{"id":91946,"date":"2026-04-09T02:54:18","date_gmt":"2026-04-09T05:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/plenaria\/prioridades-para-as-amazonias-2\/"},"modified":"2026-04-09T02:54:18","modified_gmt":"2026-04-09T05:54:18","slug":"prioridades-para-as-amazonias-2","status":"publish","type":"plenarias","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/plenaria\/prioridades-para-as-amazonias-2\/","title":{"rendered":"Prioridades para as Amaz\u00f4nias"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"91946\" class=\"elementor elementor-91946 elementor-91418\" data-elementor-post-type=\"plenarias\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a8dec68 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"a8dec68\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0322be2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0322be2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Com a iniciativa<\/em>\u00a0<em>Rota 26-30, a rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia re\u00fane<\/em>\u00a0<em>propostas concretas e territorialmente conectadas \u00e0 regi\u00e3o para orientar\u00a0<a class=\"google-anno\" href=\"https:\/\/pagina22.com.br\/2026\/03\/13\/prioridades-para-as-amazonias\/#\" data-google-vignette=\"false\" data-google-interstitial=\"false\">\u00a0<span class=\"google-anno-t\">pol\u00edticas<\/span><\/a>\u00a0p\u00fablicas e iniciativas privadas nos pr\u00f3ximos anos. No tema de florestas, assunto da primeira plen\u00e1ria do ano, a restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 apontada como elemento fundamental para recuperar \u00e1reas degradadas, reconectar paisagens e restabelecer fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas<\/em><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e8f168d elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"e8f168d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<p class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><i>Por Magali Cabral<\/i><\/p>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ccde4c5 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"ccde4c5\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2d61bda e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"2d61bda\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e1cc89d elementor-drop-cap-yes elementor-drop-cap-view-default elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e1cc89d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;drop_cap&quot;:&quot;yes&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"has-drop-cap\">Aemba\u00faba (<em>Cecropia pachystachya<\/em>) est\u00e1 entre as primeiras esp\u00e9cies que brotam em um solo desmatado e castigado pelo sol. Suas folhas sombreiam o ch\u00e3o e seus frutos atraem polinizadores \u2013 macacos, p\u00e1ssaros, pregui\u00e7as, formigas trazem sementes de a\u00e7aizeiros, buritizeiros, anon\u00e1ceas, tucumazeiros, castanheiras. Do c\u00e9u v\u00eam as \u00e1guas que devolvem frescor \u00e0 terra, criando as condi\u00e7\u00f5es para que a vida volte a pulsar. \u00c9 como uma grande orquestra. O maestro chama o primeiro instrumento, que abre caminho para outros instrumentos e logo estamos imersos em uma grande concerta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p><p>As palavras da artista pl\u00e1stica manauara Hadna Abreu acompanham a aquarela que pintou inspirada no tema da restaura\u00e7\u00e3o florestal. A obra marcou, de um jeito sens\u00edvel, a abertura da primeira plen\u00e1ria de 2026 da rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia.<\/p><p>O encontro \u201cFlorestas: Prioridades para as Amaz\u00f4nias\u201d, realizado em 9 de mar\u00e7o com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 150 pessoas online, faz parte dos processos da\u00a0<a href=\"https:\/\/rota26-30.concertacaoamazonia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rota 26-30<\/a>, que organiza\u00a0propostas concretas para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas e iniciativas privadas nos pr\u00f3ximos\u00a0anos. Cinco temas s\u00e3o definidos como priorit\u00e1rios para esse ciclo:\u00a0florestas, seguran\u00e7a energ\u00e9tica, cidades resilientes, comida e biodiversidade.<\/p><p>Conduzida pelas secret\u00e1rias-executivas da Concerta\u00e7\u00e3o, Fernanda Renn\u00f3 e Joanna Martins, a plen\u00e1ria aponta o tema da\u00a0restaura\u00e7\u00e3o florestal como \u201cum elemento central para recuperar \u00e1reas degradadas, reconectar paisagens e restabelecer fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas\u201d (<em>leia mais sobre restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica em quadro abaixo<\/em>).<\/p><p>As monumentais\u00a0<a href=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/galeria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">paisagens<\/a> florestais pintadas pelo artista mato-grossense Miguel Penha Chiquitano e exibidas durante o evento representam muito mais do que cen\u00e1rios. Elas evocam um ambiente sens\u00edvel que envolve corpo e percep\u00e7\u00e3o, criando a sensa\u00e7\u00e3o de estar na floresta. Nesse sentido, suas pinturas dialogam com a ideia de restaura\u00e7\u00e3o florestal. Regenerar uma floresta n\u00e3o significa apenas recuperar cobertura vegetal, mas recriar condi\u00e7\u00f5es para que presen\u00e7as complexas voltem a habit\u00e1-la.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ddaf77d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ddaf77d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Ao abrir o debate, o cofundador do Imazon e enviado especial de Florestas para a COP 30, Beto Ver\u00edssimo, observa que o Brasil tem obtido avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento por meio de pol\u00edticas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle, mas ainda enfrenta dificuldades para estruturar uma\u00a0\u00a0<span class=\"google-anno-t\">economia<\/span>\u00a0que valorize a floresta viva.<\/p><p>Segundo ele, quando h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas favor\u00e1veis \u2013 como no momento atual, sob a lideran\u00e7a da ministra do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, Marina Silva \u2013, os instrumentos de monitoramento e fiscaliza\u00e7\u00e3o do Estado mostram efic\u00e1cia no combate ao desmatamento.<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ainda assim, Ver\u00edssimo avalia que o Pa\u00eds se sai melhor \u201cna defesa\u201d do que \u201cno ataque\u201d. Na met\u00e1fora futebol\u00edstica, a defesa representa as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o territorial, enquanto o ataque seria a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas j\u00e1 desmatadas e sua transforma\u00e7\u00e3o em \u00e1reas restauradas ou reflorestadas. \u201cTemos algumas iniciativas, mas ainda muito poucas diante da escala do desafio\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote><p>Ver\u00edssimo acrescenta que h\u00e1 grande produ\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos, propostas e di\u00e1logos qualificados no \u201cmeio de campo\u201d, mas muita dificuldade em transformar esse planejamento em implementa\u00e7\u00e3o. Entre as raz\u00f5es disso est\u00e3o as sucessivas derrotas da agenda ambiental no campo\u00a0\u00a0<span class=\"google-anno-t\">pol\u00edtico<\/span>. \u201cO n\u00famero de parlamentares comprometidos com a conserva\u00e7\u00e3o da floresta eleitos pela Amaz\u00f4nia diminuiu muito nos \u00faltimos dez anos\u201d, lamenta.<\/p><p>Segundo ele, outros desafios \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica est\u00e3o no campo fundi\u00e1rio, em um marco regulat\u00f3rio pouco favor\u00e1vel e no fato de que o cr\u00e9dito rural siga financiando atividades associadas ao desmatamento na regi\u00e3o, especialmente a pecu\u00e1ria. \u201cApesar de d\u00e9cadas de cr\u00edticas ao modelo de financiamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e do Banco da Amaz\u00f4nia, o cr\u00e9dito subsidiado continua majoritariamente direcionado para a pecu\u00e1ria\u201d, pontua.<\/p><p>Quanto a mecanismos internacionais de financiamento, como o Redd+ e o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), ele acredita que, embora muito importantes, ainda sejam insuficientes para garantir o valor\u00a0\u00a0<span class=\"google-anno-t\">econ\u00f4mico<\/span>\u00a0da floresta viva.<\/p><p>O diretor de Concess\u00e3o Florestal e Monitoramento do Servi\u00e7o Florestal Brasileiro, Renato Rosenberg, adiciona mais um ponto \u00e0s lacunas nas pol\u00edticas voltadas \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica como oportunidade de desenvolver economias baseadas na natureza. Ele lembra que os programas de concess\u00f5es florestais no Brasil foram criados em 2006 com previs\u00e3o de abranger cerca de\u00a020 milh\u00f5es de hectares.<\/p><p>Embora bem estruturadas do ponto de vista ambiental, social e econ\u00f4mico, as concess\u00f5es enfrentam dificuldades para alcan\u00e7ar essa escala. \u201cVinte anos depois, o Pa\u00eds conta com\u00a0aproximadamente 1,6 milh\u00e3o de hectares concedidos\u201d, informa.<\/p><p>Rosemberg explica que a pol\u00edtica de concess\u00f5es florestais busca conciliar explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e conserva\u00e7\u00e3o. Em \u00e1reas p\u00fablicas dentro de\u00a0unidades de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel\u00a0s\u00e3o feitos estudos t\u00e9cnicos, econ\u00f4micos e sociais antes das licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e transparentes. As empresas vencedoras podem explorar recursos florestais de forma controlada, principalmente madeira, respeitando limites rigorosos de manejo. \u201cEm termos simplificados, o concession\u00e1rio pode explorar cerca de cinco \u00e1rvores por hectare a cada 30 anos\u201d, explica.<\/p><p>Ainda de acordo com o gestor do Servi\u00e7o Florestal, imagens de sat\u00e9lite demonstram que, poucos anos ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o, a floresta concedida apresenta r\u00e1pida regenera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a de empresas operando legalmente nessas \u00e1reas, combinada com o monitoramento do poder p\u00fablico, tem ajudado a reduzir atividades ilegais.<\/p><p>Atualmente, os esfor\u00e7os para novas concess\u00f5es est\u00e3o concentrados no\u00a0sul do Amazonas, regi\u00e3o considerada estrat\u00e9gica para conter o avan\u00e7o do chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/pagina22.com.br\/tag\/arco-do-desmatamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arco do Desmatamento<\/a>, que inclui tamb\u00e9m \u00e1reas do Par\u00e1, Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Acre.<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Al\u00e9m das concess\u00f5es de manejo florestal, Rosenberg anunciou que o governo prepara a\u00a0primeira concess\u00e3o voltada \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. \u201cO modelo prev\u00ea que empresas privadas assumam a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e obtenham retorno financeiro por meio da venda de cr\u00e9ditos de carbono\u201d, revela.<\/p><\/blockquote><p>O primeiro leil\u00e3o desse tipo est\u00e1 previsto para acontecer neste\u00a0m\u00eas de mar\u00e7o, envolvendo uma \u00e1rea de\u00a015 mil hectares degradados na Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rond\u00f4nia. O concession\u00e1rio ficar\u00e1 respons\u00e1vel tamb\u00e9m pela conserva\u00e7\u00e3o de outros\u00a085 mil hectares de floresta preservada. Segundo Rosenberg, parte da receita obtida no leil\u00e3o ser\u00e1 destinada a um fundo administrado pelo Conselho da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, que decidir\u00e1 sobre investimentos em prote\u00e7\u00e3o ambiental, atividades produtivas e desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p><p>Em sua opini\u00e3o, apesar das dificuldades, a\u00a0\u00a0<span class=\"google-anno-t\">pol\u00edtica<\/span>\u00a0de concess\u00f5es florestais tem potencial para se tornar um dos principais instrumentos de conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel na Amaz\u00f4nia.<\/p><p><strong>Governan\u00e7a territorial e valida\u00e7\u00e3o do CAR<\/strong><\/p><p>Para o advogado e ex-prefeito de Paragominas (PA), Adnan Demachki, o fortalecimento da governan\u00e7a territorial nos munic\u00edpios e a valida\u00e7\u00e3o do Cadastro Ambiental Rural (CAR) tamb\u00e9m s\u00e3o meios eficazes para ampliar a prote\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia. Em defesa dessa tese, ele cita a transforma\u00e7\u00e3o ocorrida em Paragominas nos \u00faltimos 18 anos.<\/p><p>O processo teve in\u00edcio em 2008, com o lan\u00e7amento do\u00a0<a href=\"https:\/\/paragominas.pa.gov.br\/o-municipio\/sobre-o-municipio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Munic\u00edpio Verde<\/a>, que reuniu a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental, monitoramento municipal do desmatamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o local. Dois fatores, por\u00e9m, foram decisivos para os resultados obtidos:\u00a0a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental das propriedades rurais e a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p><p>\u201cQuando come\u00e7amos o projeto, priorizamos o CAR. Em 2010, dois anos depois do in\u00edcio da iniciativa, j\u00e1 t\u00ednhamos 80% do territ\u00f3rio municipal cadastrado, antes mesmo de o CAR se tornar obrigat\u00f3rio no pa\u00eds com o C\u00f3digo Florestal de 2012\u201d, lembra. Atualmente,\u00a0mais de 40% de todo o territ\u00f3rio j\u00e1 possui CAR validado, o equivalente a cerca de\u00a0800 mil hectares\u00a0dos quase 2 milh\u00f5es de hectares que comp\u00f5em o munic\u00edpio.<\/p><p>Al\u00e9m de promover o cadastro das propriedades, o munic\u00edpio tamb\u00e9m passou a analisar e a validar os registros, o que permitiu identificar passivos ambientais e iniciar processos de recupera\u00e7\u00e3o. De acordo com o levantamento municipal, as propriedades analisadas apresentam\u00a015,7 mil hectares de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) degradadas, que passaram a integrar programas de recomposi\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p><p>A iniciativa tamb\u00e9m revelou a exist\u00eancia de ativos florestais nas propriedades. Segundo Demachki, parte das \u00e1reas analisadas possui\u00a0cerca de 174 mil hectares de excedente de reserva legal, acima do m\u00ednimo exigido pela legisla\u00e7\u00e3o, enquanto outras apresentam\u00a0118 mil hectares de d\u00e9ficit.<\/p><p>Esse cen\u00e1rio permitiu a cria\u00e7\u00e3o de um mercado local de compensa\u00e7\u00e3o ambiental. Propriet\u00e1rios com excedente de vegeta\u00e7\u00e3o passaram a negociar a compensa\u00e7\u00e3o com aqueles que possuem d\u00e9ficit de reserva legal. Segundo o ex-prefeito, o valor dessa compensa\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio gira atualmente entre\u00a0duas e 2,7 sacas de soja por hectare ao ano, o que corresponde a cerca de\u00a0R$ 250 a R$ 300 por hectare.<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEm vez de solicitar autoriza\u00e7\u00e3o para desmatar o excedente, muitos produtores preferiram manter a floresta e transform\u00e1-la em ativo econ\u00f4mico\u201d, conta Demackhi. Ou seja, ap\u00f3s descontar as \u00e1reas compensadas, Paragominas ainda apresenta um saldo positivo de\u00a056 mil hectares de floresta protegida, resultado do mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p><\/blockquote><p>Em 2008, 64% do territ\u00f3rio de Paragominas era coberto por florestas prim\u00e1rias ou secund\u00e1rias, muitas delas degradadas por queimadas e extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira. Em 2023, a cobertura florestal subiu para\u00a068 %, com melhora na qualidade das \u00e1reas, segundo o ex-prefeito. Parte das florestas secund\u00e1rias degradadas passou a se regenerar ap\u00f3s o controle de queimadas e da explora\u00e7\u00e3o ilegal.<\/p><p>\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas um aumento de \u00e1rea. Houve tamb\u00e9m melhora na qualidade da floresta. A fauna voltou a aparecer e a popula\u00e7\u00e3o passou a perceber isso no dia a dia\u201d, afirma.<\/p><p>Outro avan\u00e7o apontado foi o crescimento das planta\u00e7\u00f5es comerciais de \u00e1rvores. Em 2008, Paragominas tinha\u00a04.781 hectares de florestas plantadas, principalmente de eucalipto e paric\u00e1. Em 2022, a \u00e1rea chegou a\u00a040.528 hectares, dez vezes mais. A produ\u00e7\u00e3o abastece a \u00fanica f\u00e1brica de MDF da Amaz\u00f4nia instalada no munic\u00edpio, que gera mais de mil empregos e substitui parte do antigo modelo baseado em serrarias de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria.<\/p><p>Ao explicar o motivo do uso de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas como o eucalipto em projetos de reflorestamento na Amaz\u00f4nia, Demachki lembra que Paragominas j\u00e1 teve cerca de uma centena de serrarias que exploravam madeira da floresta nativa, muitas vezes de forma predat\u00f3ria. Segundo ele, o combate ao desmatamento precisa vir acompanhado de\u00a0alternativas econ\u00f4micas. \u201cN\u00e3o se combate desmatamento apenas com comando e controle, mas tamb\u00e9m com gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d, afirma.<\/p><p>Parte dos empregos antes ligados \u00e0s antigas serrarias foi substitu\u00edda por atividades industriais, como a\u00a0f\u00e1brica de MDF. Mas Demachki afirma que a\u00a0bioeconomia da floresta\u00a0come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o na regi\u00e3o, ainda que de forma incipiente, com iniciativas como o cultivo de cacau e a\u00e7a\u00ed.<\/p><p><strong>Saber tradicional e\u00a0\u00a0<span class=\"google-anno-t\">ci\u00eancia<\/span>\u00a0e financiamento<\/strong><\/p><p>A prote\u00e7\u00e3o das florestas e o enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia passam necessariamente pelo reconhecimento do papel dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, assim como pela inclus\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es\u00a0nas\u00a0\u00a0<span class=\"google-anno-t\">pol\u00edticas<\/span>\u00a0p\u00fablicas e nos mecanismos de financiamento clim\u00e1tico.<\/p><p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Sin\u00e9ia do Vale, lideran\u00e7a do povo Wapixana, coordenadora do Departamento de Gest\u00e3o Territorial, Ambiental e de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do Conselho Ind\u00edgena de Roraima (CIR) e enviada especial de Povos Ind\u00edgenas para a COP 30. \u201c\u00c9 como em um concerto. V\u00e1rios instrumentos precisam tocar juntos para que possamos construir solu\u00e7\u00f5es.\u201d\u00a0<\/p><div class=\"google-anno-skip google-anno-sc\" tabindex=\"0\" role=\"link\" aria-label=\"Silvicultura\" data-google-vignette=\"false\" data-google-interstitial=\"false\">Silvicultura<\/div><p>Nesse contexto, a l\u00edder ind\u00edgena chama a aten\u00e7\u00e3o para um risco que vai al\u00e9m do avan\u00e7o do desmatamento. Mesmo que a derrubada de florestas n\u00e3o aumente significativamente, a crise clim\u00e1tica pode levar a processos de degrada\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de\u00a0desertifica\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. O aumento das temperaturas, as secas mais frequentes e a intensifica\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios s\u00e3o fatores que ampliam esse risco.<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Sin\u00e9ia do Vale afirma ainda que, diferentemente de desastres pontuais, como as enchentes no Rio Grande do Sul\u00a0em maio de 2024, os impactos na Amaz\u00f4nia acontecem de forma gradual, o que dificulta tanto o reconhecimento da gravidade da situa\u00e7\u00e3o como a mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos emergenciais. \u201cMuitas comunidades ainda est\u00e3o se recuperando de eventos clim\u00e1ticos ocorridos tr\u00eas anos atr\u00e1s, e n\u00e3o h\u00e1 recursos espec\u00edficos chegando para enfrentar essas perdas\u201d, reclama.<\/p><\/blockquote><p>Diante desse cen\u00e1rio, organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas passaram a desenvolver\u00a0seus pr\u00f3prios planos de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e planos de gest\u00e3o territorial e ambiental, que combinam conhecimento tradicional com evid\u00eancias cient\u00edficas. Esses planos de adapta\u00e7\u00e3o espec\u00edficos para povos ind\u00edgenas dever\u00e3o ser apresentados em breve ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima.<\/p><p>Outra iniciativa das comunidades \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de sistemas pr\u00f3prios de monitoramento de focos de calor e inc\u00eandios, como o Sistema Pantera, que acompanha em tempo real o risco de queimadas nos territ\u00f3rios da regi\u00e3o.<\/p><p>No entanto, para Sin\u00e9ia do Vale, todos esses instrumentos precisam ser acompanhados de financiamento adequado e mecanismos claros de implementa\u00e7\u00e3o. A pergunta que ela deixa no ar \u00e9: recursos de fundos clim\u00e1ticos, como o TFFF, chegar\u00e3o de fato \u00e0s comunidades para que elas continuem vivendo em seus territ\u00f3rios e protegendo a floresta? \u00a0<\/p><div class=\"wp-block-group has-very-light-gray-color has-very-light-gray-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-8bf46afdf4eb1c5e69afcc10e34492d5\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-882a859e885ea2ebaf4aeb536161b12e\"><strong>O que \u00e9 restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica?<\/strong><\/p><p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-c33ed480ba6a462d7f4e050b158fd8fd\">De acordo com o\u00a0<em>chairman<\/em>\u00a0da re.green, Marcelo Medeiros, a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e9 um processo complexo que busca\u00a0recriar sistemas naturais din\u00e2micos, diferente das atividades humanas que costumam simplificar e padronizar processos para ganhar escala. Em vez de \u201creconstruir\u201d a floresta por engenharia, o objetivo \u00e9\u00a0iniciar um processo de sucess\u00e3o natural, criando condi\u00e7\u00f5es para que a pr\u00f3pria natureza traga, ao longo do tempo, esp\u00e9cies de plantas, insetos, fungos e animais.<\/p><p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a5aa3b71b745399dafe541263dbbf41b\">As primeiras interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o voltadas para\u00a0recuperar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do ambiente, como descompactar o solo degradado, retirar esp\u00e9cies invasoras e introduzir plantas que gerem sombra e fixem nitrog\u00eanio. Em seguida, pode haver apoio \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de\u00a0esp\u00e9cies vegetais raras\u00a0que n\u00e3o chegam naturalmente por dispers\u00e3o ou polinizadores.<\/p><p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-35dd12af0c5d8e762883b40bf4fa5145\">Experi\u00eancias mostram que a fauna tem retornado rapidamente \u00e0s \u00e1reas restauradas, principalmente porque muitos projetos na Amaz\u00f4nia est\u00e3o pr\u00f3ximos a fragmentos de floresta. Ainda assim, a restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 um\u00a0processo de longo prazo, que pode levar d\u00e9cadas, marcado por aprendizado cont\u00ednuo, ajustes ao longo do tempo e pela consci\u00eancia de que a natureza conduz grande parte da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b7dfea8 elementor-widget elementor-widget-jet-listing-dynamic-link\" data-id=\"b7dfea8\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"jet-listing-dynamic-link.default\">\n\t\t\t\t\t<a href=\"\" class=\"jet-listing-dynamic-link__link\" target=\"_blank\">Publica\u00e7\u00e3o original em P\u00e1gina 22<\/a>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":226,"featured_media":0,"template":"","veiculo":[],"ano":[],"eixos":[],"class_list":["post-91946","plenarias","type-plenarias","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91946","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias"}],"about":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/plenarias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91946\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"veiculo","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/veiculo?post=91946"},{"taxonomy":"ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/ano?post=91946"},{"taxonomy":"eixos","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos?post=91946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}