{"id":91941,"date":"2026-04-09T02:54:18","date_gmt":"2026-04-09T05:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/plenaria\/as-porosidades-amazonicas-2\/"},"modified":"2026-04-09T02:54:18","modified_gmt":"2026-04-09T05:54:18","slug":"as-porosidades-amazonicas-2","status":"publish","type":"plenarias","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/plenaria\/as-porosidades-amazonicas-2\/","title":{"rendered":"As porosidades amaz\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"\t\t
\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t
\n\t\t
\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\"\"\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t
<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

Na grande floresta que n\u00e3o reconhece divisas, a regi\u00e3o lim\u00edtrofe do Pa\u00eds sofre com fragilidades estruturais, que permitem o avan\u00e7o do crime organizado e a sua conex\u00e3o a outras redes de ilegalidades presentes no territ\u00f3rio. Est\u00e3o em debate alternativas para desenvolver a bioeconomia, com lideran\u00e7a de ind\u00edgenas e ribeirinhos, junto \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional na Pan-Amaz\u00f4nia e ao fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o socioambiental<\/em><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t

Por S\u00e9rgio Adeodato<\/i><\/p>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t
<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t
\n\t\t\t\t\t
\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

A palavra \u201cfronteira\u201d \u00e9 rica em significados. Vai muito al\u00e9m da vis\u00e3o geopol\u00edtica como uma linha divis\u00f3ria entre pa\u00edses. N\u00e3o est\u00e1 restrita a uma quest\u00e3o meramente de soberania. Tampouco se resume a um ponto long\u00ednquo, remoto, isolado no mapa. A express\u00e3o diz respeito ao que est\u00e1 \u00e0 frente, em constru\u00e7\u00e3o \u2013 a tend\u00eancia do que h\u00e1 de mais novo na ci\u00eancia, na tecnologia, no conhecimento. Envolve modernidade, mas tamb\u00e9m representa a for\u00e7a \u2013 ou a vulnerabilidade \u2013 daquilo que est\u00e1 no limite extremo. \u00c9 um lugar de trocas e conex\u00f5es entre os dois lados, de interculturalidades.<\/p>

Na Amaz\u00f4nia, o conceito de fronteira abrange tudo isso em um quadro socioambiental complexo, que incorpora um aspecto fronteiri\u00e7o chamado por pesquisadores de \u201cporosidade\u201d. \u00c9 a caracter\u00edstica de apresentar vazios que permitem livre fluidez na grande floresta que n\u00e3o reconhece divisas. Junto a isso, em cen\u00e1rio de riscos e oportunidades, a \u201cfronteira\u201d assume o significado tamb\u00e9m de trincheira, ou laborat\u00f3rio de solu\u00e7\u00f5es para prote\u00e7\u00e3o socioambiental.<\/p>

Nesse contexto, quais s\u00e3o os caminhos para maior presen\u00e7a do Estado na regi\u00e3o amaz\u00f4nica de fronteira? Como dinamizar a bioeconomia em alternativa \u00e0 ilegalidade? Qual a estrat\u00e9gia para conciliar conserva\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9, renda e direitos de povos ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, sem o ass\u00e9dio de atividades predat\u00f3rias?<\/p>

\u201cN\u00e3o vemos a fronteira s\u00f3 como uma linha que separa pa\u00edses, mas como local de coordena\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os para melhorar a vida das pessoas\u201d, afirma o general Costa Neves, comandante do Comando Militar da Amaz\u00f4nia (CMA), um dos convidados da rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia para debater essas e outras quest\u00f5es em plen\u00e1ria, no dia 28 de abril.\u00a0<\/p>

Com o tema \u201cPorosidades Amaz\u00f4nicas\u201d, o debate tamb\u00e9m tem a participa\u00e7\u00e3o de Taciana de Carvalho Coutinho, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do Instituto Natureza e Cultura, em Benjamin Constant (AM); de Beto Marubo, membro Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Unijava); de Aiala Couto, presidente do Instituto M\u00e3e Crioula; e de Beatriz de Almeida Matos, diretora do Departamento de Povos Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas (MPI).<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

Realidades desafiadoras<\/b><\/h3>\nInspirado por pain\u00e9is da artista ind\u00edgena Rita Huni Kui, com pinturas de figuras femininas que representam for\u00e7as ancestrais da sua etnia, no Acre, o encontro descortina realidades amaz\u00f4nicas desafiadoras. Dos 9,9 mil quil\u00f4metros de fronteira do Pa\u00eds, 59% est\u00e3o na Amaz\u00f4nia Legal, com sinais de alerta sobre o futuro de toda a regi\u00e3o. \t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t

\n\t\t\t\t\u201cGarimpo ilegal, tr\u00e1fico de armas e drogas, biopirataria, pesca predat\u00f3ria, contrabando, tr\u00e1fico humano, imigra\u00e7\u00e3o ilegal, desmatamento e grilagem de terras s\u00e3o amea\u00e7as crescentes\u201d, enumera o general Costa Neves. \u201cFronteiras porosas e extensas servem como base de uma esp\u00e9cie de \u2018ecossistema do crime\u2019 que perpetua devasta\u00e7\u00e3o, mis\u00e9ria e viol\u00eancia.\u201d.<\/i>\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/blockquote>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

\u00a0<\/p>

O quadro convive com a riqueza da alta diversidade biol\u00f3gica e cultural. Na regi\u00e3o da tr\u00edplice fronteira entre Brasil, Peru e Col\u00f4mbia, por exemplo, h\u00e1 alta concentra\u00e7\u00e3o de povos ind\u00edgenas e ribeirinhos, com diferentes culturas e saberes tradicionais que nutrem o potencial de uma economia baseada no uso sustent\u00e1vel da biodiversidade.\u00a0<\/p>

No cora\u00e7\u00e3o da Pan-Amaz\u00f4nia, formada por nove pa\u00edses que abrangem o bioma no continente, as problem\u00e1ticas da regi\u00e3o fronteiri\u00e7a brasileira envolvem a demanda das for\u00e7as de seguran\u00e7a, das inst\u00e2ncias de coopera\u00e7\u00e3o internacional, academia e movimentos sociais, no contexto da import\u00e2ncia das florestas \u2013 e dos povos que nela vivem \u2013 no enfrentamento da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>

\u201cNossas linhas de fronteira caracterizam um d\u00e9ficit de soberania, com gargalos que retratam uma baixa presen\u00e7a de atores do Estado e um entorno estrat\u00e9gico como um dos maiores centros produtores de droga do mundo. S\u00e3o linhas de fratura que comprometem a seguran\u00e7a e a defesa do Pa\u00eds\u201d, reconhece o general.<\/p>

O Comando Militar da Amaz\u00f4nia possui uma estrutura de quase 20 mil homens e mulheres, como 8,8 mil soldados em 23 pelot\u00f5es especiais de fronteira. Em 2024, foram realizadas 587 a\u00e7\u00f5es de reconhecimento nas faixas de fronteira, com 50 opera\u00e7\u00f5es de grande vulto, a exemplo da ocorrida na Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami, a maior do Pa\u00eds, em Roraima, em conjunto com v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os federais. Na TI Vale do Javari, a segunda maior, com 92 mil km\u00b2, a incurs\u00e3o militar estendeu-se por 246 dias, no total de 10 mil quil\u00f4metros de navega\u00e7\u00e3o e inspe\u00e7\u00e3o nos rios.<\/p>

\u201c\u00c9 essencial fortalecer institui\u00e7\u00f5es do Estado brasileiro na seguran\u00e7a p\u00fablica e na prote\u00e7\u00e3o ambiental e ind\u00edgena, para chegarmos \u00e0 altura do desafio\u201d, afirma Costa Neves. Ele refor\u00e7a que somente pelo di\u00e1logo e pela conjun\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os haver\u00e1 resultados positivos para uma maior percep\u00e7\u00e3o de pertencimento na regi\u00e3o de fronteira, inclusive com vistas \u00e0 bioeconomia. \u201cFalamos muito do valor da floresta em p\u00e9 [US$ 210 bilh\u00f5es por ano, segundo a FGV Eaesp), e devemos fazer esse potencial retornar [em benef\u00edcios] para a Amaz\u00f4nia\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

Inova\u00e7\u00e3o, criatividade e ancestralidade<\/b><\/h3>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\n\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t

\n\t\t\t\tMas Taciana Coutinho, da Ufam, enfatiza que \u201cn\u00e3o adianta chegar com projetos mirabolantes de cima para baixo que acabam abandonados, frustrando as esperan\u00e7as de quem busca alternativas de renda\u201d. Em regi\u00e3o de alta diversidade, a estrat\u00e9gia \u00e9, segundo ela, desenvolver uma nova economia baseada na inova\u00e7\u00e3o e criatividade, unindo tecnologia e saberes tradicionais. <\/i>\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/blockquote>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

\u00a0<\/p>

\u201cVivo a ang\u00fastia profissional de ver alunos rec\u00e9m-formados (65% ind\u00edgenas) na dif\u00edcil busca de oportunidades\u201d, lamenta Coutinho, h\u00e1 16 anos estudando as din\u00e2micas sociais e ambientais na tr\u00edplice-fronteira. \u201cTrata-se de um lugar \u00fanico de circula\u00e7\u00e3o livre, onde a fluidez marca identidades culturais e pr\u00e1ticas sociais que se entrela\u00e7am em uma conviv\u00eancia muito complexa.\u201d<\/p>

Na an\u00e1lise da pesquisadora, essas porosidades revelam fragilidades estruturais que caracterizam \u201c3 is\u201d presentes no cotidiano da regi\u00e3o: ilegalidade, irregularidade e informalidade que atinge mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa e se reflete em impactos sociais, com ingresso de jovens em atividades ilegais, apesar da infraestrutura acad\u00eamica l\u00e1 existente.<\/p>

Nesta regi\u00e3o fronteiri\u00e7a h\u00e1 mais de 100 pesquisadores (mestres e doutores) na Ufam, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e institui\u00e7\u00f5es privadas. \u201cQueremos conectar ci\u00eancia e tecnologia e comunidades e seus saberes tradicionais como dinamizadores da fronteira, mantendo a floresta em p\u00e9, com menor depend\u00eancia das ilegalidades\u201d, pondera Coutinho, \u00e0 frente do projeto do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional para implanta\u00e7\u00e3o do Parque Tecnol\u00f3gico e Cient\u00edfico do Alto Solim\u00f5es.\u00a0<\/p>

Do uso de drones para mapeamento da floresta ao estudo de cadeias da bioeconomia mais produtivas, o objetivo \u00e9 identificar oportunidades e benef\u00edcios a partir do que as comunidades t\u00eam em seus territ\u00f3rios, sem querer reinventar a roda. Em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os pesquisadores mapearam prioridades: agricultura sustent\u00e1vel baseada em frutos nativos, pesca e turismo de base comunit\u00e1ria.\u00a0<\/p>

Segundo Coutinho, embora exista uma rede acad\u00eamica na regi\u00e3o, \u00e9 preciso vencer precariedades de infraestrutura, como melhor conex\u00e3o \u00e0 internet, que s\u00f3 chegou \u00e0 regi\u00e3o nos \u00faltimos tr\u00eas anos. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o viv\u00edamos no apag\u00e3o digital, um atraso de quatro a cinco d\u00e9cadas em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo\u201d, lamenta a pesquisadora.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

Territ\u00f3rio emergente<\/b><\/h3>

Florestas n\u00e3o reconhecem fronteiras e, nesta regi\u00e3o, a vida cotidiana retrata a integra\u00e7\u00e3o de culturas: \u201cNo lado brasileiro, \u00e9 comum ter na mesa o caf\u00e9 colombiano e a batata peruana\u201d, ilustra a pesquisadora. Ela observa que h\u00e1 uma intensa din\u00e2mica de trocas, por\u00e9m falta \u201ctrabalhar o processo de governan\u00e7a entre os pa\u00edses da Pan-Amaz\u00f4nia com abordagem no desenvolvimento territorial\u201d.\u00a0<\/p>

Existem 125 cidades na faixa de fronteira internacional da Amaz\u00f4nia Legal, conforme\u00a0publica\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0da Concerta\u00e7\u00e3o. Dez delas s\u00e3o fruto da jun\u00e7\u00e3o de cidades de pa\u00edses diferentes que cresceram uma em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outra. Esse fen\u00f4meno de conurba\u00e7\u00e3o \u00e9 indicativo da import\u00e2ncia do papel que essas cidades g\u00eameas desempenham. Suas \u00e1reas urbanas possuem um car\u00e1ter geopol\u00edtico estrat\u00e9gico como n\u00facleos articuladores em diferentes escalas.\u00a0<\/p>

Na an\u00e1lise de Beto Marubo, da Unijava, \u201co dilema \u00e9 como somar for\u00e7as para proteger a fronteira e garantir direitos e condi\u00e7\u00f5es dignas de vida, frente ao crescimento do crime organizado\u201d. Ele relata n\u00famero cada vez maior de assaltos por a\u00e7\u00f5es piratas nos rios e brigas entre fac\u00e7\u00f5es j\u00e1 presentes nas aldeias, em regi\u00e3o que esteve sob os holofotes globais como local do assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips, em 2022.<\/p>

\u201cCom a criminalidade em alta, e as comunidades acuadas, n\u00e3o h\u00e1 como pensar a bioeconomia. S\u00e3o cerca de 7 mil ind\u00edgenas crescendo e constituindo fam\u00edlia e o \u00eaxodo para as cidades \u00e9 uma realidade\u201d, aponta Marubo.<\/p>

Ele lembra que s\u00e3o muito diferentes as formas de combater o crime organizado no Rio de Janeiro e na fronteira amaz\u00f4nica, e que esta regi\u00e3o est\u00e1 no caminho da Col\u00f4mbia, onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acessar \u00e1reas dominadas pelo tr\u00e1fico. \u201cEsse ser\u00e1 nosso inferno futuro se provid\u00eancias n\u00e3o forem tomadas. Podemos perder o Pa\u00eds para a criminalidade, cada vez mais organizada, enquanto o Estado brasileiro mostra grande letargia e lentid\u00e3o\u201d, adverte a lideran\u00e7a ind\u00edgena.<\/p>

O N\u00facleo de Estudos Socioambientais do Amazonas (Nesam), localizado em Tabatinga (AM), mapeou as formas de criminalidade na fronteira, e a participa\u00e7\u00e3o de interlocutores locais ind\u00edgenas permitiu configurar a viol\u00eancia resultante da explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais em \u00e1reas protegidas, conforme detalhes publicados em\u00a0estudo<\/a>\u00a0do Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (Ipea).<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

Conhecimento ind\u00edgena <\/b><\/h3>

Uma estrat\u00e9gia para o Brasil nesta guerra, concorda Marubo, \u00e9 usar como arma o pr\u00f3prio conhecimento ind\u00edgena sobre os territ\u00f3rios. A Unijava criou equipe de vigil\u00e2ncia ind\u00edgena na perspectiva de qualificar as informa\u00e7\u00f5es \u2013 cartogr\u00e1ficas, log\u00edsticas etc.\u2013 fornecidas para as autoridades agirem.\u00a0 \u201cFoi uma atitude que tivemos no desespero, porque isso n\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade nossa, mas do Estado brasileiro\u201d, explica.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t

\n\t\t\t\tSe o Pa\u00eds continuar vendo Terra Ind\u00edgena como atraso e amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional, n\u00e3o chegaremos a lugar algum, enquanto o crime organizado j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 nas aldeias oferecendo barco, arroz, sal e farinha para os nossos parentes, o que \u00e9 muito preocupante\u201d\u201d<\/i>, afirma Marubo.<\/i>\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/blockquote>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

\u00a0<\/p>

No Vale do Javari localiza-se a maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00edndios isolados do mundo. Entre as medidas para virar o jogo em favor das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, segundo ele, est\u00e1 o fortalecimento da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai), com recupera\u00e7\u00e3o de bases operacionais hoje em ru\u00ednas. \u00c9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, ressaltar a import\u00e2ncia do Ex\u00e9rcito como \u201c\u00fanica institui\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, com\u00a0expertise<\/em>, estrutura e log\u00edstica para enfrentar o desafio \u00e0 altura\u201d. No entanto, h\u00e1 car\u00eancia de dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para atuar na vigil\u00e2ncia permanente na regi\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 em opera\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, diz Marubo.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

Necessidade de integrar for\u00e7as<\/b><\/h3>

Para Beatriz Matos, do (MPI), n\u00e3o falta vontade pol\u00edtica do atual governo, mas sim recursos financeiros e uma maior integra\u00e7\u00e3o entre as diferentes for\u00e7as de seguran\u00e7a e a Funai, que conhece os territ\u00f3rios de forma mais profunda e dialoga com comunidades ind\u00edgenas. O Plano de Prote\u00e7\u00e3o Territorial do Vale do Javari, a ser divulgado em breve pelo MPI, prev\u00ea prioridades para a \u00e1rea e caminhos na reconstru\u00e7\u00e3o do que foi desmantelado nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t

\n\t\t\t\t\u201cO discurso da Amaz\u00f4nia aberta \u00e0 explora\u00e7\u00e3o como garantia de soberania s\u00f3 fragilizou a seguran\u00e7a nacional frente ao crime organizado\u201d<\/i>, afirma Beatriz Matos.<\/i>\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/blockquote>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

\u00a0<\/p>

No Par\u00e1, h\u00e1 64 comunidades quilombolas com presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es criminosas, segundo Aiala Couto, do M\u00e3e Crioula, que mapeia os direitos territoriais nessas \u00e1reas. Ao Norte, no Amap\u00e1, a fronteira com a Guiana Francesa funciona como porta de sa\u00edda de drogas, ouro e madeira contrabandeada, tendo o Par\u00e1 como grande corredor para abastecer mercados externos.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t
\n\t\t\t

\n\t\t\t\t\u201cA l\u00f3gica do capital representada por atividades ilegais se sobrep\u00f5e ao modo de vida das comunidades\u201d, ressalta Aiala Couto. De acordo com ele, \u201co maior problema para a seguran\u00e7a regional \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 de fato uma fronteira e seu papel nas conex\u00f5es que marcam as realidades da Amaz\u00f4nia\u201d.<\/i>\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/blockquote>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t

\u00a0<\/p>

O pesquisador adverte que, diante da atual pol\u00edtica americana de repress\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 o deslocamento do tr\u00e1fico de drogas para o mercado europeu e africano, tendo o Brasil \u2013 e a Amaz\u00f4nia \u2013 como rota estrat\u00e9gica. Em regi\u00e3o de grande complexidade, diz Couto, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o partir\u00e1 do Estado como uma varinha m\u00e1gica, mas dos povos ancestrais, com suporte \u00e0 bioeconomia aliada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o territorial. \u201cDificilmente quilombolas e ribeirinhos seriam cooptados pelo crime organizado se tivessem condi\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias de bem-viver\u201d.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

\n\t\t\t\t\tPublica\u00e7\u00e3o original em P\u00e1gina 22<\/a>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":226,"featured_media":0,"template":"","veiculo":[],"ano":[],"eixos":[],"class_list":["post-91941","plenarias","type-plenarias","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias"}],"about":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/plenarias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91941\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"veiculo","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/veiculo?post=91941"},{"taxonomy":"ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/ano?post=91941"},{"taxonomy":"eixos","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos?post=91941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}