{"id":89378,"date":"2026-03-09T10:58:36","date_gmt":"2026-03-09T13:58:36","guid":{"rendered":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/?post_type=linha-das-artes&#038;p=89378"},"modified":"2026-03-19T11:42:37","modified_gmt":"2026-03-19T14:42:37","slug":"miguel-penha-chiquitano-nao-pinta-a-paisagem-mas-a-sensacao-de-estar-na-floresta","status":"publish","type":"linha-das-artes","link":"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/linha-das-artes\/miguel-penha-chiquitano-nao-pinta-a-paisagem-mas-a-sensacao-de-estar-na-floresta\/","title":{"rendered":"Miguel Penha Chiquitano n\u00e3o pinta a paisagem, mas a sensa\u00e7\u00e3o de estar na floresta"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Quem se coloca diante das grandes telas assinadas pelo artista, com sua luz filtrada, cores intensas e aus\u00eancia deliberada de figuras humanas ou animais, recebe um convite para entrar na floresta e, nela, deixar-se envolver<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p>Nas obras de Miguel Penha Chiquitano (Cuiab\u00e1, MT, 1961), as paisagens se transformam em experi\u00eancias. Ele n\u00e3o apresenta recortes do mundo natural, mas a tradu\u00e7\u00e3o pict\u00f3rica de uma viv\u00eancia. Transitar por suas obras \u00e9 como atravessar uma mata fechada, onde a orienta\u00e7\u00e3o se dissolve e o tempo parece suspenso. Essa n\u00e3o \u00e9 uma escolha casual. Ela expressa uma compreens\u00e3o da floresta como presen\u00e7a viva e aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 Concerta\u00e7\u00e3o, Miguel revisita sua trajet\u00f3ria e discute o \u201cnovo naturalismo\u201d, conceito com o qual define sua pr\u00e1tica art\u00edstica, que se afasta tanto do registro documental quanto da idealiza\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A floresta \u00e9 uma linguagem viva, n\u00e3o um cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal n\u00e3o aparecem em suas obras como cen\u00e1rios reconhec\u00edveis. Longe de serem elementos ilustrativos, cip\u00f3s, ra\u00edzes, palmeiras, folhas, \u00e1guas e n\u00e9voas funcionam como signos carregados de mem\u00f3ria e sensibilidade. As esp\u00e9cies retratadas s\u00e3o reais e identific\u00e1veis, mas as cenas s\u00e3o imaginadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes, Miguel re\u00fane, em uma mesma tela, plantas que n\u00e3o existem em um mesmo territ\u00f3rio. A escolha rompe com a l\u00f3gica geogr\u00e1fica e abre espa\u00e7o para outra forma de organiza\u00e7\u00e3o, baseada na experi\u00eancia acumulada ao longo de d\u00e9cadas de conviv\u00eancia com paisagens diversas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAs esp\u00e9cies s\u00e3o verdadeiras, s\u00e3o nativas, mas a paisagem \u00e9 imagin\u00e1ria. Eu vou criando a partir da sensa\u00e7\u00e3o que aquele elemento me traz\u201d<\/em>, comenta Miguel.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado s\u00e3o florestas constru\u00eddas a partir da sobreposi\u00e7\u00e3o de lembran\u00e7as, caminhadas e afetos, que deixam de ser objeto de representa\u00e7\u00e3o e passam a operar como linguagem. Elas falam por meio da cor, da luz e da densidade das formas, ativando no espectador uma mem\u00f3ria que nem sempre \u00e9 individual e pode se conectar com uma dimens\u00e3o ancestral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guaricanga, carana\u00ed, ubim: uma palmeira, muitos territ\u00f3rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos pensar na palmeira guaricanga, tamb\u00e9m conhecida como carana\u00ed ou ubim, presente tanto na Mata Atl\u00e2ntica quanto na Floresta Amaz\u00f4nica e recorrente em suas obras. Al\u00e9m de bot\u00e2nica, a escolha \u00e9 afetiva e cultural. <em>\u201cEla aparece em v\u00e1rios lugares e tem muitos nomes. Eu gosto dela porque carrega hist\u00f3ria\u201d<\/em>, conta o artista.<\/p>\n\n\n\n<p>Miguel conheceu o uso dessa palmeira em aldeias ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, onde suas folhas s\u00e3o utilizadas para a cobertura das casas. Quando secam, ganham um tom dourado intenso, que reverbera luz. Ao atravessar biomas e culturas, a guaricanga sintetiza um dos gestos centrais de sua pintura: articular esp\u00e9cies em paisagens imaginadas, nas quais mem\u00f3ria, experi\u00eancia e ancestralidade se sobrep\u00f5em.&nbsp;<br>A palmeira pode ser vista em diversas de suas obras, como <em>A Floresta e seus mist\u00e9rios<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"356\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/A-floresta-e-seus-misterios-oleo-sobre-tela-110x300-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-1024x356.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89350\" style=\"object-fit:cover\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/A-floresta-e-seus-misterios-oleo-sobre-tela-110x300-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-1024x356.jpeg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/A-floresta-e-seus-misterios-oleo-sobre-tela-110x300-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-300x104.jpeg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/A-floresta-e-seus-misterios-oleo-sobre-tela-110x300-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-768x267.jpeg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/A-floresta-e-seus-misterios-oleo-sobre-tela-110x300-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A Floresta e seus mist\u00e9rios (\u00f3leo sobre tela, 110 X 300 cm), 2024<\/em><br><em>Foto: Taiguara Luciano<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Do territ\u00f3rio ao ateli\u00ea, uma jornada que vai al\u00e9m da experi\u00eancia visual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O processo criativo de Miguel come\u00e7a longe da pintura. Caminhar pelos tr\u00eas biomas, observar a incid\u00eancia da luz, identificar esp\u00e9cies, sentir a umidade do solo e a temperatura do ambiente s\u00e3o etapas fundamentais do seu trabalho. Em alguns momentos, ele faz registros a partir de esbo\u00e7os ou fotografias. Em muitos outros, leva consigo apenas a lembran\u00e7a da experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>No ateli\u00ea, a paisagem se transforma em pintura. A mem\u00f3ria das sensa\u00e7\u00f5es se materializa em imagens constru\u00eddas de forma intuitiva, sem planejamento r\u00edgido. Com raras exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de reproduzir um lugar tal como ele \u00e9, mas sim de recriar a energia que aquele espa\u00e7o produz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o artista, tanto a natureza quanto a pintura proporcionam equil\u00edbrio pessoal. Pintar \u00e9 uma forma de reorganiza\u00e7\u00e3o interna, um exerc\u00edcio de aten\u00e7\u00e3o e escuta que tamb\u00e9m se oferece ao outro. <em>\u201cA natureza me equilibra e a pintura tamb\u00e9m. \u00c9 onde eu me encontro\u201d<\/em>, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na pintura de Miguel, escala e cor s\u00e3o caminhos para a imers\u00e3o sensorial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O uso frequente de telas de grandes dimens\u00f5es, que chegam a 4 metros de largura, amplia o impacto sensorial das pinturas e exige o deslocamento f\u00edsico de quem as observa, segundo Miguel. A escala impede uma vis\u00e3o totalizante e obriga o olhar a percorrer a superf\u00edcie, como quem atravessa uma paisagem real.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por acaso, a cor \u00e9 um dos principais instrumentos dessa constru\u00e7\u00e3o. As pinturas resultam da aplica\u00e7\u00e3o de tinta em m\u00faltiplas camadas, com intensa experimenta\u00e7\u00e3o crom\u00e1tica e sem o uso do preto. A luz que atravessa a mata n\u00e3o \u00e9 desenhada, mas constru\u00edda nas rela\u00e7\u00f5es entre tons.<\/p>\n\n\n\n<p>A profundidade e o contraste surgem da mistura de cores, em uma decis\u00e3o consciente de evitar contornos f\u00e1ceis ou efeitos imediatos. Sobre essa escolha, o artista comenta: <em>\u201co preto \u00e9 muito apelativo. Eu quero conseguir luz e contraste de outra forma, sem esse atalho\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de figuras humanas e animais refor\u00e7a essa l\u00f3gica. Ao evitar pontos de identifica\u00e7\u00e3o direta, Miguel desloca o centro da cena para a pr\u00f3pria floresta. N\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o ou presen\u00e7a que organize o espa\u00e7o; h\u00e1 mat\u00e9ria vegetal em sua densidade, afirmando a floresta como sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p>No painel <em>Igarap\u00e9,<\/em><strong> <\/strong>por exemplo, o artista re\u00fane esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas como a sama\u00fama e o cip\u00f3 mariri (utilizado na prepara\u00e7\u00e3o da Ayahuasca), criando a cena de um igarap\u00e9 que n\u00e3o corresponde a um territ\u00f3rio espec\u00edfico. <em>\u201cAs esp\u00e9cies s\u00e3o verdadeiras, mas esse lugar n\u00e3o existe. Sou eu quem crio a paisagem\u201d<\/em>, explica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img width=\"1024\" height=\"358\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Igarape-acrilica-sobre-tela-2x6m-2019-fotografo-Nailana-Thiely-Grande-1024x358.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89346\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/Igarape-acrilica-sobre-tela-2x6m-2019-fotografo-Nailana-Thiely-Grande-1024x358.jpeg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/Igarape-acrilica-sobre-tela-2x6m-2019-fotografo-Nailana-Thiely-Grande-300x105.jpeg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/Igarape-acrilica-sobre-tela-2x6m-2019-fotografo-Nailana-Thiely-Grande-768x268.jpeg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/Igarape-acrilica-sobre-tela-2x6m-2019-fotografo-Nailana-Thiely-Grande.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Igarap\u00e9 (acr\u00edlica sobre tela, 200 x 600 cm), 2019<\/em><br><em>Foto: Nailana Thiely<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Aqui, a floresta n\u00e3o \u00e9 plano de fundo nem uma representa\u00e7\u00e3o fiel: ela se apresenta como um organismo vivo, denso e pulsante, que envolve quem a observa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ra\u00edzes ind\u00edgenas na forma\u00e7\u00e3o do olhar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse v\u00ednculo com as paisagens florestais recordadas, ainda que imagin\u00e1rias, tem ra\u00edzes profundas. Miguel nasceu \u00e0s margens do Rio Cuiab\u00e1 (MT), filho de pai <dfn class=\"word\"><a tabindex=\"0\">Chiquitano<\/a> <span class=\"word__explanation\">Povo ind\u00edgena que habita a regi\u00e3o de fronteira entre o oeste do Mato Grosso e o leste da Bol\u00edvia. <\/span><\/dfn> e m\u00e3e <dfn class=\"word\"><a tabindex=\"0\">Bororo<\/a> <span class=\"word__explanation\">Povo ind\u00edgena tamb\u00e9m natural da regi\u00e3o de fronteira entre o Mato Grosso e a Bol\u00edvia, podendo ocupar ainda \u00e1reas de Goi\u00e1s. <\/span><\/dfn>. Desde a inf\u00e2ncia, viveu em rela\u00e7\u00e3o direta com a terra, os rios e as plantas, aprendendo a reconhecer esp\u00e9cies, seus usos e ciclos.<\/p>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria ind\u00edgena atravessa seu trabalho como pr\u00e1tica: na aten\u00e7\u00e3o aos detalhes da flora, no respeito aos ritmos naturais e na compreens\u00e3o da floresta como ser vivo. A experi\u00eancia acumulada ao longo da vida se manifesta menos como discurso e mais como pr\u00e1tica. <em>\u201cA natureza \u00e9 nossa m\u00e3e. \u00c9 ela que nos d\u00e1 tudo\u201d, <\/em>explica<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Autodidata, o artista construiu sua trajet\u00f3ria fora da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e buscou conhecimentos t\u00e9cnicos de maneira pontual, para garantir autonomia material e durabilidade \u00e0s obras. Essa forma\u00e7\u00e3o contribuiu para uma pr\u00e1tica livre, guiada pela observa\u00e7\u00e3o e pelo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Novo naturalismo\u2019 e \u00e9tica da pintura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando define seu trabalho como um \u201cnovo naturalismo\u201d, Miguel n\u00e3o prop\u00f5e um retorno acad\u00eamico nem uma atualiza\u00e7\u00e3o formal de seus c\u00f3digos. O termo expressa uma postura \u00e9tica diante da natureza e da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Trata-se de reconhecer a floresta como sistema vivo e em transforma\u00e7\u00e3o e de construir uma linguagem que dialogue com essa vitalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O artista n\u00e3o busca a fidelidade \u00f3ptica, mas fidelidade \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Uso a t\u00e9cnica para garantir a qualidade do trabalho, mas a pintura \u00e9 uma experi\u00eancia, n\u00e3o uma reprodu\u00e7\u00e3o\u201d, <\/em>comenta<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ao recusar a representa\u00e7\u00e3o literal e apostar na imagina\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria como formas de conhecimento, ele coloca a pintura como espa\u00e7o de media\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia, territ\u00f3rio e mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A floresta precisa de respeito e regenera\u00e7\u00e3o para voltar a ser presen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A obra de Miguel tamb\u00e9m tensiona o imagin\u00e1rio da devasta\u00e7\u00e3o ambiental, que associa esses territ\u00f3rios \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, \u00e0 escassez e ao colapso. Ao apresentar florestas densas e equilibradas, suas pinturas afirmam a pot\u00eancia de regenera\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o artista, a floresta n\u00e3o precisa ser protegida por discursos abstratos, mas pelo respeito \u00e0 sua capacidade de se regenerar. <em>\u201cSe voc\u00ea quer proteger a floresta, deixe ela quieta. Ela se regenera sozinha\u201d, <\/em>ressalta. Ainda assim, ele reconhece a urg\u00eancia da restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, nascentes e margens de rios. <em>\u201cRecuperar \u00e9 trabalho duro. Tem que ir l\u00e1, suar e plantar\u201d, <\/em>explica<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao mostrar o que ainda existe, sua obra convida \u00e0 observa\u00e7\u00e3o atenta, ao cuidado e \u00e0 reconex\u00e3o. Em vez de impor respostas, ela cria um espa\u00e7o de escuta. Um espa\u00e7o no qual a floresta deixa de ser paisagem e volta a ser presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Floresta&nbsp; como experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Duas obras sintetizam gestos distintos de sua pintura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tela <em>Palmeira Acur\u00ed na beira do rio<\/em>, o artista escolhe se manter fiel a um lugar espec\u00edfico. A pintura \u00e9 inspirada em um trecho de rio na Chapada dos Guimar\u00e3es (MT), onde costuma ir para descansar e \u201crecarregar a energia\u201d. <em>\u201c\u00c0s vezes eu olho para a paisagem e sinto que ela j\u00e1 est\u00e1 pronta\u201d<\/em>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o com o lugar e a vontade de imprimir na tela sua energia fazem com que Miguel continue trabalhando para melhor representar o local. O artista tem retornado ao mesmo ponto para observar sua luz, \u00e1gua e atmosfera e criar uma segunda obra, esta de maiores dimens\u00f5es. <em>\u201cQuero fazer a volta do rio completa. Vou contornar esse buritizinho \u00e0 direita at\u00e9 o outro lado do rio\u201d<\/em>, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de revisitar o territ\u00f3rio durante o processo revela uma exce\u00e7\u00e3o significativa em sua pr\u00e1tica: quando a experi\u00eancia vivida \u00e9 t\u00e3o potente que n\u00e3o pede inven\u00e7\u00e3o, apenas escuta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img width=\"1024\" height=\"759\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/palmeira-acuri-na-beira-do-rio-oleo-sobre-tela-30x40-cm-2024-Foto-Taiguara-Luciano-Grande-1024x759.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89345\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-acuri-na-beira-do-rio-oleo-sobre-tela-30x40-cm-2024-Foto-Taiguara-Luciano-Grande-1024x759.jpeg 1024w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-acuri-na-beira-do-rio-oleo-sobre-tela-30x40-cm-2024-Foto-Taiguara-Luciano-Grande-300x222.jpeg 300w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-acuri-na-beira-do-rio-oleo-sobre-tela-30x40-cm-2024-Foto-Taiguara-Luciano-Grande-768x569.jpeg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-acuri-na-beira-do-rio-oleo-sobre-tela-30x40-cm-2024-Foto-Taiguara-Luciano-Grande.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Palmeira acur\u00ed na beira do rio (\u00f3leo sobre tela, 30 x 40 cm), 2024<\/em><br><em>Foto: Taiguara Luciano<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na tela <em>Palmeira buritirana<\/em>, Miguel mergulha em seu \u201cnovo naturalismo\u201d, agora trazendo a palmeira semelhante ao buriti, mas de porte menor e crescimento em touceiras, em uma obra constru\u00edda inteiramente a partir da mem\u00f3ria. Nela, ele associa paisagens visitadas ao longo da vida, especialmente em aldeias ind\u00edgenas e regi\u00f5es ribeirinhas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEu j\u00e1 vi muita buritirana na beira do rio\u201d<\/em>, lembra o artista. Ela surge acompanhada de outras esp\u00e9cies que Miguel conhece intimamente, compondo uma floresta que n\u00e3o obedece \u00e0 l\u00f3gica do territ\u00f3rio, mas sim \u00e0 da experi\u00eancia. Aqui, imaginar n\u00e3o \u00e9 distorcer a realidade, mas reorganizar lembran\u00e7as, afetos e sensa\u00e7\u00f5es em uma nova forma de presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" width=\"774\" height=\"1024\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/palmeira-buritirana-oleo-sobre-tela-60x45-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-774x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89343\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-buritirana-oleo-sobre-tela-60x45-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-774x1024.jpeg 774w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-buritirana-oleo-sobre-tela-60x45-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-227x300.jpeg 227w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-buritirana-oleo-sobre-tela-60x45-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande-768x1016.jpeg 768w, https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/palmeira-buritirana-oleo-sobre-tela-60x45-cm-2024-fotografo-Taiguara-Luciano-Grande.jpeg 968w\" sizes=\"(max-width: 774px) 100vw, 774px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Palmeira buritirana (\u00f3leo sobre tela, 60 x 45 cm), 2024<\/em><br><em>Foto: Taiguara Luciano<\/em><br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:2rem\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A arte de Miguel Penha Chiquitano nos chama a um mergulho nas florestas, sejam estas naturais ou imaginadas, estabelecendo com elas uma conex\u00e3o de respeito e admira\u00e7\u00e3o. Em mar\u00e7o de 2026, suas obras passam a inspirar tamb\u00e9m a identidade visual dos canais digitais da Concerta\u00e7\u00e3o, ampliando o di\u00e1logo entre arte e solu\u00e7\u00f5es para as florestas do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico.<br><\/p>\n\n\n\n<style>\n    \/* corre\u00e7\u00e3o de hover dos \u00edcones sociais *\/\n    html .elementor-48223 .elementor-element.elementor-element-4154965 .elementor-share-btn:hover {\n        --e-share-buttons-secondary-color: var(--ucpa-color-2);\n    }\n<\/style>\n\n<!--  <dfn class=\"word\"><a>WORD<\/a> <span class=\"word__explanation\">LOREM<\/span><\/dfn>  -->\n\n<style>\n    .word {\n        position: relative;\n        color: var(--ucpa-color-main, #900);\n        display: inline-flex !important;\n        p {\n            display: inline !important;\n        }\n    }\n\n    .word a {\n        cursor: pointer;\n        text-decoration: underline;\n        text-decoration-style: dotted;\n        text-underline-offset: 3px;\n    }\n\n    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