{"id":92172,"date":"2026-05-08T10:13:47","date_gmt":"2026-05-08T13:13:47","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacao.bureau-it.com\/cultura\/?post_type=linha-das-artes&#038;p=92172"},"modified":"2026-05-13T15:26:02","modified_gmt":"2026-05-13T18:26:02","slug":"sarah-campelo-faz-da-periferia-amazonica-espaco-de-arte-e-afirmacao-politica","status":"publish","type":"linha-das-artes","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/linha-das-artes\/sarah-campelo-faz-da-periferia-amazonica-espaco-de-arte-e-afirmacao-politica\/","title":{"rendered":"Sarah Campelo faz da periferia amaz\u00f4nica espa\u00e7o de arte e afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Inspirada pela vida na periferia de Manaus, a artista constr\u00f3i imagens que aproximam arte, comunidade e os desafios da infraestrutura urbana na Amaz\u00f4nia<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p>Na comunidade perif\u00e9rica de Mossor\u00f3, na zona sul de Manaus (AM), o fen\u00f4meno recorrente das inunda\u00e7\u00f5es e alagamentos tem seus efeitos ampliados pela aus\u00eancia de saneamento que marca a vida das pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ali, quando chove um pouco mais forte, a \u00e1gua rapidamente toma os becos, cobre as ruas e entra nas casas. \u201cEm muitos casos, os moradores passam horas tentando proteger m\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos e a pr\u00f3pria resid\u00eancia. Hoje, para muita gente, a chuva passou a ser ainda mais motivo de preocupa\u00e7\u00e3o constante\u201d, relata a artista, ativista e moradora da regi\u00e3o, Sarah Campelo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a partir dessa realidade, na qual nasceu e cresceu, que Sarah molda seu olhar sobre arte, cidade e as Amaz\u00f4nias. A produ\u00e7\u00e3o que da\u00ed emerge afirma a exist\u00eancia de um territ\u00f3rio atravessado por desigualdades, mas tamb\u00e9m repleto de cultura, imagina\u00e7\u00e3o e pot\u00eancia criativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando-se do acr\u00edlico sobre tela, da fotografia e de experimenta\u00e7\u00f5es digitais, a artista expande sua pr\u00e1tica para interven\u00e7\u00f5es urbanas e tamb\u00e9m coordena a produ\u00e7\u00e3o de murais. Seu trabalho parte da observa\u00e7\u00e3o atenta do entorno, resultando em cen\u00e1rios que atravessam imagina\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia e articulam pintura, cor e composi\u00e7\u00e3o para deslocar o que \u00e9 visto para o que permanece no universo das possibilidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sarah falou \u00e0 Concerta\u00e7\u00e3o sobre sua obra, a experi\u00eancia de viver em uma cidade amaz\u00f4nica e, em particular, sobre a periferia como espa\u00e7o formador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia urbana: uma realidade invis\u00edvel que reivindica seu lugar&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1250\" height=\"1667\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-fome-foi-inventada-pelos-que-comem-2024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-92374\" style=\"width:auto;height:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-fome-foi-inventada-pelos-que-comem-2024.jpg 1250w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-fome-foi-inventada-pelos-que-comem-2024-225x300.jpg 225w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-fome-foi-inventada-pelos-que-comem-2024-768x1024.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-fome-foi-inventada-pelos-que-comem-2024-1152x1536.jpg 1152w\" sizes=\"(max-width: 1250px) 100vw, 1250px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cA fome foi inventada\u201d (2024), acr\u00edlico sobre tela e interven\u00e7\u00e3o digital<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p>Vistas de longe em imagens de sat\u00e9lite, discursos globais ou campanhas institucionais, as Amaz\u00f4nias costumam ser reduzidas \u00e0 floresta. De fora, a regi\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo apenas de paisagens compostas por matas, rios e biodiversidade, quase sempre desabitadas. \u00c9 em oposi\u00e7\u00e3o a esse enquadramento que Sarah realiza seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra \u201cA fome foi inventada\u201d \u00e9 um exemplo dessa reafirma\u00e7\u00e3o. Longe dos ambientes verdes a que a imagina\u00e7\u00e3o sobre as Amaz\u00f4nias costuma ser reduzida, a artista retrata o cotidiano das comunidades perif\u00e9ricas, com suas casas, com\u00e9rcios e crian\u00e7as em conv\u00edvio. A presen\u00e7a da frase de Carolina Maria de Jesus, \u201ca fome foi inventada pelos que comem\u201d, por\u00e9m, desloca a aten\u00e7\u00e3o e introduz uma dimens\u00e3o cr\u00edtica de reflex\u00e3o sobre desigualdade e estrutura social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nias contadas em primeira pessoa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, Sarah vai al\u00e9m da cr\u00edtica social: ela torna o territ\u00f3rio \u2013 e quem vive nele \u2013 protagonista. Para ela, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a forma como ele \u00e9 percebido e, consequentemente, pensado. Ao contar a Amaz\u00f4nia em primeira pessoa, ela rompe com a l\u00f3gica que transforma a regi\u00e3o em objeto de observa\u00e7\u00e3o externa, frequentemente desconectada das pessoas que ali habitam. E nesse gesto, sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica se realiza tamb\u00e9m como pr\u00e1tica pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Onde-possamos-sonhar-2026.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-92371\" style=\"width:auto;height:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Onde-possamos-sonhar-2026.jpg 1200w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Onde-possamos-sonhar-2026-225x300.jpg 225w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Onde-possamos-sonhar-2026-768x1024.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Onde-possamos-sonhar-2026-1152x1536.jpg 1152w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cOnde possamos sonhar\u201d (2026), acr\u00edlico sobre tela e interven\u00e7\u00e3o sobre fotografia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p>Em \u201cOnde possamos sonhar\u201d, a artista trabalha com a justaposi\u00e7\u00e3o de universos. A obra mostra dois meninos diante do Teatro Amazonas, em uma imagem que se sobrep\u00f5e ao contexto da periferia, criando um contraste entre o cart\u00e3o-postal e a cidade vivida. A opera\u00e7\u00e3o revela a desigualdade socioespacial e evidencia a dist\u00e2ncia entre as narrativas dominantes sobre a Amaz\u00f4nia e seus moradores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da linguagem visual para a compreens\u00e3o das m\u00faltiplas (e alternativas) realidades amaz\u00f4nicas&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A artista acredita que n\u00e3o \u00e9 apenas por falta de informa\u00e7\u00e3o que a realidade da Amaz\u00f4nia urbana permanece \u00e0 margem das narrativas dominantes, mas tamb\u00e9m por um limite de imagina\u00e7\u00e3o. \u201cAquilo que a gente n\u00e3o v\u00ea ou n\u00e3o consegue imaginar dificilmente se torna prioridade\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a linguagem visual se torna uma maneira de ampliar o debate. Suas obras reconfiguram paisagens e sugerem alternativas de exist\u00eancia para os mesmos espa\u00e7os. Em muitas delas, a comunidade aparece mais segura, viva e colorida, n\u00e3o como nega\u00e7\u00e3o da realidade, mas sim como esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa escolha n\u00e3o \u00e9 por acaso. Suas obras n\u00e3o se limitam ao registro realista, ampliando os limites do que se espera ver. A arte, nesse contexto, funciona como uma linguagem capaz de sugerir cen\u00e1rios alternativos, abrindo caminho para que novas narrativas possam emergir.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"1733\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-sonhar-2023.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-92373\" style=\"width:auto;height:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-sonhar-2023.jpg 1300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-sonhar-2023-225x300.jpg 225w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-sonhar-2023-768x1024.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-sonhar-2023-1152x1536.jpg 1152w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cUm rio para sonhar\u201d (2023), fotografia com interven\u00e7\u00e3o digital<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p>A obra \u201cUm rio para sonhar\u201d \u00e9 um exemplo dessa perspectiva. A artista parte de uma fotografia para construir uma paisagem que se aproxima do universo da imagina\u00e7\u00e3o. A imagem dialoga diretamente com a experi\u00eancia da comunidade, na qual o igarap\u00e9, hoje degradado, j\u00e1 foi um local de conviv\u00eancia, lazer e subsist\u00eancia. \u201cA gente vive falando de como seria esse rio limpo\u201d, comenta Sarah. A imagem projeta uma possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A aus\u00eancia de saneamento urbano como pauta pol\u00edtica e art\u00edstica&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a imagina\u00e7\u00e3o define prioridades, \u00e9 no cotidiano que os efeitos da invisibilidade se tornam mais evidentes. Em Mossor\u00f3, a precariedade da infraestrutura de saneamento \u00e9 uma experi\u00eancia constante que atravessa corpos, casas e rela\u00e7\u00f5es. Sarah conta que \u201co igarap\u00e9, que \u00e9 praticamente um lix\u00e3o a c\u00e9u aberto, inunda as casas com \u00e1gua contaminada por fezes, ratos e lixo durante as chuvas, causando doen\u00e7as, perda de pertences, interrup\u00e7\u00e3o de atividades e lazer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma condi\u00e7\u00e3o que afeta diretamente a sa\u00fade, a mobilidade e a perman\u00eancia das pessoas na comunidade. As enchentes interrompem rotinas, desorganizam o trabalho e impactam fortemente quem j\u00e1 vive em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cEssa quest\u00e3o da infraestrutura, de saneamento b\u00e1sico, tem um lado que n\u00e3o \u00e9 discutido, que \u00e9 a sa\u00fade mental das pessoas que vivem situa\u00e7\u00f5es como essas\u201d, completa a artista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m enxerga a forte conex\u00e3o dessa din\u00e2mica com os extremos clim\u00e1ticos cada vez mais frequentes na Regi\u00e3o Norte, com ciclos intensos de cheia e seca que criam uma instabilidade cont\u00ednua, redefinem o cotidiano e imp\u00f5em limites \u00e0s possibilidades do amanh\u00e3 e mant\u00e9m os moradores em estado de ansiedade. \u201cA gente vive a seca com medo da cheia, e vive a cheia com medo da seca. \u00c9 sempre esperando o pior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-habitar1-2026.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-92490\" style=\"width:auto;height:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-habitar1-2026.png 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Um-rio-para-habitar1-2026-225x300.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um rio para habitar (2025), fotografia com interven\u00e7\u00e3o digital<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, em \u201cUm rio para habitar\u201d, o igarap\u00e9 volta a ser o foco de uma interven\u00e7\u00e3o que o imagina limpo, reabilitado e em equil\u00edbrio com os modos de vida locais. O contraste entre cores e camadas visuais produz uma tens\u00e3o entre o presente e o que ainda n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:1rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Arte Ocupa: a periferia como lugar de ocupa\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a partir da realidade de Mossor\u00f3 que surge o Arte Ocupa, projeto cocriado pela artista a partir de sua percep\u00e7\u00e3o sobre a escassez de equipamentos culturais na regi\u00e3o e da arte como experi\u00eancia transformadora. A proposta est\u00e1 ancorada na ideia de transferir a arte dos espa\u00e7os institucionais para as periferias, ocupando ruas, muros e casas para potencializar seu poder transformador.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao realizar a\u00e7\u00f5es como cria\u00e7\u00e3o de murais, exposi\u00e7\u00f5es em \u00e1reas abertas e interven\u00e7\u00f5es itinerantes, a iniciativa amplia o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e refor\u00e7a uma no\u00e7\u00e3o central no trabalho de Sarah: a periferia n\u00e3o \u00e9 apenas um cen\u00e1rio, \u00e9 um ambiente ativo de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:1rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Com a\u00e7\u00f5es constru\u00eddas com a comunidade, Sarah faz da arte uma experi\u00eancia coletiva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os seus projetos, Sarah desenvolve metodologias que partem da escuta e da constru\u00e7\u00e3o coletiva com a comunidade para projetar futuros. Ela n\u00e3o segue um formato predefinido, pois entende que o processo importa tanto quanto o resultado: \u201ceu n\u00e3o chego com nada pronto. Eu pergunto como eles querem que seja, o que faz sentido pra eles\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa escolha altera a l\u00f3gica tradicional da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O p\u00fablico deixa de ser passivo e passa a atuar como coautor. Ao compartilhar decis\u00f5es e processos, a artista amplia a autonomia dos participantes e cria condi\u00e7\u00f5es para que as iniciativas tenham continuidade para al\u00e9m de sua presen\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:1rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Em Mossor\u00f3, arte e pol\u00edtica caminham juntas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o coletiva tamb\u00e9m orienta a forma como Sarah trabalha temas pol\u00edticos em seus projetos. Evitando uma abordagem direta ou confrontadora, a artista desenvolve estrat\u00e9gias que aproximam o debate do dia a dia da comunidade. Se for preciso tratar de quest\u00f5es complexas, ela procura traduzir conceitos abstratos em linguagens acess\u00edveis, adaptadas a diferentes p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>A artista descreve sua abordagem como uma forma silenciosa de fazer pol\u00edtica, que mobiliza refer\u00eancias culturais, religiosas e afetivas e constr\u00f3i pontes que permitem discutir quest\u00f5es estruturais sem romper os v\u00ednculos com as pessoas. Os espa\u00e7os de di\u00e1logo ampliam o alcance do debate pol\u00edtico e refor\u00e7am o papel da arte como ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Amazonia-nao-cabe-no-teu-museu-2024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-92375\" style=\"width:auto;height:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Amazonia-nao-cabe-no-teu-museu-2024.jpg 1200w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Amazonia-nao-cabe-no-teu-museu-2024-225x300.jpg 225w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Amazonia-nao-cabe-no-teu-museu-2024-768x1024.jpg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Amazonia-nao-cabe-no-teu-museu-2024-1152x1536.jpg 1152w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Amaz\u00f4nia n\u00e3o cabe no teu museu (2024)<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer \\&quot;wp-block-spacer\\&quot;\"><\/div>\n\n\n\n<p>Em Mossor\u00f3, a arte se torna uma forma de elaborar coletivamente os desafios do territ\u00f3rio e de afirmar outras possibilidades de exist\u00eancia para a periferia amaz\u00f4nica. Ao aproximar debates estruturais da experi\u00eancia cotidiana da comunidade, Sarah Campelo constr\u00f3i caminhos de participa\u00e7\u00e3o e de pertencimento que fortalecem tanto a dimens\u00e3o pol\u00edtica quanto a afetiva de seu trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre pinturas, murais, interven\u00e7\u00f5es e processos compartilhados, sua obra revela que imaginar futuros mais justos tamb\u00e9m \u00e9 uma maneira de come\u00e7ar a constru\u00ed-los.<\/p>\n\n\n\n<style>\n    \/* corre\u00e7\u00e3o de hover dos \u00edcones sociais *\/\n    html .elementor-48223 .elementor-element.elementor-element-4154965 .elementor-share-btn:hover {\n        --e-share-buttons-secondary-color: var(--ucpa-color-2);\n    }\n<\/style>\n\n<!--  <dfn class=\\\"word\\\"><a>WORD<\/a> <span class=\\\"word__explanation\\\">LOREM<\/span><\/dfn>  -->\n\n<style>\n    .word {\n        position: relative;\n        color: var(--ucpa-color-main, #900);\n        display: inline-flex !important;\n        p {\n         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