{"id":91937,"date":"2026-04-09T02:54:17","date_gmt":"2026-04-09T05:54:17","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/plenaria\/a-amazonia-e-uma-paisagem-2\/"},"modified":"2026-04-09T02:54:17","modified_gmt":"2026-04-09T05:54:17","slug":"a-amazonia-e-uma-paisagem-2","status":"publish","type":"plenarias","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/plenaria\/a-amazonia-e-uma-paisagem-2\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma paisagem"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"91937\" class=\"elementor elementor-91937 elementor-64123\" data-elementor-post-type=\"plenarias\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1170b64 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"1170b64\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1fe42b3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1fe42b3\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Abordagem que considera a rela\u00e7\u00e3o entre tempo, pessoas e espa\u00e7o se mostra fundamental para reconhecer e abra\u00e7ar a complexidade de uma regi\u00e3o como a amaz\u00f4nica<\/em><\/strong><\/h4><p><em><strong>Por Am\u00e1lia Safatle<\/strong><\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-52e530b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"52e530b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Em um dia de c\u00e9u azul e sol radiante, com montanhas ao fundo, crian\u00e7as se banham nas \u00e1guas que interligam diversos agrupamentos de casas de um povoado ind\u00edgena. Pessoas andam por caminhos de terra que circundam as habita\u00e7\u00f5es, em meio a \u00e1rvores carregadas de frutos e de a\u00e7aizeiros em flor.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-40bca61 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"40bca61\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Essa \u00e9 uma forma de ver a Maloca do Cont\u00e3o, uma das comunidades ind\u00edgenas em Roraima, retratada em obra de arte\u00a0<em>na\u00eff\u00a0<\/em>pela artista pl\u00e1stica Carm\u00e9zia Emiliano, da etnia Macuxi. Por um minuto, os 140 participantes da plen\u00e1ria \u201cAmaz\u00f4nia \u00e9 uma Paisagem\u201d, realizada online em 26 agosto pela rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia, s\u00e3o convidados a apreciar em sil\u00eancio essa obra de Carm\u00e9zia e a exercitar, cada um, o seu pr\u00f3prio olhar sobre a cena \u2013 mostrando, assim, como podem ser m\u00faltiplas as vis\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es de uma realidade, como ensina a chamada abordagem da paisagem.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a17337f elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"a17337f\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1280\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Maloca-do-Contao-60cmx60cm-2022-Grande.jpeg\" class=\"attachment-full size-full wp-image-59441\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Maloca-do-Contao-60cmx60cm-2022-Grande.jpeg 1280w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Maloca-do-Contao-60cmx60cm-2022-Grande-300x300.jpeg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Maloca-do-Contao-60cmx60cm-2022-Grande-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Maloca-do-Contao-60cmx60cm-2022-Grande-150x150.jpeg 150w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Maloca-do-Contao-60cmx60cm-2022-Grande-768x768.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">\u201cMaloca do Cant\u00e3o\u201d, 2022, de Carm\u00e9zia Emiiano (Obra pertencente ao acervo de Augusto Luitgards)<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-81beb6a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"81beb6a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Mas, afinal, o que \u00e9 paisagem e por que essa abordagem \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria para abra\u00e7ar a complexidade de uma regi\u00e3o como a amaz\u00f4nica? Fernanda Renn\u00f3, doutora em Planejamento Territorial e An\u00e1lise da Paisagem pela Universidade de Toulouse e integrante do N\u00facleo de Governan\u00e7a da Concerta\u00e7\u00e3o, explica que na abordagem da paisagem, tr\u00eas dimens\u00f5es se relacionam: o tempo, o espa\u00e7o e as pessoas.<\/p><p>Ao longo do tempo, as pessoas\u00a0 \u2013 e o pr\u00f3prio tempo \u2013 transformam um determinado espa\u00e7o. O resultado dessa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 o territ\u00f3rio, delimitado pelas rela\u00e7\u00f5es de poder de um grupo social. Quando uma pessoa encontra esse territ\u00f3rio, forma-se uma paisagem, que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social e subjetiva. Como cada pessoa tem uma rela\u00e7\u00e3o diferente com uma paisagem, torna-se poss\u00edvel perceber as diferentes facetas de uma mesma realidade, compreender a sua complexidade e aprender a lidar com ela.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-287da27 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"287da27\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p style=\"text-align: center;\">\u201cIsso \u00e9 muito rico do ponto de vista cient\u00edfico, pois permite ultrapassar a racionalidade, que sabemos ser limitada. A abordagem da paisagem \u00e9, portanto, um instrumento muito forte de contextualiza\u00e7\u00e3o territorial, que integra os dados existentes com os desejos e as percep\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o local, buscando sempre um alinhamento entre expectativas e possibilidades\u201d, explica Renn\u00f3, durante a plen\u00e1ria da Concerta\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2675ef5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2675ef5\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Tamb\u00e9m participam do encontro a agricultora familiar Maria Gorete Rios, propriet\u00e1ria do s\u00edtio Rancho da Pedra, na cidade de Novo Repartimento (PA); Valmir Ortega, diretor executivo da Belterra Agroflorestas e da Rio Capim Agrossilvipastoril; e o antrop\u00f3logo Eduardo Brond\u00edzio, diretor do Centro de An\u00e1lise de Paisagens Socioecol\u00f3gicas da Universidade de Indiana e do Programa Ambiente e Sociedade da Universidade de Campinas.<\/p><p>Brond\u00edzio discorre sobre como o conceito de paisagem, na pr\u00e1tica, afeta a governan\u00e7a da regi\u00e3o, considerando as din\u00e2micas territoriais e os desafios da interdepend\u00eancia na gest\u00e3o de quest\u00f5es locais e regionais. Para isso, o professor de Antropologia recorre a um exemplo: a frase que ouviu de uma lideran\u00e7a ind\u00edgena sobre o sucesso e os desafios do manejo do pirarucu implementado em sua comunidade. \u201cEle me falou: \u2018N\u00f3s somos um galho que d\u00e1 fruto e que gera novos frutos. Mas o nosso galho \u00e9 parte de uma grande \u00e1rvore, na qual a gente depende de galhos maiores para continuar o que estamos fazendo e para contribuir com essa grande \u00e1rvore&#8217;\u201d.<\/p><p>A analogia caracteriza a inter-rela\u00e7\u00e3o social, ecol\u00f3gica e institucional de governan\u00e7a. A abordagem da paisagem traz todos esses n\u00edveis de uma maneira integrada e permite identificar os desafios de interconectividade entre os diversos n\u00edveis de governan\u00e7a \u2013 territorial, regional e nacional.<\/p><p>H\u00e1, segundo Brond\u00edzio, sistemas de governan\u00e7a territorial que cuidam bem do seu espa\u00e7o, protegendo ilhas de biodiversidade e de diversidade sociocultural. Um caso emblem\u00e1tico \u00e9 o do Parque Nacional do Xingu, um sucesso de gest\u00e3o restrito a um local \u2013 mas n\u00e3o regional. \u201cA governan\u00e7a daquela paisagem n\u00e3o \u00e9 suficiente para lidar com os problemas que est\u00e3o em outro n\u00edvel. Por isso, \u00e9 preciso pensar na transi\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a de n\u00edvel espec\u00edfico para uma governan\u00e7a mais polic\u00eantrica. Isso significa governar cora\u00e7\u00f5es e mentes, porque existem ideias muito diferentes de como essas unidades devem ser governadas\u201d, diz.<\/p><p>O professor refere-se aos imagin\u00e1rios que ainda est\u00e3o muito imbricados na consci\u00eancia das pessoas em geral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia. S\u00e3o ideias de ordem ocidental, colonial e neocolonial, que entendem a regi\u00e3o como uma fonte de recursos naturais destinada a beneficiar quem est\u00e1 fora dela, enquanto deixam de ver, por exemplo, as potencialidades de sua bioeconomia. \u201cAs maneiras de ver a regi\u00e3o refletem esses filtros e n\u00e3o necessariamente a realidade que est\u00e1 l\u00e1\u201d, afirma.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5d007c6 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"5d007c6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Bioeconomia invis\u00edvel<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4327af8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4327af8\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>\u201cA Amaz\u00f4nia \u00e9 paisagem de uma bioeconomia ainda invis\u00edvel, da qual a gente n\u00e3o consegue estimar o valor e, portanto, o subestima\u201d, diz Brond\u00edzio, enquanto mostra uma foto a\u00e9rea da Ilha do Maraj\u00f3<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2e09569 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2e09569\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u201cEsta paisagem \u00e9 normalmente referida como uma floresta nativa, onde as pessoas est\u00e3o ali e esperam o a\u00e7a\u00ed cair do p\u00e9 para se beneficiar. Mas eu, que trabalho nesta floresta, a interpreto como uma das mais manejadas da regi\u00e3o, com sistemas intensivos de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Contudo, ainda tenho colegas que n\u00e3o conseguem ver um sistema agr\u00edcola que vai al\u00e9m da floresta\u201d.<\/p><p>A bioeconomia invis\u00edvel come\u00e7a na invisibilidade estat\u00edstica. A seu ver, os dados existentes sobre a bioeconomia amaz\u00f4nica ainda s\u00e3o muito limitados para abarcar a escala dessa economia, sua import\u00e2ncia no manejo territorial regional e nos servi\u00e7os ambientais prestados (<em>para saber mais, acompanhe o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rhvoK7nSIGM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">webinar \u201cAmaz\u00f4nia em Dados\u201d<\/a>, da s\u00e9rie Notas Amaz\u00f4nicas, a ser transmitido em 9 de setembro no YouTube da P\u00e1gina22<\/em>)<\/p><p>A abordagem da paisagem, portanto, serve para tirar a realidade da invisibilidade, permitindo identificar suas potencialidades e desafios. Um deles \u00e9 superar a ideia da Amaz\u00f4nia como floresta intocada e entender a paisagem por meio de suas crescentes conex\u00f5es urbanas. Segundo ele, a forma\u00e7\u00e3o de redes interurbanas est\u00e1 reconfigurando a regi\u00e3o hoje e criando os caminhos de transforma\u00e7\u00f5es no futuro.<\/p><p>Um exemplo dessa conex\u00e3o entre a Amaz\u00f4nia florestal e a urbana vem da cadeia do a\u00e7a\u00ed, que hoje ultrapassa a casa de milh\u00f5es de reais por ano e prosperou devido \u00e0 demanda de consumo de um centro como Bel\u00e9m. Isso mostra, segundo Valmir Ortega, da Belterra, a import\u00e2ncia de incluir a rede de cidades na paisagem amaz\u00f4nica.<\/p><p>\u201cParte da bioeconomia regional se realiza, do ponto de vista de mercado, nos centros urbanos. O motor do mercado do a\u00e7a\u00ed n\u00e3o \u00e9 a Calif\u00f3rnia, e sim Bel\u00e9m, onde s\u00e3o consumidas algumas centenas de milhares de toneladas de a\u00e7a\u00ed por ano. Foi gra\u00e7as ao consumo do belemense que o produto virou global, e n\u00e3o porque uma\u00a0<em>startup<\/em>\u00a0californiana passou por ali e descobriu um p\u00e9 de a\u00e7a\u00ed\u201d, diz Ortega.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-048f822 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"048f822\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">A riqueza na diversidade\n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-28d0d2b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"28d0d2b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Mais do que simplesmente olhar para uma atividade econ\u00f4mica produtiva, Ortega prop\u00f5e uma mudan\u00e7a de olhar, que veja na diversidade e na complexidade as grande oportunidades de desenvolvimento da Amaz\u00f4nia. Para isso, ser\u00e1 preciso superar a vis\u00e3o dominante que entende uma paisagem dominada por monoculturas como um sin\u00f4nimo de sucesso econ\u00f4mico e de domina\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e8d6713 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e8d6713\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p>\u201cO desafio, portanto, \u00e9 como reposicionar as oportunidades com base na diversidade, que \u00e9 a grande riqueza que temos na Amaz\u00f4nia. E deixarmos de achar normal uma paisagem com milh\u00f5es de hectares de pastagens degradadas\u201d, afirma Ortega<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fa14c47 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fa14c47\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Essa mudan\u00e7a de chave, segundo ele, passa por uma batalha cultural, na qual \u00e9 preciso demonstrar que a floresta tamb\u00e9m \u00e9 desenvolvimento, oportunidade e meio para transformar a vida das pessoas de forma positiva. \u201c\u00c9 uma disputa de olhar sobre como a gente quer reconfigurar esses territ\u00f3rios.\u201d<\/p><p>A paisagem de um sistema agroflorestal, explica ele, transforma-se de ano a ano. No primeiro, \u00e9 uma grande planta\u00e7\u00e3o de banana e mandioca mas, a partir do segundo ano, muda de configura\u00e7\u00e3o \u2013 o que \u00e9 dif\u00edcil explicar para quem est\u00e1 acostumado a ciclos mais program\u00e1veis de monocultura, divididos entre o plantio, o crescimento e colheita de produtos como soja, cana e milho. Por isso, Ortega leva investidores a visitarem suas \u00e1reas de sistemas agroflorestais e compreenderem como se pode gerar riqueza a partir da diversidade.<\/p><p>Fora a gera\u00e7\u00e3o de renda, as produ\u00e7\u00f5es diversificadas, seja por meio de sistemas agroflorestais, seja por meio da restaura\u00e7\u00e3o florestal, s\u00e3o necess\u00e1rias para mitigar as crises do clima e da biodiversidade. \u201cDiante de grandes manchas de monocultura que come\u00e7am a dominar as bordas da Floresta Amaz\u00f4nica, o grande desafio \u00e9 posicionar esse mosaico de diversidade em sistemas produtivos diferenciados, combinados com restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. O objetivo \u00e9 trazer para a paisagem uma funcionalidade ecossist\u00eamica, ou seja, um fluxo g\u00eanico para a biodiversidade, e a prote\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e solo\u201d, diz.<\/p><p>Esses sistemas diferenciados s\u00e3o modelos produtivos orientados, por exemplo, para o cultivo de frutas e outros alimentos, para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ambientais como carbono, para a explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de madeira e fibra \u2013 e tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, que pode ser conciliada com as demais atividades, ao contr\u00e1rio do que comumente se pensa.<\/p><p>Quem conta essa experi\u00eancia \u00e9 a agricultora familiar Gorete Rios, propriet\u00e1ria h\u00e1 10 anos de um s\u00edtio em Novo Repartimento, cidade paraense que se originou de um acampamento de obras da Rodovia Transamaz\u00f4nica. Ela explica que o s\u00edtio fazia parte de uma \u00e1rea antropizada, mas a paisagem melhorou desde que ela adquiriu as terras.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-252f000 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"252f000\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPrimeiro, fiz uma calagem e em seguida comecei a plantar cacau e a\u00e7a\u00ed. Com os sistemas agroflorestais, eu produzo em tempos diferentes. Quando n\u00e3o tenho uma coisa produzindo, eu tenho outra, al\u00e9m do gado que \u00e9 rotacionado\u201d, conta Rios.<\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-28a275a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"28a275a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>N\u00e3o s\u00f3 a paisagem melhorou, como tamb\u00e9m o rendimento. A produ\u00e7\u00e3o, segundo ela, recebe assist\u00eancia t\u00e9cnica da Funda\u00e7\u00e3o Solidariedad, organiza\u00e7\u00e3o contemplada pelo Fundo JBS pela Amaz\u00f4nia com o projeto RestaurAmaz\u00f4nia, que une Sistemas Agroflorestais (SAFs) de cacau, pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel de cria e a conserva\u00e7\u00e3o florestal.\u00a0 Por meio desse projeto, a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria conta com garantia de compra, enquanto a propriedade devidamente regularizada, com documenta\u00e7\u00e3o \u2013 que \u00e9 o caso de Rios \u2013 tem acesso a financiamento banc\u00e1rio. \u201cAntes disso, era uma \u00e1rea largada\u201d, diz.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2c2599e elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"2c2599e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">A juventude em cena\n\n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-794e40a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"794e40a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Sarah Sampaio, que atua na empresa Amaz\u00f4nia Agroflorestal, produtora do caf\u00e9 Apu\u00ed, questiona como conciliar a diversidade da sociobioeconomia com a necessidade de criar empreendimentos escal\u00e1veis, capazes de oferecer alternativas de renda principalmente para os jovens, que tantas vezes acabam em \u00eaxodo rural. Munic\u00edpio no Sul do Amazonas, Apu\u00ed, conta ela, teve uma paisagem profundamente transformada devido \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica, atraindo pessoas de diversos estados do Brasil em busca de terras mais baratas, e muitas vezes lan\u00e7ando m\u00e3o da grilagem como forma de gera\u00e7\u00e3o de renda e de acesso a terras para a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria extensiva.<\/p><p>\u201cA dist\u00e2ncia dos centros comerciais e a dificuldade de log\u00edstica dificultam muito a chegada de outras iniciativas e de outras organiza\u00e7\u00f5es para atuar com alternativas de renda sustent\u00e1vel\u201d, lamenta ela. Como financiar uma economia na escala necess\u00e1ria, sem cair na monocultura, e ainda retendo os jovens talentos \u00e9, portanto, uma quest\u00e3o importante que se coloca no campo da bioeconomia.<\/p><p>\u201cO lugar comum \u00e9 dizer que o jovem sai do campo para cidade em busca de maior conv\u00edvio social e acesso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura. Essa talvez essa seja uma parte da quest\u00e3o, mas percebemos que o fator motivante para a sa\u00edda \u00e9 a falta de renda e de perspectiva do jovem na propriedade rural\u201d, diz Ortega. Uma propriedade com um modelo produtivo de baix\u00edssima produtividade imp\u00f5e limita\u00e7\u00f5es a qualquer projeto de futuro economicamente vi\u00e1vel para o filho e a filha do propriet\u00e1rio \u2013 sendo que as jovens sofrem especialmente no caso de um patriarcado mais autorit\u00e1rio.<\/p><p>Uma raz\u00e3o para essas dificuldades, na vis\u00e3o de Ortega, \u00e9 a falta de cr\u00e9dito para atividades agroflorestais, ao passo que a agricultura convencional recebe altos subs\u00eddios do governo. \u201cMesmo sabendo que a renda bruta do cacau por hectare \u00e9 bastante superior, \u00e9 uma tarefa ingl\u00f3ria obter cr\u00e9dito no banco, que prefere emprestar para o produtor de gado comprar mais cabe\u00e7as. \u201cExiste uma disputa cultural dentro das institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias e das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas precisamos ter a ambi\u00e7\u00e3o de impulsionar esse mercado para a escala dos bilh\u00f5es\u201d, afirma.<\/p><p>O que remete novamente \u00e0 quest\u00e3o da paisagem e a intera\u00e7\u00e3o das pessoas com o espa\u00e7o. A Amaz\u00f4nia florestal passar\u00e1 a ser vista como produtiva? Ou a ideia de produ\u00e7\u00e3o formada no imagin\u00e1rio brasileiro continuar\u00e1 remetendo \u00e0 imagem de terra desmatada, \u201climpa\u201d, sugerindo o total controle da natureza, mesmo que essa terra seja um pasto improdutivo?<\/p><p>Essa \u00e9 a quest\u00e3o que, para Brond\u00edzio, toca profundamente no\u00a0<em>ethos<\/em>\u00a0do brasileiro, e definir\u00e1 a paisagem que os jovens \u2013\u00a0<em>cowboy<\/em>, agricultor, seringueiro, ribeirinho, ind\u00edgena, empreendedor \u2013\u00a0 desenhar\u00e3o para os seus futuros.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":226,"featured_media":0,"template":"","veiculo":[],"ano":[],"eixos":[],"class_list":["post-91937","plenarias","type-plenarias","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias"}],"about":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/plenarias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/plenarias\/91937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"veiculo","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/veiculo?post=91937"},{"taxonomy":"ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/ano?post=91937"},{"taxonomy":"eixos","embeddable":true,"href":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos?post=91937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}