{"id":91943,"date":"2025-07-07T22:18:53","date_gmt":"2025-07-08T01:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/plenaria\/amazonias-em-concerto-2\/"},"modified":"2026-04-09T02:54:18","modified_gmt":"2026-04-09T05:54:18","slug":"amazonias-em-concerto-2","status":"publish","type":"plenarias","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/plenaria\/amazonias-em-concerto-2\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nias em concerto"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"91943\" class=\"elementor elementor-91943 elementor-79492\" data-elementor-post-type=\"plenarias\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-55d126c e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"55d126c\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6e88801 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6e88801\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>A rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia celebra cinco anos de exist\u00eancia em evento organizado em cinco atos, que\u00a0<\/em><em>exploram dimens\u00f5es fundamentais para o futuro das Amaz\u00f4nias e se relacionam com temas estruturantes \u2014 do cuidado com os territ\u00f3rios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia \u00e0s economias da floresta viva<\/em><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7c5548e elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"7c5548e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<p class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><i>Por Am\u00e1lia Safatle<\/i><\/p>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7a17dad elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"7a17dad\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c14e36f e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"c14e36f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4772aa9 elementor-drop-cap-yes elementor-drop-cap-view-default elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4772aa9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;drop_cap&quot;:&quot;yes&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>C om participa\u00e7\u00e3o aberta a toda e qualquer pessoa que se importa com a quest\u00e3o amaz\u00f4nica, a rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia completa cinco anos de exist\u00eancia, agregando mais de 1.300 pessoas e organiza\u00e7\u00f5es. Gestada entre os anos de 2019 e 2020, a Concerta\u00e7\u00e3o colocou-se como um espa\u00e7o plural e democr\u00e1tico. Era um momento em que o Pa\u00eds enfrentava momentos importantes do ponto de vista da agenda da sustentabilidade e dos direitos humanos, ao mesmo tempo em que crescia a percep\u00e7\u00e3o do papel da Amaz\u00f4nia, em suas diversas paisagens e diversidades socioculturais, como um elemento central para a prote\u00e7\u00e3o do clima e da natureza, no Brasil e no mundo.\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1ff6373 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1ff6373\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u201cA Concerta\u00e7\u00e3o nasce para que a gente possa aproximar mais a Amaz\u00f4nia do Brasil, e o Brasil da Amaz\u00f4nia, explorando juntos um imagin\u00e1rio, mas tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es muito concretas para a prosperidade da regi\u00e3o\u201d, afirma a secret\u00e1ria-executiva L\u00edvia Pagotto, durante a 33\u00aa plen\u00e1ria, realizada em 30 de junho, dedicada a celebrar a data.<\/p><p>O encontro, conduzido por Fernanda Renn\u00f3, respons\u00e1vel pela \u00e1rea de Cultura e Arte da rede, faz jus ao nome da Concerta\u00e7\u00e3o, inspirado em um concerto em cinco atos que s\u00e3o desenvolvidos entre o \u201cprel\u00fadio\u201d e a \u201ccoda\u201d (trecho musical que encerra uma pe\u00e7a). Cada ato explora uma dimens\u00e3o fundamental para o futuro das Amaz\u00f4nias e se relaciona com temas estruturantes da rede \u2014 do cuidado com os territ\u00f3rios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia \u00e0s economias da floresta viva.<\/p><p>O prel\u00fadio, \u201cdedicado a abrir sentidos, escutar a floresta e observar o que pulsa\u201d, segundo Renn\u00f3, traz a express\u00e3o de diversos artistas, como Marcela Bomfim, Hadna Abreu, Hel\u00f4 Rodrigues e Rafael Prado \u2013 natural do Alto Rio Madeira, em Porto Velho. Seu trabalho \u201cPovos Amaz\u00f4nicos N\u00e3o Morrem, Viram Semente\u201d \u2013 que no momento \u201cveste\u201d os espa\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o da Concerta\u00e7\u00e3o \u2013, remete a uma mem\u00f3ria de inf\u00e2ncia, na qual as grandes \u00e1rvores que circundavam a capela da sua regi\u00e3o foram derrubadas.\u00a0<\/p><p>Prado faz uma liga\u00e7\u00e3o entre as \u00e1rvores e as pessoas \u2013 ativistas, ribeirinhos, ind\u00edgenas, indigenistas e castanheiros \u2013 que de alguma forma vivem da floresta, a protegem e acabam assassinadas. \u201cS\u00e3o pessoas que foram plantadas, deram frutos e deixaram legados. O papel do artista \u00e9 para encantar e trazer de volta a mem\u00f3ria dessas situa\u00e7\u00f5es que foram silenciadas\u201d, acredita.<\/p><p><strong>Ato I: Comida, cuidado e mem\u00f3ria<\/strong><\/p><p>Elemento capaz de unir todos ao redor de uma mesa, o alimento \u00e9 o tema escolhido para o \u201cprimeiro ato\u201d do encontro, servindo como um elo entre todos os outros temas importantes para o desenvolvimento integrado da Amaz\u00f4nia. Joana Martins,\u00a0<em>chef\u00a0<\/em>de cozinha, s\u00f3cia fundadora da empresa Manioca e diretora do Instituto Paulo Martins do Par\u00e1, enfatiza que a Amaz\u00f4nia \u00e9 sabor, textura, sa\u00fade para o corpo e a alma. \u201cA\u00a0 Amaz\u00f4nia, atrav\u00e9s da sociodiversidade, nos oferece tudo que o mercado contempor\u00e2neo quer, tudo que as tend\u00eancias mundiais afirmam: alimento bom, gostoso, natural e saud\u00e1vel. Mas, para que seja melhor, s\u00f3 precisa que seja justo\u201d, defende.\u00a0<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A grande quest\u00e3o, segundo ela, n\u00e3o \u00e9\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0a Amaz\u00f4nia pode oferecer, mas sim\u00a0<em>como deve\u00a0<\/em>oferecer. \u201cPrecisamos escalar a produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o com monocultura. Precisamos produzir mais, mas n\u00e3o com agrot\u00f3xicos. Precisamos ser mais eficientes, mas n\u00e3o excluindo pessoas. Precisamos de padroniza\u00e7\u00e3o, mas sem afetar a biodiversidade. Precisamos de tecnologia, mas muito mais social do que digital\u201d, diz Martins, acrescentando a import\u00e2ncia de pensar sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos sob uma perspectiva mais sist\u00eamica, que pondera seus impactos no uso da terra e na conserva\u00e7\u00e3o ambiental, na sa\u00fade humana e na agrega\u00e7\u00e3o de valor e gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p><\/blockquote><p>A ind\u00edgena Renata Peixe-boi, cozinheira na Cozinha Boca da Mata, empreendedora social e ativista no Amazonas, destaca o papel das escolas na forma\u00e7\u00e3o desse pensamento: \u201cN\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que uma crian\u00e7a, hoje, ainda coma carne enlatada, que vem de longe, em uma escola na Amaz\u00f4nia. A gente n\u00e3o pode aceitar isso\u201d, diz. Segundo ela, o primeiro lugar que deseduca \u00e9 aquela escola onde o fruto do quintal e da riqueza da floresta n\u00e3o chega na merenda escolar.<\/p><p>Por isso, ela destaca como positiva a iniciativa da Comiss\u00e3o de Alimentos tradicionais dos Povos do Amazonas (<a href=\"https:\/\/agroecologiaemrede.org.br\/experiencia\/comissao-de-alimentos-tradicionais-dos-povos-no-amazonas-catrapoa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Catrapoa<\/a>), liderada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e outras institui\u00e7\u00f5es voltadas a fazer chegar na merenda escolar o alimento produzido pela agricultura familiar, respeitando a produ\u00e7\u00e3o local, a diversidade, a sazonalidade e o ritmo de produ\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p><p>Renata Peixe-boi aponta ainda a necessidade de refletir sobre os sistemas produtivos nos quais as popula\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nidas est\u00e3o inseridas. Ela questiona a l\u00f3gica econ\u00f4mica que transforma tudo em uma grande produ\u00e7\u00e3o, sem enxergar os modos de vida associados \u00e0quela produ\u00e7\u00e3o, e que precisam ser considerados inclusive do ponto de vista da seguran\u00e7a alimentar.\u00a0<\/p><p>Um exemplo disso \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed, que se tornou de larga escala, sem os devidos cuidados com a explora\u00e7\u00e3o, e hoje falta na mesa da popula\u00e7\u00e3o local ou tem pre\u00e7os exorbitantes. Isso mostra como \u00e9 \u00edntima a rela\u00e7\u00e3o entre conserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, modos de produ\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o. Nutrir a floresta e nutrir as pessoas \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o presente tamb\u00e9m na sa\u00fade, tema do segundo ato da plen\u00e1ria.<\/p><p><strong>Ato II: Sa\u00fade para as pessoas e para a natureza<\/strong><\/p><p>O debate promovido sobre sa\u00fade durante o encontro considera a rela\u00e7\u00e3o entre o corpo individual (as pessoas) e o corpo coletivo (a sociedade e o ambiente). Neste entendimento, a sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 simplesmente a aus\u00eancia de doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m o cuidado com o territ\u00f3rio, com as tradi\u00e7\u00f5es e com os v\u00ednculos locais. Duas vis\u00f5es complementam-se nesse quadro, a de Altair Farias, que \u00e9 enfermeiro e professor da Escola Superior de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade do Estado do Amazonas, e de M\u00e1rcia Castro, professora titular de Demografia, e chefe do Departamento de Sa\u00fade Global e Popula\u00e7\u00e3o na Escola de Sa\u00fade P\u00fablica de Harvard.<\/p><p>A fala de Farias surge de um questionamento: como valorizar as pr\u00e1ticas de sa\u00fade j\u00e1 existentes nos territ\u00f3rios para reinventar e aprimorar a oferta de sa\u00fade na Amaz\u00f4nia? Ind\u00edgena do povo Omagwa-Kambeba, ele nasceu na tr\u00edplice fronteira entre Brasil, Col\u00f4mbia e Peru, e desde muito cedo conheceu pr\u00e1ticas tradicionais de sa\u00fade. Nas margens dos rios, povoamentos, lagos e igarap\u00e9s, onde muitas das vezes o sistema formal de sa\u00fade n\u00e3o chega, existem especialistas e detentores de conhecimentos que cuidam dessa popula\u00e7\u00e3o, com base em seus saberes ancestrais para a produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade no territ\u00f3rio, a partir dos recursos dispon\u00edveis na natureza.<\/p><p>Segundo ele, nas v\u00e1rias Amaz\u00f4nias habitam grupos sociais com diferentes cosmovis\u00f5es sobre doen\u00e7as conhecidas, como mal\u00e1ria, tuberculose, hipertens\u00e3o e diabetes, mas tamb\u00e9m para outros tipos de doen\u00e7as e agravos ligados \u00e0 cultura. Grupos sociais como povos ind\u00edgenas, quilombolas ribeirinhos e outras popula\u00e7\u00f5es tradicionais reconhecem, por exemplo, o quebranto, o mau-olhado, a m\u00e3e do corpo, a doen\u00e7a do ar. Para trat\u00e1-los, esses grupos usam as plantas em ch\u00e1s e infus\u00f5es, e partes de animais para fazer rem\u00e9dios que ser\u00e3o usados para tratar os curumins, as cunhant\u00e3s, os adultos e os idosos.\u00a0<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cS\u00e3o pr\u00e1ticas que chamo de sincretismo terap\u00eautico multicultural, que precisam ser conhecidos e considerados pelo sistema formal de sa\u00fade, a fim de aprimorar a oferta de sa\u00fade na Amaz\u00f4nia. A melhor forma de fazer essa integra\u00e7\u00e3o \u00e9 adotar o conceito de interculturalidade, onde nenhuma cultura deve se sobrepor \u00e0 outra\u201d, afirma Altair Farias.\u00a0<\/p><\/blockquote><p>\u201cAt\u00e9 porque, para a popula\u00e7\u00e3o, esse sistema converge em um \u00fanico sistema de tratamento, o que chamo de um hibridismo em sa\u00fade. Esse sistema requer a valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes e pr\u00e1ticas ancestrais durante todo o itiner\u00e1rio terap\u00eautico do paciente amaz\u00f4nico\u201d, acrescenta.<\/p><p>Ele destaca a Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade dos Povos Ind\u00edgenas, que tem como uma das principais diretrizes a articula\u00e7\u00e3o da biomedicina com a medicina ind\u00edgena; a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral das Popula\u00e7\u00f5es do Campo, da Floresta e das \u00c1guas; e tamb\u00e9m a Pol\u00edtica Nacional de Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares.<\/p><p>Marcia Castro ressalta o ineditismo do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que fez do Brasil o \u00fanico pa\u00eds com mais de 100 milh\u00f5es de habitantes a ter um sistema de sa\u00fade universal e com acesso gratuito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Mas, justamente em fun\u00e7\u00e3o do tamanho continental do Pa\u00eds, ela afirma que o SUS precisa ser adaptado \u00e0s muitas realidades regionais. \u201cO SUS da Amaz\u00f4nia, por exemplo, precisa ser resiliente ao clima, \u00e0s dist\u00e2ncias, \u00e0s culturas e aos desafios ambientais. Precisa funcionar por terra, por \u00e1gua e pelo ar. E a ponte entre o SUS e a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena, a Sesai, precisa ter uma governan\u00e7a mais bem estruturada para garantir a plena aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade ind\u00edgena.\u201d<\/p><p>A exemplo do programa Cisternas, que foi vital para ofertar \u00e1gua \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido brasileiro, estrat\u00e9gia semelhante poderia garantir \u00e1gua para consumo e para lavouras em per\u00edodos de seca na Amaz\u00f4nia. Al\u00e9m disso, o uso de drones pode viabilizar a entrega de testes, rem\u00e9dios, vacinas, sangue e alimentos em \u00e1reas mais distantes, que somente s\u00e3o acessadas por barco e que ficam completamente isoladas em per\u00edodos de estiagem severa, como se viu em 2023 e 2024. \u201cEssa tecnologia revolucionou o sistema de sa\u00fade em Ruanda, na \u00c1frica, onde estive h\u00e1 duas semanas\u201d, conta.\u00a0<\/p><p>Ela lembra que essa tecnologia j\u00e1 \u00e9 usada amplamente pelo agroneg\u00f3cio, que teria a oportunidade de cooperar com\u00a0 o setor da sa\u00fade. Castro acrescenta que o uso de drones, o atendimento de sa\u00fade remoto e a presen\u00e7a de agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade bem treinados comp\u00f5em uma tr\u00edade de alto impacto em potencial na sa\u00fade do Amazonas. \u201cAs ambulanchas, usadas pela FAS [Funda\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel], e as unidades de sa\u00fade fluviais j\u00e1 s\u00e3o realidade, mas precisam ser expandidas e ter o financiamento adequado para garantir atendimento a popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas\u201d, recomenda.<\/p><p>Para a especialista, a sa\u00fade na Amaz\u00f4nia depende tamb\u00e9m da intera\u00e7\u00e3o com outros setores do governo. Por exemplo, com o planejamento urbano, para que a floresta n\u00e3o seja substitu\u00edda por cidades sem \u00e1rvores e sem infraestrutura. Com o meio ambiente, para que o desmatamento e o garimpo ilegal sejam coibidos e, quando aconte\u00e7am, gerem um alerta para que a sa\u00fade possa desencadear a\u00e7\u00f5es mitigat\u00f3rias. Com a seguran\u00e7a p\u00fablica, para que a presen\u00e7a das fac\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia n\u00e3o interrompa as atividades regulares da sa\u00fade. E com a educa\u00e7\u00e3o, para que o conhecimento sobre sa\u00fade, a import\u00e2ncia da intera\u00e7\u00e3o com a floresta e a no\u00e7\u00e3o de crise clim\u00e1tica estejam presentes nos curr\u00edculos desde cedo \u2013 o que remete ao terceiro ato da plen\u00e1ria, sobre ensino.<\/p><p><strong>Ato III: Aprender para permanecer<\/strong><\/p><p>Educar nas Amaz\u00f4nias \u00e9 uma forma de resist\u00eancia, de perman\u00eancia e de reinven\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que experimenta na pr\u00e1tica Lu\u00edsa Pereira de Souza Neto, diretora do Centro de Ensino Ant\u00f4nio Sirley de Arruda Lima, escola estadual em Formosa da Serra Negra (MA). Seu desafio \u00e9 fazer com que os jovens se sintam pertencentes ao territ\u00f3rio amaz\u00f4nico, o que passa por entender e valorizar a pr\u00f3pria cultura, a hist\u00f3ria e a origem. Nestes tempos em que o mundo \u00e9 marcado por avan\u00e7os digitais e pela Intelig\u00eancia Artificial, os jovens s\u00e3o cada vez mais atra\u00eddos para outros universos e correm o risco de perder a conex\u00e3o com suas ra\u00edzes.<\/p><p>A escola integra o Programa Itiner\u00e1rios Amaz\u00f4nicos, realizado pela Concerta\u00e7\u00e3o com os institutos iungo, Re\u00fana e outros parceiros. A iniciativa, que promove a Amaz\u00f4nia nas escolas brasileiras, disponibiliza unidades curriculares baseadas em temas amaz\u00f4nicos e de acesso livre e gratuito para os itiner\u00e1rios formativos do Ensino M\u00e9dio, produzidas em colabora\u00e7\u00e3o com jovens, educadores e redes de ensino da Amaz\u00f4nia Legal.<\/p><p>\u201cNo in\u00edcio da concep\u00e7\u00e3o desse programa, n\u00f3s escut\u00e1vamos muito dos jovens do territ\u00f3rio que eles n\u00e3o se enxergavam nos seus materiais did\u00e1ticos. Foi uma informa\u00e7\u00e3o muito importante para tentarmos construir, junto com as redes de ensino, um material e forma\u00e7\u00f5es que conseguissem trazer as especificidades de cada rede e de cada territ\u00f3rio para dentro da sala de aula, com o intuito de refor\u00e7ar essa rela\u00e7\u00e3o dos jovens com o seu territ\u00f3rio e para que, assim, permane\u00e7am nele\u201d, conta Fernanda Renn\u00f3, da Concerta\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Alcielle dos Santos, diretora de educa\u00e7\u00e3o do Instituto iungo, acredita que a chave desse processo reside em uma dupla de palavras: conhecer e reconhecer. \u201cA primeira coisa que conhecemos, ainda no ventre, \u00e9 a voz da m\u00e3e. Em seguida aprendemos a reconhecer rostos, ainda beb\u00eas. \u00c9 conhecendo e reconhecendo que vamos nos tornando humanos. Isso nos ajuda a ter uma inspira\u00e7\u00e3o que \u00e9 ancestral, que vem do passado, que nos constitui, e que ser\u00e1 importante para a nossa constru\u00e7\u00e3o de futuro\u201d, diz.\u00a0\u00a0<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuando falamos de Amaz\u00f4nias, falamos de um territ\u00f3rio que precisamos conhecer \u2013 no caso das pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da regi\u00e3o \u2013 e reconhecer, no caso de quem \u00e9 da Amaz\u00f4nia, mas que ainda n\u00e3o reconhece todas as pluralidades do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Em educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que o conhecimento e o reconhecimento das pessoas e das hist\u00f3rias se d\u00ea para que haja constru\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p><\/blockquote><p>Santos frisa que s\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o em si mesma n\u00e3o tem como garantir todas as respostas, mas diz n\u00e3o ter d\u00favidas de que tudo passa pela educa\u00e7\u00e3o. \u201cEnt\u00e3o, que seja uma constru\u00e7\u00e3o t\u00e3o bonita como tem sido nesses \u00faltimos cinco anos e que n\u00f3s possamos continuar conhecendo e reconhecendo os pr\u00f3ximos passos a serem dados, mas vivendo no tempo presente.\u201d<\/p><p>A uni\u00e3o entre conhecimento passado e presente se mostra como chave tanto para a educa\u00e7\u00e3o, como para a inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, tema do quarto ato.\u00a0<\/p><p><strong>Ato IV: Inova\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia desde o territ\u00f3rio<\/strong><\/p><p>A tem\u00e1tica da inova\u00e7\u00e3o, debatida durante a plen\u00e1ria, n\u00e3o se resume ao avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, mas abarca\u00a0 tamb\u00e9m ancestralidade, natureza e imagina\u00e7\u00e3o coletiva. O trabalho de pesquisa do jovem Eli Minev, de 18 anos, estudante em Manaus, exemplifica essa s\u00edntese.<\/p><p>\u201cEstou aqui para falar sobre como a gente pode integrar ci\u00eancia ancestral e ci\u00eancia acad\u00eamica na constru\u00e7\u00e3o de novos caminhos de desenvolvimento para a Amaz\u00f4nia\u201d, diz.\u00a0<\/p><p>Tudo come\u00e7ou quando ele decidiu estudar um alimento tradicional da floresta, o ari\u00e1, um tub\u00e9rculo similar a uma batata (<em>saiba mais\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/pagina22.com.br\/2025\/05\/10\/a-redescoberta-do-aria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>nesta reportagem<\/em><\/a><em>\u00a0publicada pela P\u00e1gina22<\/em>).\u00a0<\/p><p>O estudante queria entender qual era o valor nutricional desse alimento e se este poderia ser uma alternativa vi\u00e1vel no combate \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar na regi\u00e3o, principalmente no contexto de crise clim\u00e1tica e de eventos extremos sofridos com maior frequ\u00eancia e intensidade na Amaz\u00f4nia, como secas e cheias severas.\u00a0<\/p><p>Ele analisou a composi\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a de amino\u00e1cidos e demais dados t\u00e9cnicos, mas percebeu que s\u00f3 isso n\u00e3o bastava, estava faltando algo. \u201cPara falar de verdade sobre esse tub\u00e9rculo, eu precisava ouvir quem o cultiva, colhe e cozinha h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es. Foi a\u00ed que a ci\u00eancia ancestral entrou no meu projeto\u201d, relata.\u00a0<\/p><p>O jovem Minev passou a dialogar com lideran\u00e7as ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, al\u00e9m de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa). \u201cEntendi que esses dois mundos do conhecimento, o acad\u00eamico e o ancestral, n\u00e3o competem, eles se completam. A ci\u00eancia do laborat\u00f3rio explica toda\u00a0 a parte nutricional, mas a ci\u00eancia da floresta transmite uma sabedoria que n\u00e3o cabe em nenhuma tabela. E quando essas duas ci\u00eancias se encontram, surgem solu\u00e7\u00f5es que sozinho eu jamais teria imaginado.\u201d<\/p><p>O projeto cresceu, chegou a feiras de ci\u00eancias em escolas, foi implementado em hortas urbanas, inspirou parcerias e virou um livro:\u00a0<em>Ari\u00e1 \u2013 Um Alimento de Mem\u00f3ria Afetiva<\/em>, publicado pela Editora Inpa em coedi\u00e7\u00e3o com a Editora Valer. Ilustrado por Hadna Abreu, foi publicado em portugu\u00eas, ingl\u00eas e na l\u00edngua Tukano, de modo a alcan\u00e7ar povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais.\u00a0<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuando penso no futuro da Amaz\u00f4nia, n\u00e3o penso s\u00f3 na parte da tecnologia, mas tamb\u00e9m na escuta e em reconectar o que nunca deveria ter sido separado desde o in\u00edcio\u201d, acrescenta Eli Minev.\u00a0 \u201cA gente precisa lembrar que n\u00e3o existe futuro sustent\u00e1vel sem o passado. A ci\u00eancia ancestral \u00e9 a raiz da ci\u00eancia moderna \u2013 e s\u00e3o as ra\u00edzes que sustentam as \u00e1rvores mais altas da floresta\u201d.<\/p><\/blockquote><p>E n\u00e3o s\u00f3 as ra\u00edzes, mas toda a microbiota que existe na floresta. O bi\u00f3logo Arthur Silva, assessor da reitoria da Universidade Federal do Par\u00e1 e diretor t\u00e9cnico cient\u00edfico da BioTec-Amaz\u00f4nia, cita um estudo da Sociedade Americana de Microbiologia, em que um grupo de pesquisadores coletou amostras no solo de uma \u00e1rea preservada (pr\u00edstina) da Amaz\u00f4nia e identificou 60% de genes biossint\u00e9ticos relacionados a novas drogas ou potenciais f\u00e1rmacos, incluindo novos antibi\u00f3ticos.<\/p><p>Foi descoberta uma diversidade de rotas biossint\u00e9ticas de alto interesse, n\u00e3o somente para o Brasil, mas para a humanidade. Silva aponta que h\u00e1 uma car\u00eancia muito grande de medicamentos, ao mesmo tempo em que sempre se falou da Floresta Amaz\u00f4nica como um grande reposit\u00f3rio de mol\u00e9culas que pudessem ser usadas na medicina. Mas o Brasil conseguiu que apenas uma ou duas mol\u00e9culas fossem usadas na ind\u00fastria farmac\u00eautica e cosm\u00e9ticos.<\/p><p>\u201cIsso revela que estamos perdendo esse ativo biol\u00f3gico, justamente o que tem maior valor agregado dentro de todas as bioeconomias. N\u00e3o temos pessoas ou mesmo mecanismos para poder desenvolver uma ci\u00eancia de primeiro mundo na regi\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 somente equipamento que falta, mas sim um n\u00famero maior de pessoas envolvidas em prospec\u00e7\u00e3o ou bioprospec\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ele alerta que o Brasil est\u00e1 perdendo um ativo muito mais importante e valioso que o gado, a soja e a madeira retirada da floresta. \u201cNa verdade, nem sabemos o que estamos perdendo, o que \u00e9 pior ainda. Precisamos utilizar a tecnologia para fazer dessa biodiversidade um ativo. Mol\u00e9culas biotecnol\u00f3gicas s\u00e3o justamente o que precisamos para transformar essa Amaz\u00f4nia em uma sociedade tecnol\u00f3gica, como t\u00e3o bem falou a saudosa [ge\u00f3grafa] Bertha Becker [1930-2013]\u201d, lembra Arthur Silva.<\/p><\/blockquote><p>Com isso, ele lan\u00e7a uma vis\u00e3o de futuro na qual as economias baseiam-se na conserva\u00e7\u00e3o da natureza, tema do quinto e \u00faltimo ato da plen\u00e1ria.<\/p><p><strong>Ato V: Regenerar e produzir com a floresta<\/strong><\/p><p>Como produzir sem destruir e, mais que isso, como produzir regenerando a floresta? Essas respostas, cruciais para o presente e futuro, podem ser encontradas no passado, como mostra Noanny Maia, empreendedora de impacto e CEO da Cacauar\u00e9.<\/p><p>Poucas pessoas sabem, mas o cacau \u00e9 nativo da Amaz\u00f4nia, tendo surgido espontaneamente na floresta. Pesquisas em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos no Peru e no Equador revelam que h\u00e1 5 mil anos foi encontrada em cer\u00e2micas a teobromina, que \u00e9 o principal alcal\u00f3ide do cacau.\u00a0<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cIsso mostra que a floresta cont\u00e9m um conhecimento absurdo que foi muito mal explorado ao longo dos \u00faltimos mil\u00eanios. Os povos da Amaz\u00f4nia nunca separaram a produ\u00e7\u00e3o da regenera\u00e7\u00e3o. A floresta foi criada com manejo inteligente, com sistemas sofisticados, desde a terra preta, os quintais agroflorestais e os cons\u00f3rcios biodiversos. Hoje, falamos disso como se fosse inova\u00e7\u00e3o\u201d, diz Noanny Maia. \u201cEnt\u00e3o, acredito que a base da bioeconomia da Amaz\u00f4nia est\u00e1 realmente relacionada a sistemas produtivos que n\u00e3o destroem a floresta, porque n\u00e3o era assim que era feito no passado pela nossa popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p><\/blockquote><p>Ela assinala o desafio arqueol\u00f3gico de entender como se davam esses sistemas, visto que os nossos ancestrais n\u00e3o deixaram pistas, como outros povos deixaram as pir\u00e2mides \u2013 os nossos povos deixaram florestas, terras e culturas.\u00a0<\/p><p>N\u00e3o se sabe exatamente quando foi encontrado o cacau da Amaz\u00f4nia brasileira, mas se acredita que o fruto selvagem foi se arrastando pela bacia amaz\u00f4nica at\u00e9 alcan\u00e7ar\u00a0 terras brasileiras entre 5 mil e 7 mil anos atr\u00e1s. Em seguida, seu uso foi interculturalizado com as popula\u00e7\u00f5es nativas mesoamericanas, que o utilizavam tamb\u00e9m como um medicamento e elemento de conex\u00e3o espiritual com a cura. \u201cHoje, em 2025, oferecer a medicina do cacau \u00e9 uma forma de resist\u00eancia, \u00e9 recontar nossa hist\u00f3ria, \u00e9 regenerar\u201d, diz Maia, referindo-se ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cacauareamazonia.com\/ritual-do-cacau\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ritual do cacau<\/a>\u00a0oferecido por sua organiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Ela entende que a regenera\u00e7\u00e3o da floresta come\u00e7a, de fato, no reconhecimento da cadeia de valor, levando o protagonismo para as popula\u00e7\u00f5es primordiais, as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas e ribeirinhos.<\/p><p>Fazer a ponte entre passado e futuro \u00e9 tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o de Marcelo Salazar, cofundador da empresa Maz\u00f4 Man\u00e1. Durante o encontro da Concerta\u00e7\u00e3o, ele fala da comunidade Rio Novo, no Rio Iriri, na regi\u00e3o da Terra do Meio, uma regi\u00e3o emblem\u00e1tica da Amaz\u00f4nia que se localiza na fronteira do desmatamento. Em 2005, a grilagem grassava na regi\u00e3o, e a mission\u00e1ria e ativista socioambiental Dorothy Stang foi assassinada em Anapu (PA), a mando de fazendeiros.\u00a0<\/p><p>Ele lembra que era o primeiro ano do governo Lula, tendo Marina Silva ministra do Meio Ambiente e, naquela \u00e9poca, formou-se uma grande for\u00e7a-tarefa reunindo sociedade civil e o governo federal, o que resultou na cria\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos 20 anos, segundo Salazar, esse movimento foi acompanhado da implementa\u00e7\u00e3o de estruturas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e de um arranjo de economia da floresta chamado Rede Terra do Meio, que hoje comercializa mais de 14 produtos por meio de 40 contratos de venda, gerando aproximadamente R$ 4 milh\u00f5es de faturamento anual.<\/p><p>Olhando para esse retrospecto, h\u00e1 muito a celebrar, mas a quest\u00e3o \u00e9: o que ser\u00e1 de agora em diante? A gera\u00e7\u00e3o passada, a muito custo, conquistou a conserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, mas a gera\u00e7\u00e3o mais nova j\u00e1 nasceu no territ\u00f3rio conquistado e hoje tem outros anseios, olhando para o futuro de uma outra maneira.\u00a0<\/p><p>As conquistas, entretanto, n\u00e3o s\u00e3o permanentes. H\u00e1 uma escalada de press\u00f5es contra a agenda socioambiental, a atual conforma\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional \u00e9 muito desafiadora, e as confer\u00eancias do clima no \u00e2mbito das Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00e3o est\u00e3o conseguindo chegar a um bom termo, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao volume de financiamento necess\u00e1rio para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica.<\/p><blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Diante desse quadro que descreve, Marcelo Salazar v\u00ea sa\u00eddas na cria\u00e7\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios da floresta. \u201cExiste aqui uma\u00a0 juventude preparada e querendo experimentar coisas novas\u201d, afirma. Ele v\u00ea potencialidades ao se juntar o aprendizado de associa\u00e7\u00f5es e cooperativas com o investimento de impacto. E visualiza empresas com investidores e a comunidade como s\u00f3cia, em um modelo que una produtos e servi\u00e7os socioambientais.<\/p><\/blockquote><p>Mas ele ressalva que uma bioeconomia de produtos da floresta, por mais eficiente que seja, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente. \u00c9 preciso agregar a economia dos produtos \u00e0 economia dos servi\u00e7os socioambientais, sejam eles cr\u00e9dito de carbono e de biodiversidade, sejam instrumentos financeiros, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e outros mecanismos que ajudem a trazer uma camada extra de recursos para floresta (<em>mais sobre\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/pagina22.com.br\/2025\/04\/29\/tfff-o-que-e-como-funciona-e-para-quem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>TFFF nesta reportagem<\/em><\/a><em>\u00a0da P\u00e1gina22<\/em>).<\/p><p>\u201cEntendo que esses novos recursos n\u00e3o podem ser aterrissados em um modelo Bolsa Floresta, e sim por meio de um modelo que valorize o modo de vida e gere bem viver, agregando tecnologia aos processos, e adicionando valor a cada quilo de castanha, de baba\u00e7u, copa\u00edba, andiroba etc.\u201d, diz.<\/p><p>Como exemplo, ele mostra um centro de inova\u00e7\u00e3o em Rio Novo, que possui uma mini usina de processamento. L\u00e1 s\u00e3o processados castanha e baba\u00e7u, e est\u00e1 sendo desenvolvido um processo para desidratar frutas e utilizar na merenda escolar. \u201cO futuro mistura tecnologia, pol\u00edticas p\u00fablicas e novos mecanismos de gest\u00e3o e de financiamento\u201d, afirma.<\/p><p>\u201c\u00c9 preciso compreender a Amaz\u00f4nia como uma nova fronteira do conhecimento. Ela \u00e9 um laborat\u00f3rio vivo para a ci\u00eancia e um campo de inova\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, j\u00e1 dizia Bertha Becker, com v\u00e1rias de suas falas lidas durante a coda, o momento final da plen\u00e1ria. Todas elas t\u00e3o atuais como nunca: \u201cO saber local \u00e9 t\u00e3o importante quanto o saber cient\u00edfico. \u00c9 na combina\u00e7\u00e3o dos dois que poderemos pensar pol\u00edticas para a Amaz\u00f4nia. N\u00e3o se pode salvar a floresta sem salvar as pessoas que vivem nela. A floresta \u00e9 um territ\u00f3rio de produ\u00e7\u00e3o. O desafio \u00e9 faz\u00ea-la produzir sem destru\u00ed-la.\u201d<\/p><p>Com esses e outros pensamentos inspiradores, recitados por integrantes da Concerta\u00e7\u00e3o, a rede mostra que o primeiro passo para proteger a Amaz\u00f4nia \u2013 e a humanidade \u2013 \u00e9 se importar com ela. Foi com esse la\u00e7o que a Concerta\u00e7\u00e3o reuniu tanta gente nos \u00faltimos cinco anos. \u201cPrestar aten\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre o primeiro passo. S\u00f3 depois vem o canto, o zelo e quem sabe o amor. O que a floresta pede \u00e9 mais simples: a nossa aten\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu Airton Souza, poeta e professor paraense. Que venham muitos anos mais.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-440c903 elementor-widget elementor-widget-jet-listing-dynamic-link\" data-id=\"440c903\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"jet-listing-dynamic-link.default\">\n\t\t\t\t\t<a href=\"\" class=\"jet-listing-dynamic-link__link\" target=\"_blank\">Publica\u00e7\u00e3o original em P\u00e1gina 22<\/a>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":226,"featured_media":79494,"template":"","veiculo":[1625],"ano":[],"eixos":[],"class_list":["post-91943","plenarias","type-plenarias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","veiculo-pagina-22-en"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias"}],"about":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/plenarias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79494"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"veiculo","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/veiculo?post=91943"},{"taxonomy":"ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/ano?post=91943"},{"taxonomy":"eixos","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos?post=91943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}