u00e3o do <strong>Selo de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF)<\/strong> \u00e9 um dos pr\u00f3ximos passos para ampliar as possibilidades de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade produtiva convive ainda com outras dimens\u00f5es da identidade do quilombo. Majoritariamente evang\u00e9lica, a comunidade mant\u00e9m refer\u00eancias da cultura negra, entre elas a tradi\u00e7\u00e3o dos tambores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>De uma comunidade a uma rede territorial<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alcance da experi\u00eancia n\u00e3o se limita ao Mel da Pedreira. A comunidade funciona como uma refer\u00eancia para uma rede formada por <strong>15 comunidades quilombolas produtoras de mel no Amap\u00e1<\/strong>, que re\u00fanem cerca de 3 mil colmeias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa articula\u00e7\u00e3o amplia a capacidade de troca de conhecimentos, organiza\u00e7\u00e3o produtiva e acesso a mercados. O que come\u00e7ou como uma experi\u00eancia localizada passou a integrar uma rede territorial de comunidades que trabalham com a mesma atividade e enfrentam desafios semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria do quilombo tamb\u00e9m se conecta a outras dimens\u00f5es da qualidade de vida. Titulada em 2007, a comunidade \u00e9 atendida pelo <strong>Sanear Amaz\u00f4nia<\/strong>, programa apoiado pelo Conselho Nacional de Saneamento (CONSANE) que utiliza tecnologias sociais para ampliar o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao saneamento em territ\u00f3rios de popula\u00e7\u00f5es tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia evidencia que as condi\u00e7\u00f5es para gerar prosperidade nos territ\u00f3rios n\u00e3o dependem de uma \u00fanica atividade. Educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura, organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, acesso a mercados, biodiversidade e qualidade de vida precisam ser consideradas de forma articulada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Agregar valor \u00e0 biodiversidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\" style=\"margin-top:2rem;margin-bottom:2rem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"473\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-3-1024x473.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-95565\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-3-1024x473.jpg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-3-300x139.jpg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-3-768x355.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-3-1536x710.jpg 1536w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo passo planejado pela comunidade s\u00e3o as atividades da rec\u00e9m-inaugurada <strong>bioind\u00fastria para beneficiamento do mel<\/strong>, ampliando a capacidade de processamento e agrega\u00e7\u00e3o de valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m est\u00e3o previstos novos produtos, entre eles o Bion\u00e9ctar Juice, al\u00e9m da busca pelo SIF e da amplia\u00e7\u00e3o dos mercados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas iniciativas apontam para uma quest\u00e3o central da sociobioeconomia amaz\u00f4nica: <strong>produzir a partir da biodiversidade exige condi\u00e7\u00f5es para que conhecimento, processamento, renda e valor permane\u00e7am nos territ\u00f3rios.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Mel da Pedreira, essa constru\u00e7\u00e3o parte de uma atividade diretamente relacionada \u00e0 biodiversidade local e envolve organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, conhecimento t\u00e9cnico, recupera\u00e7\u00e3o ambiental e busca por novos mercados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Biodiversidade como vetor de prosperidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia do Quilombo Mel da Pedreira dialoga com uma das mensagens centrais da <a href=\"https:\/\/www.concertacaoamazonia.com.br\/rota26-30\/\"><strong>Rota 26\u201330<\/strong><\/a>: a biodiversidade das Amaz\u00f4nias pode contribuir para a diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil quando conhecimento, inova\u00e7\u00e3o, instrumentos financeiros, mercados e capacidades territoriais s\u00e3o articulados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e ao uso sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso tamb\u00e9m mostra que esse potencial n\u00e3o precisa ser constru\u00eddo a partir de solu\u00e7\u00f5es externas aos territ\u00f3rios. A comunidade identificou uma atividade associada \u00e0s esp\u00e9cies nativas presentes em seu entorno, organizou uma cadeia produtiva e passou a investir na recupera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas necess\u00e1rias para mant\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia n\u00e3o elimina os desafios. Inc\u00eandios, log\u00edstica, necessidade de infraestrutura e acesso a certifica\u00e7\u00f5es ainda limitam a expans\u00e3o da atividade. Mas mostra uma possibilidade concreta: <strong>quando a biodiversidade \u00e9 reconhecida como patrim\u00f4nio ecol\u00f3gico e econ\u00f4mico, conservar seus ciclos e rela\u00e7\u00f5es pode fazer parte da pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de gera\u00e7\u00e3o de renda e fortalecimento territorial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Mel da Pedreira, as abelhas s\u00e3o fonte de mel, renda e conhecimento. Elas tamb\u00e9m ajudam a revelar a complexidade de um territ\u00f3rio em que biodiversidade e vida comunit\u00e1ria est\u00e3o profundamente conectadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Meliponicultura em n\u00fameros | Mel da Pedreira<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>20 anos<\/em><\/strong><em> de manejo de abelhas nativas<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>3 esp\u00e9cies<\/em><\/strong><em> de Melipona manejadas<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>72 produtores<\/em><\/strong><em>, a maioria mulheres<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>25 fam\u00edlias<\/em><\/strong><em> trabalham diretamente nos melipon\u00e1rios<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>4.600 potes<\/em><\/strong><em> de mel produzidos em 2025<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>15 comunidades quilombolas<\/em><\/strong><em> produtoras de mel no Amap\u00e1<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>Cerca de 3 mil colmeias<\/em><\/strong><em> na rede territorial<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>2007:<\/em><\/strong><em> ano da titula\u00e7\u00e3o da comunidade como quilombola<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\" style=\"margin-top:2rem;margin-bottom:2rem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-4-1-1024x473.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-95566\" style=\"width:600px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Reportagem realizada em agosto de 2026 durante o 3\u00ba Encontro da Rede Conex\u00e3o Povos da Floresta.<\/em><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Quilombo Mel da Pedreira, no Amap\u00e1, a cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas sem ferr\u00e3o se tornou uma atividade de gera\u00e7\u00e3o de renda e uma estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade. 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