{"id":91944,"date":"2025-09-08T15:44:35","date_gmt":"2025-09-08T18:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/plenaria\/a-economia-criativa-amazonica\/"},"modified":"2026-04-09T02:54:18","modified_gmt":"2026-04-09T05:54:18","slug":"a-economia-criativa-amazonica","status":"publish","type":"plenarias","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/plenaria\/a-economia-criativa-amazonica\/","title":{"rendered":"A economia criativa amaz\u00f4nica aos olhos do mundo"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"91944\" class=\"elementor elementor-91944 elementor-82220\" data-elementor-post-type=\"plenarias\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-24d6dc8 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"24d6dc8\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bdf5068 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"bdf5068\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Dos cal\u00e7ados feitos com a borracha extra\u00edda de seringais aos grafismos ind\u00edgenas levados \u00e0s passarelas, a floresta mostra a sua pot\u00eancia criativa e econ\u00f4mica nos mais diversos produtos e servi\u00e7os. Encontro da rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia debateu a diversidade cultural da regi\u00e3o e seu papel na gera\u00e7\u00e3o de trabalho, renda e pertencimento<\/em><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d37ba49 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"d37ba49\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<p class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><i>Por Magali Cabral<\/i><\/p>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e3a8c51 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"e3a8c51\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0772ca1 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"0772ca1\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-285ffe2 elementor-drop-cap-yes elementor-drop-cap-view-default elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"285ffe2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;drop_cap&quot;:&quot;yes&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>D o t\u00eanis franc\u00eas Veja, feito com borracha natural amaz\u00f4nica e que carrega pelas cal\u00e7adas do mundo a hist\u00f3ria de lutas sociais dos seringueiros brasileiros, aos grafismos do povo Yawanaw\u00e1, hoje presente em vitrines do Brasil, de Nova York e Londres; da suma\u00fama, a \u00e1rvore que conecta mundos, \u00e0 import\u00e2ncia da floresta para o futuro clim\u00e1tico do planeta; dos cantos ind\u00edgenas que ecoam nas aldeias \u00e0 ind\u00fastria global do audiovisual, as Amaz\u00f4nias s\u00e3o muito mais do que um celeiro de recursos naturais. Sua floresta e seus habitantes s\u00e3o fonte de cultura, espiritualidade e inova\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0eab344 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0eab344\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>O Acre foi palco da 34\u00aa plen\u00e1ria da rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia, realizada em Rio Branco em 2 de setembro, intitulada\u00a0<em>Economia e Cultura nas Amaz\u00f4nias: a economia criativa como prosperidade<\/em>. Com media\u00e7\u00e3o da secret\u00e1ria-executiva da Concerta\u00e7\u00e3o, L\u00edvia Pagotto, o encontro abordou a diversidade cultural amaz\u00f4nica e seu papel na gera\u00e7\u00e3o de trabalho, renda e pertencimento.\u00a0<\/p><p>O encontro ocorreu no audit\u00f3rio\u00a0<a href=\"https:\/\/eamazonia.org\/eamazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">eAmaz\u00f4nia<\/a>, dentro da Universidade Federal do Acre, e foi transmitido online. O artista convidado para dialogar com\u00a0 a plen\u00e1ria foi o paraense Paulo Vitor Dias, o PV Dias, cujos trabalhos refletem a pulsa\u00e7\u00e3o sonora, cultural e pol\u00edtica da Amaz\u00f4nia urbana, misturando em tra\u00e7os e cores os ritmos, batidas e elementos musicais da regi\u00e3o. Ao longo de setembro, sua obra estar\u00e1 \u201cvestindo\u201d os canais digitais da Concerta\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Participaram como palestrantes Karla Martins, produtora audiovisual e articuladora do Comit\u00ea Chico Mendes; Fran\u00e7ois Morillion, cofundador da marca francesa de cal\u00e7ados\u00a0<a href=\"https:\/\/www.veja-store.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Veja<\/a>; Emanuele Coccia, professor de Filosofia na Escola de Altos Estudos em Ci\u00eancias Sociais de Paris; e Joaquim Tashka Yawanaw\u00e1, l\u00edder ind\u00edgena e empreendedor.<\/p><p>A \u201cacreoca\u201d (carioca-acreana) Bia Saldanha, do N\u00facleo de Governan\u00e7a da Concerta\u00e7\u00e3o, abriu a plen\u00e1ria com uma homenagem \u00e0 terra que a acolheu: \u201cSomos um estado jovem [anexado ao Brasil em 1903, o Acre foi elevado a estado em 1962], mas com um papel central na hist\u00f3ria e na cultura da Amaz\u00f4nia\u201d, afirma. Saldanha ressalta a diversidade da popula\u00e7\u00e3o e a vitalidade da economia criativa regional, presentes em festivais ind\u00edgenas (foram 24 apenas no \u00faltimo ano) e em parcerias entre povos tradicionais, artistas e o setor audiovisual, a exemplo da iniciativa que uniu o DJ de m\u00fasica eletr\u00f4nica Alok e o povo Yawanaw\u00e1. \u201cAl\u00e9m disso, aqui pulsa a energia das nascentes que formam os grandes rios da regi\u00e3o\u201d, destaca.<\/p><p><strong>Cultura \u00e9 conex\u00e3o<\/strong><\/p><p>No entender da atriz e produtora audiovisual Karla Martins, embora a cultura seja frequentemente definida como um fazer art\u00edstico, desconectado da vida cotidiana, o conceito, no<em>\u00a0lato sensu<\/em>, \u00e9 muito mais amplo: envolve todas as atividades humanas que criam conex\u00f5es entre pessoas e lugares. \u201cTudo o que n\u00e3o \u00e9 natural \u00e9 cultural. A cultura nos aterra, nos chama \u00e0 terra, e nos permite criar conex\u00f5es\u201d, afirma. Essa rela\u00e7\u00e3o, lembra ela, tamb\u00e9m explica a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia clim\u00e1tica atual, fruto da cultura de domina\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p><p>\u00c9 poss\u00edvel reconectar a humanidade com a natureza a tempo de conter a mudan\u00e7a do clima antes de um ponto de n\u00e3o retorno? Otimista, Karla Martins cr\u00ea que sim, por meio de uma conex\u00e3o afetiva com a natureza que existe dentro de todas as pessoas:<\/p><p>\u201cN\u00e3o existe algu\u00e9m que n\u00e3o traga dentro de si a mem\u00f3ria de uma \u00e1rvore, seja na lembran\u00e7a de um dia ter se equilibrado entre seus galhos, seja de comer uma fruta rec\u00e9m-tirada do p\u00e9, seja de aproveitar o frescor de sua sombra, seja no desenho singelo de um tronco marrom e uma copa verde feito na inf\u00e2ncia\u201d.\u00a0<\/p><p>Para inspirar, ela compartilhou um texto do escritor e ambientalista Toinho Alves, tamb\u00e9m presente no evento: \u201c<em>N\u00e3o temos a medida do tamanho da floresta que teremos no futuro, nem o tamanho do futuro que teremos no planeta. Mas as hist\u00f3rias de outros fins do mundo que ouvimos dos povos antigos, que se tornaram peixes para viver na grande enchente ou p\u00e1ssaros para escapar ao grande inc\u00eandio, nos autorizam a sonhar e alimentar esperan\u00e7as. A suma\u00fama \u00e9 uma \u00e1rvore amaz\u00f4nica, \u00e9 o mundo. Abriga centenas de seres vivos entre as ra\u00edzes mais fundas e as folhas mais altas. Na gera\u00e7\u00e3o de suas filhas, ela tece com arte um caprichoso capucho semelhante ao algod\u00e3o, que leva uma pequena semente ao vento para alguma distante curva do rio e, ao tempo, para algum futuro poss\u00edvel. A florestania \u00e9 essa semente.<\/em>\u201d<\/p><p><strong>Do Acre a Paris\u00a0<\/strong><\/p><p>O conceito de \u201cflorestania\u201d, que nasceu da jun\u00e7\u00e3o dos termos floresta e cidadania, conquistou Fran\u00e7ois Morillion e S\u00e9bastien Kopp. No in\u00edcio dos anos 2000, eles desembarcaram no Brasil na esperan\u00e7a de criar uma cadeia produtiva para o t\u00eanis que estavam desenvolvendo, unindo conceitos ecol\u00f3gicos e sociais, ou que unisse respeito \u00e0 natureza e ao ser humano. No Acre, apoiado por parceiras como Bia Saldanha, Morillion conta que encontraram n\u00e3o apenas a borracha natural, mat\u00e9ria-prima para os cal\u00e7ados que seriam lan\u00e7ados em 2004, mas tamb\u00e9m a complexa hist\u00f3ria de resist\u00eancia e conquistas sociais ligada aos seringueiros e ao legado de Chico Mendes.<\/p><p>\u201cA primeira produ\u00e7\u00e3o do t\u00eanis Veja foi de apenas 5 mil pares. Hoje, a empresa produz 4 milh\u00f5es de pares por ano, est\u00e1 presente em cerca de 30 pa\u00edses e emprega mais de 500 pessoas\u201d, revela o empres\u00e1rio. Apesar do crescimento, Fran\u00e7ois Morillion diz que a ess\u00eancia da Veja permanece. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio justo constru\u00edda com comunidades, em que a borracha amaz\u00f4nica \u00e9 reconhecida n\u00e3o apenas como insumo, mas como bem cultural.\u00a0<\/p><p>Por causa da hist\u00f3ria e dos significados que carregam, os t\u00eanis da marca passaram a ser valorizados pelos consumidores, que enxergam na pe\u00e7a algo mais valioso do que um simples cal\u00e7ado. E essa valoriza\u00e7\u00e3o tem m\u00e3o dupla. O fato de se tratar de um produto que circula nas principais capitais globais da moda \u00e9 motivo de orgulho para as comunidades que produzem a borracha que comp\u00f5e seu solado, que veem o seu trabalho reconhecido e valorizado.\u00a0<\/p><p>A marca criou um fluxo conectando a floresta a cidades como Paris, Nova York e S\u00e3o Paulo que aproxima consumidores urbanos das realidades amaz\u00f4nicas. Segundo Morillion, o t\u00eanis se tornou um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o entre mundos distintos. Sempre que poss\u00edvel, a empresa traz parceiros e colaboradores para visitas \u00e0 floresta amaz\u00f4nica. Ao vivenciarem o cotidiano das fam\u00edlias extrativistas, Morillion diz que os visitantes se \u2018enflorestam\u2019, isto \u00e9, compreendem a diversidade cultural local e sentem-se mensageiros do que a floresta tem a dizer.<\/p><p><strong>Cultura e impacto socioecon\u00f4mico\u00a0<\/strong><\/p><p>Assim como Morillion, o l\u00edder ind\u00edgena Joaquim Tashka tamb\u00e9m celebra a bem-sucedida experi\u00eancia do povo Yawanaw\u00e1 nas parcerias com o setor privado. Uma delas j\u00e1 dura 32 anos: a parceria com a multinacional de cosm\u00e9ticos Aveda. \u201c\u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o marcada pelo respeito e pela constru\u00e7\u00e3o conjunta de um modelo \u00fanico no mundo. De um lado, uma empresa com milhares de sal\u00f5es de beleza espalhados globalmente, de outro, um povo ind\u00edgena da Amaz\u00f4nia, numa troca de igual para igual\u201d, diz.<\/p><p>Rela\u00e7\u00f5es semelhantes v\u00eam sendo estabelecidas com outras marcas de alcance global, caso da FARM, marca brasileira que hoje leva grafismos e refer\u00eancias Yawanaw\u00e1 para suas vitrines em Nova York e Londres, ampliando o reconhecimento da cultura ind\u00edgena na economia e estimulando consumidores a refletirem sobre o significado dos produtos.\u00a0<\/p><p>Para ele, essas rela\u00e7\u00f5es s\u00f3 t\u00eam sentido porque s\u00e3o constru\u00eddas com respeito e valoriza\u00e7\u00e3o cultural. Um exemplo \u00e9 o lan\u00e7amento recente do \u00e1lbum\u00a0<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/12NfdKREtnSFBdp6rglPiA?si=pt6DT8fnStiacW0TePVFLw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mariri Yawanawa Saiti Kayahu<\/a>, produzido pelo DJ Alok. \u201cMesmo gravado em est\u00fadio, a qualidade obtida consegue transmitir a energia dos terreiros e a sensa\u00e7\u00e3o de se estar na aldeia dan\u00e7ando\u201d, garante Tashka. A faixa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1l68q5UZLsM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sina Vaishu<\/a>\u00a0\u00e9 atualmente sucesso global.<\/p><p>Tamb\u00e9m est\u00e1 em fase de desenvolvimento um perfume Yawanaw\u00e1 feito a partir da fragr\u00e2ncia do\u00a0sup\u00e1, uma resina arom\u00e1tica utilizada em rituais espirituais de cura. Tashka tamb\u00e9m ressalta o potencial do turismo no Acre, que atrai visitantes do mundo todo para viv\u00eancias em terras ind\u00edgenas, como no Mariri Yawanaw\u00e1, um grande festival anual que costuma receber personalidades internacionais. Ele ressalta, no entanto, que essa atividade ainda carece de investimentos em infraestrutura e, sobretudo, de meios de valoriz\u00e1-la nacionalmente, embora muitas vezes a cultura ind\u00edgena seja mais valorizada por estrangeiros do que no pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p><p>Karla Martins ressaltou a import\u00e2ncia de abrir espa\u00e7o para cineastas e artistas amaz\u00f4nidas contarem suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, ampliando a diversidade de vozes na produ\u00e7\u00e3o cultural.\u00a0 Lembrou que a ind\u00fastria criativa gera mais receita global do que a automotiva, refor\u00e7ando seu potencial como vetor de desenvolvimento na Amaz\u00f4nia. Ela cita alguns trabalhos que contam hist\u00f3rias ambientadas na regi\u00e3o, entre eles o filme\u00a0<em>Iracema \u2013 Uma Transa Amaz\u00f4nica<\/em>, de Jorge Bodansky, que completa 50 anos em 2025; o premiado\u00a0<em>Manas,\u00a0<\/em>de Marianna Brennand; e a miniss\u00e9rie\u00a0<em>Pssica<\/em>, de Quico e Fernando Meirelles. Na sua vis\u00e3o, s\u00e3o obras importantes, mas n\u00e3o deveriam ser as \u00fanicas a contar as hist\u00f3rias amaz\u00f4nicas.<\/p><p>Para ela, \u00e9 necess\u00e1rio abrir espa\u00e7o para que cineastas locais explorem mitos, narrativas e experi\u00eancias, lembrando que a cultura tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o de resist\u00eancia e renascimento, inclusive do ponto de vista econ\u00f4mico. Karla Martins cresceu no Acre, \u201cum lugar que por muito tempo foi considerado distante e invis\u00edvel\u201d, e acha fundamental que o reconhecimento comece no pr\u00f3prio territ\u00f3rio. \u201cO maior espa\u00e7o de pertencimento \u00e9 fazer sucesso e ser reconhecido no lugar onde se vive. Essa li\u00e7\u00e3o de auto-reconhecimento aprendemos com os povos origin\u00e1rios\u201d.\u00a0<\/p><p><strong>Valor agregado<\/strong><\/p><p>De acordo com Tashka Yawanawa, os produtos ind\u00edgenas ganham valoriza\u00e7\u00e3o no mercado consumidor internacional por seus significados espirituais e culturais que transcendem a l\u00f3gica mercadol\u00f3gica, agregando uma composi\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o diferenciado aos produtos. Ali\u00e1s, esse \u00e9 o verdadeiro valor\u00a0 dos produtos ind\u00edgenas, que integram dimens\u00f5es \u00e9tnicas, culturais, espirituais, ambientais e sociais.\u00a0<\/p><p>Quando esses aspectos n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos, os produtos se reduzem a simples mercadorias, esvaziadas de sentido. Por isso, para Tashka, \u00e9 fundamental que os consumidores compreendam o que est\u00e3o adquirindo. \u201cA bolsa, a pulseira, ou qualquer outro produto da economia ind\u00edgena carrega um elo direto com a floresta, com tradi\u00e7\u00f5es e com modos de vida que ajudam a preservar o planeta\u201d.\u00a0<\/p><p>Karla Martins concorda: \u201cNem sempre quando usamos um objeto nos perguntamos o que ele significa. Mas \u00e9 importante pensar o que representa carregar uma bolsa do Maqueson [Maqueson Pereira da Silva \u00e9 um multiartista premiado de\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ac\/acre\/cidade\/cruzeiro-do-sul-ac\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cruzeiro do Sul<\/a>, no Acre, que atende a v\u00e1rias grifes de Paris, Nova York, T\u00f3quio e Londres]. Esse produto representa o sustento de 46 fam\u00edlias. Mi\u00e7angas dos povos ind\u00edgenas carregam um pouco da vida, da hist\u00f3ria e da inspira\u00e7\u00e3o de quem as produziu. Um t\u00eanis Veja pode carregar na borracha gotas do suor do Raimund\u00e3o\u201d, diz a produtora referindo-se ao extrativista e l\u00edder seringueiro Raimundo Mendes de Barros.\u00a0<\/p><p>Maqueson e Raimund\u00e3o s\u00e3o personagens que levam um pouco de Amaz\u00f4nia para o mundo e ajudam a manter de p\u00e9 uma floresta fundamental para o futuro da humanidade. \u201cPor isso, \u00e9 essencial refletir sobre a coletividade presente em cada um desses objetos, sobre a entrega e a resposta que recebemos daquilo que usamos\u201d, conclui Karla Martins.\u00a0<\/p><div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><p class=\"has-very-light-gray-background-color has-background\">\u00a0<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f79a85d e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"f79a85d\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ca4192f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ca4192f\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Moda como ferramenta de alteridade e de transforma\u00e7\u00e3o cultural<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ed7b3ce e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"ed7b3ce\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-27e02be elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"27e02be\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"has-very-light-gray-background-color has-background\">Uma das pessoas que se deixou \u201cenflorestar\u201d em uma das visitas organizadas pelo empres\u00e1rio da marca Veja, foi o acad\u00eamico franc\u00eas Emanuele Coccia que trouxe para a plen\u00e1ria uma reflex\u00e3o hist\u00f3rica e filos\u00f3fica sobre a moda, mostrando que falar sobre ela n\u00e3o \u00e9 falar apenas de roupas. Antes de qualquer defini\u00e7\u00e3o, ele diz que \u00e9 preciso desfazer o preconceito de que a moda seria apenas a vers\u00e3o contempor\u00e2nea da pr\u00e1tica ancestral de vestir-se.\u00a0<\/p><div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><p class=\"has-very-light-gray-background-color has-background\">\u00a0<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8478cef e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"8478cef\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b0275ee elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b0275ee\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"has-very-light-gray-background-color has-background\">A moda, tal como a entendemos hoje, \u00e9 recente. Surgiu quando as vanguardas art\u00edsticas europeias se propuseram a aproximar arte e vida para romper com a padroniza\u00e7\u00e3o imposta pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Foi nesse momento que a moda se consolidou n\u00e3o apenas como est\u00e9tica, mas como linguagem art\u00edstica radical de manipula\u00e7\u00e3o e uso da mat\u00e9ria para produzir e desfrutar de uma forma particular de liberdade. \u201cA liberdade que permite a moda \u00e9 incomparavelmente mais intensa e de maior alcance que qualquer outra arte\u201d, afirma.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-27cf984 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"27cf984\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-76612ef elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"76612ef\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"has-very-light-gray-background-color has-background\">Para o fil\u00f3sofo, a roupa \u00e9 o objeto mais universal da humanidade. Todos as usam, todos os dias. Diferente de uma pintura ou escultura, que se contempla \u00e0 dist\u00e2ncia, a vestimenta cola na pele, molda a silhueta e esculpe identidade. Ao longo da hist\u00f3ria, a roupa deixou de ser apenas marca de distin\u00e7\u00f5es sociais, religiosas ou nacionais, para ser express\u00e3o de diferen\u00e7as sutis de humor, de desejo, de escolha. Segundo ele, vestir-se \u00e9 como converter-se em uma obra de arte viva. Essa caracter\u00edstica faz da moda uma arte singular, mais imediata e carnal do que qualquer outra, capaz de marcar o tempo, diferenciar dias, esta\u00e7\u00f5es e estados de esp\u00edrito.\u00a0<\/p><div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><p class=\"has-very-light-gray-background-color has-background\">\u00a0<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2e4d474 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"2e4d474\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-99994d3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"99994d3\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Coccia defende ainda que a moda n\u00e3o deve ser vista apenas sob a \u00f3tica dos grandes grupos europeus. Para ele, o ato de vestir-se pode assumir uma dimens\u00e3o quase ritual, compar\u00e1vel a um novo xamanismo, capaz de transformar as cidades em espa\u00e7os de conex\u00e3o com a natureza. Nesse processo, a roupa deixaria de ser apenas tend\u00eancia ou consumo e passaria a simbolizar uma experi\u00eancia de conviv\u00eancia entre esp\u00e9cies, em que a pele do humano se mistura simbolicamente \u00e0 de outros seres vivos \u2013 lembrando que, na pr\u00e9-Hist\u00f3ria, \u201cas primeiras vestes eram mantos feitos das peles dos animais mortos, dos quais o homem se alimentou ou dos quais se defendeu\u201d.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-043434d e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"043434d\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-45bada6 elementor-widget elementor-widget-jet-listing-dynamic-link\" data-id=\"45bada6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"jet-listing-dynamic-link.default\">\n\t\t\t\t\t<a href=\"\" class=\"jet-listing-dynamic-link__link\" target=\"_blank\">Publica\u00e7\u00e3o original em P\u00e1gina 22<\/a>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":226,"featured_media":82293,"template":"","veiculo":[1625],"ano":[],"eixos":[],"class_list":["post-91944","plenarias","type-plenarias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","veiculo-pagina-22-en"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias"}],"about":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/plenarias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91944\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"veiculo","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/veiculo?post=91944"},{"taxonomy":"ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/ano?post=91944"},{"taxonomy":"eixos","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos?post=91944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}