{"id":93213,"date":"2026-07-23T09:07:54","date_gmt":"2026-07-23T12:07:54","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacao.bureau-it.com\/cultura\/?post_type=linha-das-artes&#038;p=93213"},"modified":"2026-07-24T13:28:03","modified_gmt":"2026-07-24T16:28:03","slug":"com-um-traco-de-linhas-finas-e-um-olhar-amoroso-josias-marinho-casadecaba-dialoga-com-multiplas-formas-de-vida-na-amazonia-negra","status":"publish","type":"linha-das-artes","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/linha-das-artes\/com-um-traco-de-linhas-finas-e-um-olhar-amoroso-josias-marinho-casadecaba-dialoga-com-multiplas-formas-de-vida-na-amazonia-negra\/","title":{"rendered":"Com um tra\u00e7o de linhas finas e um olhar amoroso, Josias Marinho Casadecaba dialoga com m\u00faltiplas formas de vida na Amaz\u00f4nia negra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O artista amaz\u00f4nida de origem quilombola traz em seus desenhos a riqueza da biodiversidade, das palavras, das mem\u00f3rias, das pessoas e das maneiras de conhecer e habitar a regi\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josias Marinho Casadecaba \u00e9 artista visual, ilustrador, escritor, pesquisador e professor nascido na comunidade quilombola de Forte Pr\u00edncipe da Beira, \u00e0s margens do rio Guapor\u00e9, em Rond\u00f4nia. Sua produ\u00e7\u00e3o constr\u00f3i narrativas visuais marcadas pela valoriza\u00e7\u00e3o das culturas afro-brasileiras, da mem\u00f3ria, da oralidade, das inf\u00e2ncias negras e dos territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao transitar entre ilustra\u00e7\u00e3o, literatura infantil e juvenil, pesquisa acad\u00eamica e educa\u00e7\u00e3o, Josias integra uma gera\u00e7\u00e3o de artistas que ampliam os imagin\u00e1rios sobre a Amaz\u00f4nia negra, articulando ancestralidade, pertencimento e identidade em cria\u00e7\u00f5es destinadas a p\u00fablicos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua obra, a biodiversidade das Amaz\u00f4nias se manifesta sobretudo nas rela\u00e7\u00f5es entre \u00e1guas, fauna, flora, pessoas, palavras e imagina\u00e7\u00e3o. A natureza articula modos de vida e formas de conhecimento produzidos por quem vive na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista \u00e0 Concerta\u00e7\u00e3o, Josias revisitou sua rela\u00e7\u00e3o com o rio Guapor\u00e9, a presen\u00e7a negra nas Amaz\u00f4nias, a escolha pelo livro ilustrado e pela pesquisa acad\u00eamica e os caminhos pelos quais transforma experi\u00eancias e formas de nomear o mundo em linguagem visual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A regi\u00e3o do rio Guapor\u00e9 em Rond\u00f4nia \u00e9 fonte permanente de mem\u00f3ria e inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade de Forte Pr\u00edncipe da Beira, onde Josias nasceu, est\u00e1 situada junto \u00e0 fortaleza erguida \u00e0s margens do rio Guapor\u00e9 no s\u00e9culo XVIII, a partir do trabalho de pessoas negras e ind\u00edgenas escravizadas. At\u00e9 hoje, a regi\u00e3o \u00e9 caracterizada pela conviv\u00eancia entre popula\u00e7\u00f5es quilombolas, ind\u00edgenas e ribeirinhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O la\u00e7o afetivo do artista com o territ\u00f3rio onde cresceu fez do rio uma importante fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 a rota a partir da qual se deslocam tradi\u00e7\u00f5es, amalgamando as diferentes comunidades e suas culturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 do Guapor\u00e9 que surgem hist\u00f3rias, pr\u00e1ticas culturais, palavras e formas de viver que atravessam a produ\u00e7\u00e3o de Josias, enquanto sua origem quilombola inspira um olhar atento \u00e0 ancestralidade, \u00e0 mem\u00f3ria compartilhada, \u00e0 comunidade e \u00e0s diferentes formas de criar conhecimento. \u201cAs nomenclaturas, o jeito de ser e as hist\u00f3rias envolvendo tudo isso acabam virando imagens para mim\u201d,<em> <\/em>diz<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Suas ilustra\u00e7\u00f5es afirmam a presen\u00e7a quilombola na constru\u00e7\u00e3o dos imagin\u00e1rios sobre o territ\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A valoriza\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio cultural \u00e9 um dos principais eixos da produ\u00e7\u00e3o de Josias. Em sua obra, \u00e9 frequente a constru\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es positivas, afetivas e complexas de amaz\u00f4nidas negros, especialmente crian\u00e7as, que brincam, imaginam, descobrem, observam e ocupam o centro das narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abrange as representa\u00e7\u00f5es sobre as Amaz\u00f4nias. O artista comenta que, com frequ\u00eancia, a regi\u00e3o \u00e9 reduzida \u00e0 floresta, aos rios ou a um repert\u00f3rio cultural visto de fora, que busca classificar os modos de vida da regi\u00e3o somente na categoria de &#8220;car\u00eancia&#8221;, sem sociabilidade, sem protagonismo, enquanto a presen\u00e7a hist\u00f3rica de suas popula\u00e7\u00f5es permanece pouco reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas vezes, utilizando apenas um caderno, um l\u00e1pis e uma caneta nanquim de tinta preta que carrega sempre consigo, Josias desenha recortes do ambiente que contestam esse enquadramento. Assim, ele nos apresenta uma Amaz\u00f4nia vista por dentro, que tamb\u00e9m \u00e9 negra, quilombola, ribeirinha, ind\u00edgena e fronteiri\u00e7a, formada por sujeitos que constroem, no dia a dia, conhecimentos, linguagens e modos pr\u00f3prios de rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-background is-vertical is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-7e82529d wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"background-color:#c1c1c1;margin-top:0;margin-bottom:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\">\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-container-content-f7b87a2a\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized has-custom-border\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1331\" height=\"1059\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Flor_-2016.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-94367\" style=\"border-style:none;border-width:0px;width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Flor_-2016.jpg 1331w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Flor_-2016-300x239.jpg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Flor_-2016-1024x815.jpg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Flor_-2016-768x611.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1331px) 100vw, 1331px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A flor, cultivada por sua m\u00e3e no jardim de casa, registra o cuidado com a casa, com a sa\u00fade das plantas e do solo. \u201cAcho que \u00e9 uma quest\u00e3o importante porque \u00e9 o cuidado com o solo ali\u201d, diz.<br><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\" style=\"margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0\"><img decoding=\"async\" width=\"1349\" height=\"690\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jerbao-ou-Gervao__-2023_editado.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-94371\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jerbao-ou-Gervao__-2023_editado.jpg 1349w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jerbao-ou-Gervao__-2023_editado-300x153.jpg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jerbao-ou-Gervao__-2023_editado-1024x524.jpg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jerbao-ou-Gervao__-2023_editado-768x393.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1349px) 100vw, 1349px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Jerb\u00e3o ou gerv\u00e3o, planta medicinal cultivada pela m\u00e3e do artista no quintal de sua casa, em Costa Marques. Seu ch\u00e1 \u00e9 utilizado no tratamento de diversos problemas de sa\u00fade. Como emplastro, a planta tamb\u00e9m tem propriedades cicatrizantes.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-container-content-f7b87a2a\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em uma trajet\u00f3ria marcada por deslocamentos, Josias ampliou seu nome para identificar a origem amaz\u00f4nida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de viver a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia em Rond\u00f4nia, entre Forte Pr\u00edncipe da Beira, Costa Marques e Guajar\u00e1-Mirim, Josias mudou-se para Belo Horizonte, Minas Gerais, onde permaneceu por 22 anos. Embora pretendesse estudar Letras, sua facilidade e viv\u00eancia com o desenho logo o aproximou das artes visuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ser notado por produzir retratos com a inten\u00e7\u00e3o de complementar a renda, o artista foi incentivado a prestar o vestibular para a Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma possibilidade que at\u00e9 ent\u00e3o desconhecia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Formou-se, assim, em Artes Visuais e construiu uma trajet\u00f3ria que tamb\u00e9m passaria pela Hist\u00f3ria do Brasil, pela Literatura, pela Educa\u00e7\u00e3o e pela pesquisa sobre o Livro Ilustrado. Ao retornar \u00e0 Regi\u00e3o Norte, no ano de 2016, estabeleceu-se em Boa Vista (RR), onde atualmente \u00e9 professor de Artes Visuais no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Tamb\u00e9m assumiu a fun\u00e7\u00e3o de Presidente do Conselho Administrativo e Editorial da Editora da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ainda durante os anos em Minas Gerais que surgiu o nome art\u00edstico<em> Casadecaba<\/em>. A express\u00e3o \u201ccasa de caba\u201d, derivada do nheengatu, \u00e9 usada no Norte para designar a casa de cabas ou de marimbondos. Ao perceber que a formula\u00e7\u00e3o n\u00e3o era compreendida fora da regi\u00e3o, Josias decidiu adot\u00e1-la como marca de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A circula\u00e7\u00e3o entre territ\u00f3rios t\u00e3o diferentes tornou ainda mais consciente o v\u00ednculo com a pr\u00f3pria origem. \u201cEu me dei de presente essa cria\u00e7\u00e3o, que uso como sobrenome art\u00edstico, para me vincular ao Norte\u201d, explica. Criei esse v\u00ednculo a partir do momento em que estive fora dele\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Casadecaba tornou-se parte da identidade p\u00fablica de Josias. O nome provoca perguntas e abre espa\u00e7o para explicar uma palavra regional e o universo cultural do qual faz parte. \u201cEle funciona muito bem para o discurso, para a bandeira que eu levanto, para o que eu sou e para o que pretendo ser\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para Casadecaba, a riqueza da biodiversidade amaz\u00f4nica est\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es dos seres vivos entre si e com o ambiente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josias conta que suas origens tamb\u00e9m o inspiram a falar sobre a biodiversidade amaz\u00f4nica. A primeira imagem evocada pelo artista em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u00e9 a do rio Guapor\u00e9: um ambiente em movimento, atravessado por diferentes esp\u00e9cies e pela vida das comunidades ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa compreens\u00e3o do territ\u00f3rio atravessa sua obra, como em \u201cBate\u00e7\u00e3o\u201d, livro inspirado em um fen\u00f4meno observado nos rios da Amaz\u00f4nia. Quando pescam, os bigu\u00e1s mergulham em busca de alimento; os peixes saltam em p\u00e2nico para fora da \u00e1gua e, muitas vezes, caem nas canoas j\u00e1 posicionadas por pescadores para aproveitar o fen\u00f4meno. Esse movimento coletivo na superf\u00edcie da \u00e1gua \u00e9 chamado de bate\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do quilombo..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cena re\u00fane aves, peixes, insetos, floresta, mata, rio e pessoas. No livro, al\u00e9m de ilustrar diferentes esp\u00e9cies, a narrativa visual de Josias mostra como elas se afetam mutuamente. A biodiversidade emerge das intera\u00e7\u00f5es, dos deslocamentos e dos ritmos compartilhados naquele ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio tamb\u00e9m revela um conhecimento que n\u00e3o se produz \u00e0 dist\u00e2ncia. Para reconhecer a bate\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso observar a \u00e1gua, compreender o comportamento dos animais, identificar os movimentos do rio e acumular experi\u00eancias transmitidas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra de Casadecaba, esses saberes integram a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Natureza e cultura n\u00e3o formam campos separados. As pessoas aprendem com os ciclos naturais, criam palavras para nomear fen\u00f4menos e transformam observa\u00e7\u00f5es em hist\u00f3rias, pr\u00e1ticas e, por fim, em mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua obra se aproxima, assim, de uma compreens\u00e3o ampliada da biodiversidade, que relaciona a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas \u00e0 continuidade dos conhecimentos, das culturas e das formas de vida constru\u00eddas com eles.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-background is-vertical is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-7e82529d wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"background-color:#c1c1c1;margin-top:0;margin-bottom:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\">\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-container-content-f7b87a2a\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1837\" height=\"2080\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-94369\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023.jpg 1837w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023-265x300.jpg 265w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023-904x1024.jpg 904w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023-768x870.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023-1357x1536.jpg 1357w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Inquietacoes-de-um-Brasil-contemporaneo-b_-2023-1809x2048.jpg 1809w\" sizes=\"(max-width: 1837px) 100vw, 1837px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>\u201cO jenipapo \u00e9 uma fruta que me remete \u00e0 inf\u00e2ncia\u201d, diz Josias. &#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 utilizada pelos povos origin\u00e1rios na pintura e como alimento&#8230; Acho que \u00e9 uma fruta bonita, ent\u00e3o tentei trazer mais informa\u00e7\u00f5es para o desenho\u201d, afirma. (Ilustra\u00e7\u00e3o para o livro Inquieta\u00e7\u00f5es de um Brasil contempor\u00e2neo, Aut\u00eantica, 2023)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-container-content-f7b87a2a\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No livro ilustrado, Josias encontra um espa\u00e7o para organizar essa complexidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele, a ilustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um complemento subordinado ao texto. A imagem produz sentidos pr\u00f3prios, estabelece ritmos, cria sil\u00eancios e conduz a leitura por caminhos que apenas a palavra n\u00e3o alcan\u00e7aria. \u201cNem o papel nem uma tela \u00fanica dariam conta da complexidade narrativa ou da marca\u00e7\u00e3o de tempo que a gente pode construir no livro\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pagina\u00e7\u00e3o possibilita a articula\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos, cores, mudan\u00e7as de cena e diferentes camadas temporais. Texto e imagem podem dialogar, divergir ou ampliar um ao outro, uma liberdade importante para uma produ\u00e7\u00e3o apoiada tanto na observa\u00e7\u00e3o quanto na mem\u00f3ria e na fabula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro tamb\u00e9m permite que narrativas transmitidas oralmente encontrem novas formas de continuidade. Hist\u00f3rias familiares, express\u00f5es regionais e lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia passam a circular entre outros p\u00fablicos e gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Arte, ensino e pesquisa s\u00e3o dimens\u00f5es insepar\u00e1veis de sua vida e obra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu trabalho tamb\u00e9m articula cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e educa\u00e7\u00e3o, conferindo-lhe um papel de \u201cartista-professor\u201d. A pesquisa art\u00edstica se mistura aos caminhos que o artista prop\u00f5e em sala de aula, enquanto a doc\u00eancia produz quest\u00f5es e refer\u00eancias que alimentam sua obra. \u201c\u00c9 um jeito de me manter ativo e de misturar essas duas coisas; uma alimentando a outra\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua atua\u00e7\u00e3o acad\u00eamica inclui ensino de artes visuais, forma\u00e7\u00e3o de professores, ilustra\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais e culturas negro-brasileiras. Nessas dimens\u00f5es, Josias compreende arte como forma de produzir conhecimento, n\u00e3o apenas de representar conte\u00fados conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse princ\u00edpio tamb\u00e9m orienta seu olhar para as Amaz\u00f4nias. Para ele, a imagem pode revelar rela\u00e7\u00f5es invisibilizadas, restituir centralidade a sujeitos historicamente apagados e colocar em circula\u00e7\u00e3o conhecimentos constitu\u00eddos nos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A obra de Josias evidencia m\u00faltiplas formas de conhecer e narrar as Amaz\u00f4nias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na produ\u00e7\u00e3o de Josias Marinho Casadecaba, tudo est\u00e1 interligado. A riqueza das variedades de vida amaz\u00f4nica se sustenta nas rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas com os territ\u00f3rios, nos conhecimentos transmitidos entre gera\u00e7\u00f5es e na diversidade cultural dos povos que os habitam.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-background is-vertical is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-7e82529d wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"background-color:#c1c1c1;margin-top:0;margin-bottom:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\">\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-container-content-f7b87a2a\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1331\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Maos-pretas_-2016.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-94372\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Maos-pretas_-2016.jpg 1331w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Maos-pretas_-2016-208x300.jpg 208w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Maos-pretas_-2016-710x1024.jpg 710w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Maos-pretas_-2016-768x1108.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Maos-pretas_-2016-1065x1536.jpg 1065w\" sizes=\"auto, (max-width: 1331px) 100vw, 1331px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>\u201cM\u00e3os pretas s\u00e3o as m\u00e3os que constru\u00edram o Brasil&#8230; Minhas m\u00e3os s\u00e3o pretas. S\u00e3o m\u00e3os que desenham, que constru\u00edram o Josias. Grande parte dos interessados no meu trabalho tem as m\u00e3os pretas. O desenho se relaciona tamb\u00e9m com as ra\u00edzes, com o tempero. Essa \u00e9 uma cebolinha que eu tinha colocado para brotar\u201d, comenta.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-container-content-f7b87a2a\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao reunir arte, educa\u00e7\u00e3o, literatura e pesquisa, Josias amplia os imagin\u00e1rios sobre as Amaz\u00f4nias e contribui para colocar experi\u00eancias negras e quilombolas no centro das narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, sua obra tamb\u00e9m inspira a identidade visual dos canais digitais da Concerta\u00e7\u00e3o e ajuda a ampliar o di\u00e1logo sobre biodiversidade a partir das culturas, dos saberes e das perspectivas produzidas nos territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artista amaz\u00f4nida de origem quilombola traz em seus desenhos a riqueza 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