{"id":91938,"date":"2026-04-09T02:54:18","date_gmt":"2026-04-09T05:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/plenaria\/producao-agropecuaria-e-conservacao\/"},"modified":"2026-04-09T02:54:18","modified_gmt":"2026-04-09T05:54:18","slug":"producao-agropecuaria-e-conservacao","status":"publish","type":"plenarias","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/plenaria\/producao-agropecuaria-e-conservacao\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e conserva\u00e7\u00e3o nas Amaz\u00f4nias: um di\u00e1logo poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"91938\" class=\"elementor elementor-91938 elementor-64128\" data-elementor-post-type=\"plenarias\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d986a94 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"d986a94\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-19ff292 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"19ff292\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>O relato de experi\u00eancias durante plen\u00e1ria de Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia mostra como a inclus\u00e3o dos produtores rurais e sua indu\u00e7\u00e3o \u00e0s melhores pr\u00e1ticas s\u00e3o fundamentais para gerar renda com prote\u00e7\u00e3o do clima e da biodiversidade<\/em><\/h4><p><strong><em>Por Am\u00e1lia Safatle<\/em><\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3aa175f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3aa175f\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Alaion Lacerda \u00e9 um agricultor, natural do munic\u00edpio paraense de Pacaj\u00e1, no Par\u00e1, onde a ocupa\u00e7\u00e3o populacional esteve intimamente ligada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica nos anos 1970. \u201cEu nasci e cresci vendo meus pais cultivarem a terra. E isso foi o que aprendi. Quem era apossado nos lotes tinha a obriga\u00e7\u00e3o de desmatar, fazer o benef\u00edcio, porque sen\u00e3o tinha essa lei [em que a terra] era tomada e passada para outro poder trabalhar. E a terra era de onde a gente tirava o sustento, fazendo pequenas ro\u00e7as. A gente plantava arroz, feij\u00e3o e mandioca para fazer a farinha\u201d, relata o produtor de pequena escala. Seus seis irm\u00e3os deixaram a zona rural em busca de estudos e empregos na cidade, enquanto foi no campo que Lacerda viveu seu maior aprendizado.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2174560 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2174560\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Ele conta que, com o passar dos anos, as matas foram diminuindo. Sem assist\u00eancia t\u00e9cnica, equipamentos, m\u00e1quinas e tecnologia para trabalhar, enfrentou muitas dificuldades. At\u00e9 que a Funda\u00e7\u00e3o Solidariedad, que atua na sustentabilidade de cadeias agropecu\u00e1rias e inclus\u00e3o de produtores rurais, chegou na regi\u00e3o e permitiu a ele desenvolver melhores pr\u00e1ticas produtivas. Lacerda hoje trabalha com gado e cacau no assentamento Tuer\u00ea em Novo Repartimento \u2013 uma cidade desmembrada de Pacaj\u00e1 que descobriu a voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para essas atividades agropecu\u00e1rias.<\/p><p>Por meio de um experimento promovido pelo Fundo JBS Amaz\u00f4nia, parceiro da Solidariedad, a propriedade de Lacerda passou a aplicar uma t\u00e9cnica de pastejo rotacionado, evitando a derrubada da floresta para abertura de novas \u00e1reas.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9e09268 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"9e09268\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p style=\"text-align: left;\">\u201cCom a chegada da assist\u00eancia t\u00e9cnica, eu posso muito bem trabalhar em uma \u00e1rea bem menor e cultivar a terra de uma forma mais sustent\u00e1vel, para poder criar um n\u00famero de animais at\u00e9 maior, e n\u00e3o mexer nas reservas que a gente ainda tem\u201d, diz Alaion Lacerda.<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a0535df elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a0535df\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>A cria\u00e7\u00e3o bovina \u00e9 combinada com o cultivo de cacaueiros, que promovem sombreamento para os animais, aumentando sua produtividade.<\/p><p>\u201cHoje, eu represento a minha fam\u00edlia. Os meus irm\u00e3os retornaram [da cidade] e agora a gente trabalha junto\u201d, diz ele. Mais que a fam\u00edlia, Lacerda representa milhares de produtores rurais na Amaz\u00f4nia. \u201cV\u00e1rios produtores que visitam a nossa propriedade passam a conhecer as boas pr\u00e1ticas que a gente tem adotado. Eles aprendem e implementam [em suas propriedades] tamb\u00e9m, o que tem reduzido muito o desmatamento [na regi\u00e3o].\u201d<\/p><p>Mesmo assim, \u201ca gente \u00e9 muito mal visto\u201d, lamenta. \u201cSomos n\u00f3s que vivemos na Amaz\u00f4nia e dependemos da terra para tirar o sustento. Quem vive l\u00e1 fora n\u00e3o sabe da nossa realidade aqui e nos v\u00ea como vil\u00f5es. Mas, na verdade, somos batalhadores na tentativa de sobreviv\u00eancia\u201d, afirma.\u00a0<\/p><p>O depoimento de Alaion Lacerda ilustra muito bem a complexidade do encontro \u201cAs agropecu\u00e1rias nas Amaz\u00f4nias\u201d, promovido online em 14 de outubro pela plen\u00e1ria da rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia, reunindo cerca de 110 pessoas. Al\u00e9m do agricultor, participaram do encontro Caio Penido, presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) e membro fundador da Liga do Araguaia, movimento do Instituto Agro-Agroambiental Araguaia; Maxiely Scaramussa Bergamin, produtora rural, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas e idealizadora do movimento Rural Delas; e Renata Miranda, assessora de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p><p>O di\u00e1logo, com media\u00e7\u00e3o de Marcello Brito, coordenador do Centro Global Agroambiental da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, foi pontuado por refer\u00eancias art\u00edsticas que revelam como a cultura na regi\u00e3o \u00e9 permeada pela tradi\u00e7\u00e3o do vaqueiro e do agricultor nas suas mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es \u2013 do<a href=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/galeria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0boi bumb\u00e1<\/a>\u00a0retratado pelo fot\u00f3grafo matogrossense<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/raireis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0Rai Reis<\/a>\u00a0\u00e0 moda de viola sertaneja que embalou o in\u00edcio da plen\u00e1ria ao som de\u00a0<em>Viola e Rodeio<\/em>, tocada por Os Violeiros da Amaz\u00f4nia no programa Viola Minha Viola, da TV Cultura, em 1997.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7cb2eec elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"7cb2eec\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Realidade dos pequenos produtores<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-60fbfe1 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"60fbfe1\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u201cO Alaion \u00e9 um pequeno produtor que participou de um processo pelo qual hoje tem acesso a uma assist\u00eancia t\u00e9cnica e a uma estrutura produtiva \u2013 mas essa n\u00e3o \u00e9 a realidade de outros 700 mil pequenos produtores da Amaz\u00f4nia\u201d, frisa Brito. Segundo ele, a pequena agricultura da Amaz\u00f4nia \u00e9 t\u00e3o abandonada e desassistida que, dos quase 900 mil assentados da reforma agr\u00e1ria na regi\u00e3o amaz\u00f4nica nos \u00faltimos 30 anos, hoje cerca de 120 mil lotes est\u00e3o abandonados. s pessoas simplesmente desistiram e foram embora, pois n\u00e3o lhes foi dado conhecimento, acesso a mercado e condi\u00e7\u00f5es dignas para que eles se desenvolvessem l\u00e1 dentro.<br \/><br \/>Essa situa\u00e7\u00e3o, diz Brito, vai al\u00e9m dos assentados. envolve ribeirinhos, quilombolas e fam\u00edlias extrativistas. Somados, s\u00e3o milh\u00f5es de pequenos produtores em atividades que v\u00e3o da mandioca ao a\u00e7a\u00ed, do cupua\u00e7u \u00e0 pecu\u00e1ria.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3d782b5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3d782b5\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>Uma das consequ\u00eancias da falta de alternativas de renda \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o das pessoas para atividades prejudiciais ao ambiente, como o desmatamento e o garimpo predat\u00f3rio, al\u00e9m da coopta\u00e7\u00e3o pelo crime organizado que se expande nas diversas Amaz\u00f4nias. \u00c9 elementar, portanto, que o apoio a atividades produtivas com as melhores pr\u00e1ticas socioambientais seja o caminho para o desenvolvimento da regi\u00e3o amaz\u00f4nica<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-36381ad elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"36381ad\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Sistemas inclusivos<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8a8497b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"8a8497b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Na vis\u00e3o de Renata Miranda, da Embrapa, a chave para esse desenvolvimento est\u00e1 nos sistemas econ\u00f4micos inclusivos. Em outras palavras, significa olhar cada vez mais para as pessoas, de modo que sejam inclu\u00eddas \u2013 e n\u00e3o expulsas \u2013 em atividades produtivas mais sustent\u00e1veis.<strong>\u00a0<\/strong>Segundo ela, a vulnerabilidade social leva \u00e0 informalidade e \u00e0 ilegalidade, gerando danos reputacionais para as atividades produtivas como a agropecu\u00e1ria, e fazendo com que a regi\u00e3o amaz\u00f4nica agrave o desequil\u00edbrio clim\u00e1tico e a perda da biodiversidade, em vez de se colocar como uma solu\u00e7\u00e3o para essas crises.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8696fc7 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"8696fc7\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>Por isso, Miranda entende que, antes de debater a transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica necess\u00e1ria para a atividade agropecu\u00e1ria enfrentar a crise do clima, ser\u00e1 preciso falar de um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico inclusivo com uma vis\u00e3o territorial, ou seja, que considere o uso e ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico.<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3f456c6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3f456c6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Nesse sentido, a secret\u00e1ria-executiva da Concerta\u00e7\u00e3o, L\u00edvia Pagotto, observa que esta plen\u00e1ria vem no esteio da anterior, que abordou as Amaz\u00f4nias pelo olhar da paisagem. As agropecu\u00e1rias fazem parte da paisagem da regi\u00e3o \u2013 a abordagem da paisagem considera que pessoas, espa\u00e7o e tempo se interrelacionam em uma constru\u00e7\u00e3o social subjetiva. Como cada pessoa tem uma rela\u00e7\u00e3o diferente com uma paisagem, torna-se poss\u00edvel perceber as diferentes facetas de uma mesma realidade, compreender a sua complexidade e aprender a lidar com ela. \u201cAgropecu\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um sistema de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito mais do que isso\u201d, diz.<\/p><p>Que o diga Maxiely Scaramussa Bergamin, uma mulher \u00e0 frente da chamada agricultura regenerativa em um dos munic\u00edpios mais conhecidos pelo desmatamento no passado. Paragominas, a 300 km de Bel\u00e9m, era a segunda cidade madeireira do mundo, quando foi alvo da opera\u00e7\u00e3o Arco de Fogo em 2008. Tratava-se de uma pol\u00edtica de comando e controle do governo federal para combater o desmatamento ilegal e que, segundo ela, desencadeou uma mudan\u00e7a no perfil produtivo do local para a agricultura.<\/p><p>Scaramussa conta que at\u00e9 hoje t\u00eam sido colhidos frutos do projeto Pecu\u00e1ria Verde, implantado em 2010 com patroc\u00ednio da Vale, voltado a boas pr\u00e1ticas socioambientais, como manejo de pastagens e cuidado com os colaboradores, ampliando a renda das propriedades rurais.<\/p><p>Hoje, Paragominas \u00e9 a 60\u00aa cidade brasileira mais rica no agroneg\u00f3cio, com o segundo maior rebanho do Brasil, ao mesmo tempo em que tem ampliado a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cO munic\u00edpio hoje tem 68% de Reserva Legal. E n\u00f3s aumentamos tamb\u00e9m o IDH e a renda\u00a0<em>per capita<\/em>, um trabalho que conta com o envolvimento muito grande do sindicato rural [dos produtores]\u201d, diz ela, que preside a organiza\u00e7\u00e3o desde 2021.<\/p><p>Uma das propostas mais abra\u00e7adas no sindicato \u00e9 o projeto Rural Delas, criado por ela h\u00e1 dois anos e meio para levar apoio social, financeiro e emocional a\u00a0 mulheres ligadas ao agroneg\u00f3cio, seja no ambiente rural seja no urbano \u2013 desde a copeira at\u00e9 a gerente geral, passando por aquela que est\u00e1 no maquin\u00e1rio. Segundo Scaramussa, quase mil mulheres j\u00e1 foram impactadas por meio de<em>\u00a0workshops<\/em>, encontros de rodas de conversa e cursos do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-488a5dd elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"488a5dd\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>\u201cEm nosso primeiro encontro, trabalhamos muito a necessidade de uni\u00e3o entre mulheres, buscando a ideia de cooperativismo e de colabora\u00e7\u00e3o, em vez de competi\u00e7\u00e3o\u201d, diz Maxiely Scaramuss<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fbe2ba5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fbe2ba5\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Um dos programas do projeto Rural Delas \u2013 o Elas no Campo \u2013 procura levar sa\u00fade f\u00edsica e emocional para essas mulheres, pois foi poss\u00edvel observar a falta de amparo quando estavam no campo, sem acesso a consultas m\u00e9dicas, nem a exames peri\u00f3dicos. Muitas tamb\u00e9m sofriam agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas. O projeto, em parceria com a Suzano, procura dar sustenta\u00e7\u00e3o a essas mulheres, para que possam trabalhar. \u201cMuitas s\u00e3o o esteio da casa, sustentando cinco, seis, sete pessoas da fam\u00edlia. E essa mulher precisa estar bem para poder trabalhar e se desenvolver\u201d, afirma.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ec4d72a elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"ec4d72a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Maturidade no debate\n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-092de8a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"092de8a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Hist\u00f3rias como as relatadas por Alaion Lacerda e Maxiely Scaramussa mostram como as complexas rela\u00e7\u00f5es entre produ\u00e7\u00e3o de alimentos no campo, mudan\u00e7a no uso na terra e o bem-estar das pessoas exigem um debate mais orientado para a transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da agropecu\u00e1ria, no que na polariza\u00e7\u00e3o entre os chamados \u201cruralistas\u201d e os ambientalistas.<br \/><br \/>Buscando essa sensibiliza\u00e7\u00e3o, Brito prop\u00f4s na plen\u00e1ria um exerc\u00edcio de olhar para o que cada participante usava no momento. De roupas a sapatos, de \u00f3culos a celulares e computadores, ele lembrou que todas pessoas s\u00e3o muito dependentes de tudo que \u00e9 minerado ou produzido na terra. Transformar o modo como produzir esses recursos \u00e9 uma quest\u00e3o desafiadora, que somente ser\u00e1 respondida por meio do di\u00e1logo.<\/p><p>\u201cO modelo implementado nesses \u00faltimos 30, 40 anos trouxe sucesso em uma s\u00e9rie de \u00e1reas. Uma revolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de alimentos foi feita. De agora em diante, precisamos evoluir nessa revolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz Brito, que enumera algumas quest\u00f5es. De que tipo de agricultura precisamos para retomar o processo de recupera\u00e7\u00e3o dos mananciais de \u00e1gua e melhorar a pegada h\u00eddrica no Brasil? Que tipo de agricultura precisa ser implementada para recuperar a biodiversidade?<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-aebbc94 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"aebbc94\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>\u201cN\u00f3s j\u00e1 sabemos, por exemplo, que cultivos feitos pr\u00f3ximos \u00e0s zonas de Reserva Legal e florestas t\u00eam muito menos incid\u00eancia de pragas e doen\u00e7as e s\u00e3o mais produtivos. A mesma coisa se d\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o de carne e leite em pastagens sombreadas. Nosso objetivo aqui \u00e9 que todos sejam ganhadores atrav\u00e9s deste di\u00e1logo\u201d, diz Marcello Brito<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-afab104 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"afab104\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Vis\u00f5es entrela\u00e7adas\n\n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-248b020 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"248b020\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Caio Penido, do Imac e da Liga do Araguaia, fala do munic\u00edpio de Quer\u00eancia (MT), no Xingu, onde o bioma amaz\u00f4nico se encontra e mistura com o Cerrado. Nessas matas de transi\u00e7\u00e3o, ele sabe a import\u00e2ncia de entrela\u00e7ar vis\u00f5es diferentes. \u201cAqui, a gente faz um pouco esse papel de meio de caminho. Sempre estou mediando o di\u00e1logo entre os produtores e os ambientalistas, e \u00e0s vezes s\u00e3o produtores ambientalistas, \u00e0s vezes s\u00e3o ambientalistas produtores, ent\u00e3o \u00e9 uma mistura\u201d, diz.<\/p><p>Penido conheceu a Amaz\u00f4nia aos dez anos de idade, depois que o av\u00f4 comprou uma fazenda em 1978. Naquela \u00e9poca, o governo incentivava a ocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o por meio da Superintend\u00eancia para o Desenvolvimento da Amaz\u00f4nia (Sudam). \u201cPessoas com empresas em S\u00e3o Paulo tinham um benef\u00edcio fiscal: em vez de pagar imposto, investiam na Amaz\u00f4nia com o compromisso de desmatar e criar infraestrutura. Voc\u00ea s\u00f3 conseguia o t\u00edtulo da terra se fosse bem-sucedido na empreitada\u201d, conta ele.<\/p><p>Assim foram criadas as cidades Sinop, Sorriso, Quer\u00eancia, \u00c1gua Boa \u2013 todas com o que ele chama de coloniza\u00e7\u00e3o privada, atraindo muitos colonos ga\u00fachos, catarinenses, paranaenses, que foram para l\u00e1 com o sonho de ocupar uma terra maior.<\/p><p>Era uma \u00e9poca de ocupa\u00e7\u00e3o intensiva, desmatamento e experimentos. \u201cAchava-se que a Quer\u00eancia ia para a pecu\u00e1ria, com isso se desmatou muita terra \u00e0 beira dos rios para servir de aguada [para o gado]\u201d, conta. Depois que a voca\u00e7\u00e3o do local virou para a agricultura, havia muitas terras onde era preciso restaurar \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP), de modo a atender \u00e0s crescentes exig\u00eancias socioambientais, previstas em lei e simbolizadas por movimentos como as morat\u00f3rias da carne e da soja.\u00a0<\/p><p>\u201cDe um dia para o outro, quem tinha alguma irregularidade [na propriedade] n\u00e3o conseguia vender para as ind\u00fastrias. Quer\u00eancia estava na lista do Arco do Desmatamento, ent\u00e3o foi objeto da minha primeira grande mobiliza\u00e7\u00e3o, que juntou o sindicato rural, prefeitura, ONGs e produtores, todos engajados para tirar o munic\u00edpio da lista.\u201d Constar na lista trazia dificuldades de financiamento, mas principalmente danos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fd86ec5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fd86ec5\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>\u201cVi que dava para ter esse meio do caminho entre pessoas que est\u00e3o dispostas a dialogar, sentar na mesa, conversar e buscar solu\u00e7\u00f5es. Com isso, a gente conseguiu tirar Quer\u00eancia da lista. Para mim foi um aprendizado\u201d, relata Penido.<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6ec1477 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6ec1477\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>A partir dessa articula\u00e7\u00e3o, ele percebeu que seria poss\u00edvel criar um movimento na regi\u00e3o do Araguaia e do Xingu, o que em 2014 deu origem \u00e0 Liga do Araguaia, voltada a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental, projetos de carbono, intensifica\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria e Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais.<\/p><p>A fazenda da fam\u00edlia, a Agro Penido, produz soja, milho, gergelim, feij\u00e3o mungo e algod\u00e3o em duas safras quase todo ano, enquanto gera cr\u00e9dito carbono e preserva a biodiversidade por meio do restauro de APP feito com a re.green. A partir dessa experi\u00eancia, ele diz que j\u00e1 sabe o que precisa fazer: \u201cO que a gente fez na fazenda, a gente implementou na Liga e est\u00e1 implementando agora no Instituto Mato-grossense da Carne como pol\u00edtica p\u00fablica\u201d. O objetivo \u00e9 tornar a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e de baixo carbono, criando valor na biodiversidade, o que pode ser feito por atividades como turismo ecol\u00f3gico e sistemas agroflorestais. \u201cO desafio \u00e9 transformar, \u00e9 criar valor real na floresta. Enquanto a floresta n\u00e3o tiver valor viva, vai ser complicado\u201d, diz.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b0a921b elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"b0a921b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">\u201cSolu\u00e7\u00f5es\u201d simples n\u00e3o funcionam <\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fa07f47 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fa07f47\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Frente a essa complexidade, muitos optam por caminhos simplistas, mas que n\u00e3o resolvem. \u201cO caminho mais f\u00e1cil \u00e9 n\u00e3o comprar nada da Amaz\u00f4nia, para nunca ser correspons\u00e1vel por nenhum crime\u201d, afirma Penido. Mas n\u00e3o assumir essa responsabilidade acaba impedindo o desenvolvimento sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia e excluindo os produtores que est\u00e3o fazendo a coisa certa.<\/p><p>\u201cQuem acusa o agro como um todo [de crime ambiental] est\u00e1 chamando para briga um monte de gente que est\u00e1 fazendo certo\u201d, afirma Penido. Ele defende que se pressione o governo para implementar definitivamente o C\u00f3digo Florestal, enquanto se criam mecanismos de valorizar a biodiversidade.<br \/><br \/>Identificar as boas pr\u00e1ticas agropecu\u00e1rias ser\u00e1 importante para separar o joio do trigo. Segundo Renata Miranda, da Embrapa, nem todos os pecuaristas t\u00eam interesse em implementar a\u00e7\u00f5es de combate ao desmatamento ilegal, como a rastreabilidade do boi. \u201cTem pecu\u00e1ria que \u00e9 [serve como] poupan\u00e7a, tem pecu\u00e1ria que \u00e9 lavagem de dinheiro, tem pecu\u00e1ria que \u00e9 grilagem e tem pecu\u00e1ria que respeita as leis\u201d, diz ela.<\/p><p>Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira,\u00a0<em>senior fellow\u00a0<\/em>do Instituto Arapya\u00fa, quem faz certo tem de ser reconhecido por isso. Quem n\u00e3o faz certo e \u00e9 informal, precisa ser inclu\u00eddo em um sistema que o induza \u00e0s melhores pr\u00e1ticas. E quem n\u00e3o quer fazer certo deve ser punido. O comprador final, para ela, tem um papel importante nessa diferencia\u00e7\u00e3o. \u201cAqui e l\u00e1 fora, o consumidor tem um papel importante de entender o que est\u00e1 acontecendo, de n\u00e3o querer comprar da ilegalidade e reconhecer seu poder de influenciar e transformar a realidade.\u201d<\/p><p>No campo, onde ainda resta muita informalidade, esse caminho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Alaion Lacerda conta que a maioria dos produtores nem sabe dizer o que \u00e9 rastreabilidade. Al\u00e9m disso, as propriedades est\u00e3o, em grande parte, irregulares em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s leis ambientais, o que inibe o di\u00e1logo com os produtores. \u201cQuando voc\u00ea sabe que tem uma d\u00edvida, vamos dizer assim, voc\u00ea treme na base\u201d.<\/p><p>Existe tamb\u00e9m um problema de burocracia para legalizar as propriedades e permitir a rastreabilidade. \u201cMuitos n\u00e3o sabem como esse n\u00f3 funciona, como desatar e nem por onde come\u00e7ar. Por isso, a gente sempre bate na tecla da assist\u00eancia t\u00e9cnica, que \u00e9 muito importante para esclarecer o produtor\u201d, afirma. Isso mostra como a inclus\u00e3o produtiva pode ser desafiadora, mas se apresenta como o melhor caminho para o desenvolvimento efetivo na regi\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":226,"featured_media":0,"template":"","veiculo":[],"ano":[],"eixos":[],"class_list":["post-91938","plenarias","type-plenarias","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias"}],"about":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/plenarias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"veiculo","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/veiculo?post=91938"},{"taxonomy":"ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/ano?post=91938"},{"taxonomy":"eixos","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos?post=91938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}